Arquivo de 04/02/2012

Publicado originalmente em 28/02/2010. Vejam só.

 

 

Ela é onipresente. Tenho quase certeza.

Mas é visível o estrago dessa mosquinha, tão singela, cujo veneno é mortal.

Lento na maioria das vezes, mas capaz de derrubar governos…

E não é que nosso guia, como nos lega Elio Gaspari, terminou inoculado?

Coitado.

Do ABC, das marmitas, da caninha 51, da greve de fome.

Da viuvez precoce, de dona Marisa, que hoje desafia o tempo cada dia mais nova…

Ares de Brasília. Fazem milagres.

Lula , Lula, Lula. Os que vão morrer te saudam.

Viestes do povo, da mais pura existência e não aprendestes nada?

Bastou o menu do Alvorada e lasquem-se os mortais, o povo, essa figura virtual?

Lasquem-se todos, viva Sarney, Renan e Collor.

Esses agora são a tua turma.

Viva o Esmolão.  Realizada  a maior ascensão de classes do mundo capitalista moderno.

Moderno?

A classe média espremida, achatada, pior do que carro quando vai virar sucata.

Dane-se a classe média. Que desapareça. Vamos elevar as cotas, vamos dar mais dinheiro ao MST.

Trabalhar é coisa de trouxa.

Para ser Presidente o trabalho não consta do currículo.

Vale a VAIDADE.

Cheguei no ponto. Custei mais cheguei.

A VAIDADE.

Esse câncer que corrói tantos os bens nascidos quanto os vindos da periferia.

Tanto faz , porque não há prova de títulos.

A vaidade de FHC. De lascar. A singular figura de dona Ruth Cardoso. Sem palavras.

A vaidade de LULA. De lascar também. A grotesca figura de dona Marisa. Nem comento.

A ida de Lula a Cuba, a Venezuela, a Bolívia, ao Paraguai. Desastres. Acompanhado de outros desastres na comitiva. O top-top. O Ministério mastodontico. O  inchaço de Brasília.

A mosca azul é um absurdo que nem Kafka sonhou nos seus piores pesadelos.

O que há de bom nesses quase oito anos com certeza há de ficar.

Que nenhum governo é feito só de moscas azuis, vaidades e sacanagens.

Não falo dos 900 mil bancários da era FHC que entregou a Lula apenas 400 mil.

Que vai entregar para Dilma menos do que isso.

Essa categoria não existe. Não estou puxando a brasa para mim. Afinal eu sou rico.

Pelo menos para Lula.

O que causa indignação. Violenta indignação. É que a vaidade é fruto livre e está a disposição de qualquer um.

O sujeito escreve um livro.

Tem um blogue.

Vira vereador.

Compõe uma música.

Dá uma entrevista no bom dia Pernambuco.

Pronto. Fudeu. Agora virou pop star.

Lá em cima é mais complicado. A vaidade sob as alturas do Dubai World Trade Center.

É diferente. É muito pior.

Acima do bem e do mal. Pode falar o que quiser. Grotescamente. O que quiser.

Nada lhe cola. Nenhuma crítica lhe arranha.

Podem bater. Sou inoxidável.

É por essas e outras que de vez em quando como nessa noite de insônia,

eu pego o “fusca” e vou dar uma voltinha (perigosa) em Santo Amaro.

Só passo na frente. É suficiente.

Lá ficaram meus pais, avós, tios, primos, amigos, conhecidos e estão por lá milhares

de desconhecidos.

Mas todos com algo em comum. Extraordinariamente comum.

Todos são apenas esqueletos. E como no famoso conto, se você procurar entre os ossos,

não vai saber a diferença entre um José da Silva e um Batista da Silva.

Entre Miguel Arraes e  um Severino ou Severina dos mangues de João Cabral.

É santo remédio contra essa mosca que dá  no toitiço de qualquer um.

Não importa o cargo.

Bater no presidente até que é bom.

Mas a gente tem de saber que também temos de saculejar a requenguela do juízo , quando a mosquinha virar em nossa direção.

Dona Dilma cuidado com a mosca. Ela também gosta de mulheres.

A senhora tá na mira.

PS – A vaidade é um princípio de corrupção.

Machado de Assis

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V A M O S    B A I L A R

Dando uma olhada para trás, lembrando do tempo em que eu tocava em bandas, constatei um fato curioso. Naquela época, tenho prá mim que as festas eram exclusividades da juventude. Aquela turma que vai da adolescência até uns 30 anos. Lembro que o repertório de todos os grupos eram praticamente os mesmos e, basicamente rock, pop e MPB “do momento”. Se porventura a nova música do Chico Buarque não era muito dançante, a gente dava um jeito, modificando o rítmo ou o andamento e sempre agradava porque “tocava” nas rádios e TVs . Nossos equipamentos, embora modernos, eram de uma pobreza franciscana. Um órgão CARIBBEAN de 2 teclados era a apoteose da sofisticação e, a Giannini preponderava. Ter uma guitarra envenenada por Robertinho do Recife era para poucos (a gente tinha) e caixas de retorno nem pensar. O baterista ficava entre os amplificadores,à frente os microfones e a gente ali no meio mandando ver. Uma caixa de som de cada lado (logo depois dos microfones) de frente para o público e pronto.

Mesmo depois de anistiado terminei sentando praça em Candeias e fazia séculos que não botava o pé na calçada à noite. Durmo no máximo às 21Hs e às 4 Hs já estou de plantão. Mas dois eventos,quase no mesmo período me obrigaram à sair da toca.Um aniversário de um parente e a formatura de uma sobrinha. O aniversário coincidia com uma festa no Country Club, e a formatura foi num lugar metido à besta na Rua Benfica. No Country estava a Orquestra de Spok e na Benfica uma tal Orquestra Universal. Eita como me diverti.Virei uma espécie de MICHAEL TRAVOLTA ASTAIRE DA SILVA.

Equipamentos ultra modernos, todos os instrumentos microfonados (sem fio) e no mínimo uns 15 músicos por banda.Num certo momento,Spok acompanhado por outros instrumentistas de sopro, saiu em fila indiana, desfilando pelas mesas e o som lá. Limpo. Cristalino. Fiquei incrível.

Notei que eles começam com clássicos das “big bands” (In The Mood,Cheek to Cheek, etc) então os cantores se revezam dentro dessa mesma linha (Sinatra,Bennet,Ella…) e tome festa. Bossa Nova, Tropicália, rock, pop, salsa, sons de todos os matizes (Brasil,England,Caribe…) e prá fechar uns bons frevos (de bloco,canção e de rua) e quando dei por mim… perdi a caminhada do domingo.

Arranjos e execuções do mais alto nível. Exceto brega , lixos do tipo funk maloqueiro e axé, o bom gosto preponderava, contemplando os mais diversos estilos e épocas. No salão podia-se sentir o clima de satisfação e alegria que tomava conta dos casais de 8 a 80 anos.Dos netos aos avós,tenho certeza,todo mundo se divertiu. Eu mesmo,daqui a uns cinco anos,quando liberarem novamente meu “visto” não perco outra.

Até meados dos anos 80 era uma verdadeira resenha, uma maratona, encontrar um instrumentista de qualidade razoável e disponível em Recife, notadamente os “de sopro”. O Conservatório, sempre vetusto, formava poucos e com certa mentalidade elitista,”desaconselhava” suas virtuoses à trabalharem fora da música erudita, conservadora . Então,de repente surgiu o CENTRO DE CRIATIVIDADE MUSICAL,mais aberto, moderno, alegre e principalmente acessivel aos menos favorecidos. Ainda quando o CCM engatinhava, pude testemunhar a felicidade indisfarçável no rosto de uma molecada que num átimo (adoro essa palavra) começava a descobrir seu caminho com aquela oportunidade que se abria tão generosamente.Lembro de Spock,Nena,Tostão (hoje baterista de Elba Ramalho) e tantos outros.Lembro de minha amiga saudosa Dora (esposa do também querido Dr.Romário ), que trabalhava (e vibrava) no Centro de Criatividade.Tenho quase toda certeza que o CCM foi o principal responsável por esse ressurgimento musical do Recife. Só sei que hoje em dia, ao caminhar pela cidade corre-se o risco de tropeçar num trompetista ou trombonista ou… da melhor qualidade. E isso explica  o nascimento de bandas e orquestras de padrões 5 ESTRELAS na cidade. E são muitas.

PS: Sem puxasaquismo e com toda justiça, esse post é uma homenagem ao caçula EDGAR MATTOS que, tem responsabilidade por esse fenômeno musical que vem magnetizando o Recife.