TORPEDAÇO DE EDGAR MATTOS.

Publicado: 28/01/2012 em Poesia

Fundação Joaquim Nabuco

Conselho da Produção Científica –CONSEPEC

Obra: “Quase Memórias”

Autor: Mário Souto Maior

Parecer

Meus pares peço licença

Desse jeito inusitado

Pra tratar sem malquerença

De um caso bem delicado

 

Quem requer é uma figura

Que merece nota mil

Modesta, mas não obscura

Pois marcante é o seu perfil

 

Muitos filhos ele gerou

Livros muitos ele escreve

Mais que árvores ele plantou

Os exemplos que nos deu

 

Sogra, diabo, palavrões,

Do puxa-saco à cachaça

De tudo tirou lições

De tudo mostrou a graça

 

Agora, suas “Memórias”

Faltam um “quase” pra Ciência

Mas quem colheu tantas glórias

Dispensa condescendência

 

Pois Mário Souto, o Maior

Dos folcloristas vivos

Já fez muito e melhor

Sem precisar de incentivos

 

Se o nosso regulamento

Não lhe dá classificação

Sinceramente, lamento

Mas não choro a decisão

 

De resto ninguém deplore

Pois é coisa descabida

Tratar como folclore

Tão bela história de vida

 

Daí que peço licença

Pra negar o pleiteado

Sem demérito e sem ofensa

Para autor tão consagrado

 

Qual peixe aprisionado

Nas malhas da lei contido

Sigo os trâmites e o processado

E indefiro o seu pedido

 

Mas pela vida e pela obra

Esse contador de “causos”

Do CONSEPEC já cobra

Um grande voto de aplausos

 

Não se veja na proposta

Gesto de consolação

Se do autor tanto se gosta

É de Justiça a moção !

 

Consepec, 1996

EDGAR MATTOS

Nota: Esse Conselho, da Fundação Joaquim Nabuco, examinava trabalhos de cunho científico, classificando-os em diversos níveis, para efeito de concessão de incentivos financeiros. Tive a oportunidade de dar parecer favorável a todos os livros do emérito folclorista Mário Souto Maior que, inclusive, se tornou meu amigo.

Desta feita, porém, me vi numa “saia justa” pois o trabalho submetido ao Consepec era um livro de Memórias que, evidentemente, não se enquadrava como produção científica. Daí os versinhos, forma amena de dizer Não ! Que – diga-se de passagem – ele aceitou muito bem.

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comentários
  1. Magna disse:

    Mais versos certeiros e elengantes do nosso amigo Edgar. Que dizer? Mais não digo.
    Abraço.
    Magna

  2. João Carlos disse:

    Um NÃO com essa categoria até político aceita de bom grado.

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