Ir ou não ir ao protesto? Eis a questão.

Publicado: 24/01/2012 em Domingos - Crônicas

 

 

Você cria seus filhos.

Lutando contra a pior das drogas: a televisão.

Sobrevive a família encontrando no DNA de todos os ancestrais o caminho do bem.

Seus filhos correspondem. Dão muito trabalho.

Mas as alegrias infindas.

E tudo vai passando.

Chega então o momento em que um deles lhe avisa:

– vou para o protesto contra as passagens de ônibus amanhã.

Você se lembra dos seus 17 anos e alguma coisa.

Você se lembra do primeiro congresso depois da reabertura da UNE.

Você foi ao primeiro comício de Arraes.

Participou das campanhas de Marcos Freire e Jarbas. Quando este não havia sido clonado.

E seus pais ali do lado lhe advertindo. Em vão…

Hoje eu rezo. Apenas.

Rezo para que um tiro de borracha não pegue na minha filha.

Ou uma porrada, ou um inocente gás de fazer chorar. Quem ri são os políticos.

Os próprios policiais que descarregam no braço o que o cérebro e o coração escasseiam: respeito ao próximo.

Não posso impedir minha filha de comparecer a um ato coordenado pela casa de Tobias Barreto.

Ela que nem matriculada ainda está no curso de Direito.

Mas é a vida.

E ela é muito perigosa mesmo.

Fico aqui rezando. Conselhos? – já desfiei um rosário deles.

Não adiantou comigo.

Pois a juventude tem seus ideais e suas idéias.

E isto é aproveitado muito bem pela nossa escória política.

Aqueles que andam de carros blindados e cujos filhos vão ao exterior.

Nós ficamos na Terra Brasilis, com crack e tudo.

Assalto a banco e tudo.

Tiros nos sinais e tudo.

E mesmo assim mantemos a fé.

A poesia nossa de cada dia que nunca nos falta.

A música que nos acompanha nos momentos de seca.

Os amigos e os familiares.

Então é ir.

E voltar.

Porque como diria Riobaldo:

“Eu careço de que o bom seja bom e o rúim ruím, que dum lado esteja o preto e do outro o branco, que o feio fique bem apartado do bonito e a alegria longe da tristeza! Quero todos os pastos demarcados… Como é que posso com este mundo? A vida é ingrata no macio de si; mas transtraz a esperança mesmo do meio do fel do desespero. Ao que, este mundo é muito misturado.” Guimarães Rosa.

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comentários
  1. Magna disse:

    Diante de tamanha questão, eis, talvez uma resposta:

  2. João Carlos disse:

    Broda,teu post já diz tudo e mais 30 da prorrogação. É isso ai pei buf!
    PS: Pena que tudo isso de nada vai adiantar.Já subiu e pronto.Eles fazem a cena pedindo 17% e a politicalha faz-se de bonzinhos e concedem quase 7% (que é o que eles queriam). Olha a campanha ai gente!!!!!!

  3. É verdade. Chover literalmente no molhado. No final Gabi terminou sem ir. Foi cuidar da papelada da matrícula e quando viu já tinha passado. O saldo: um colega com o nariz quebrado. Baixista da banda que tocou prá gente no Reveillon lá em Catuama. Saldo negativo da porra. Mas é isso. Por enquanto sustos diversos em muitas famílias. A nossa vai escapando…

  4. andre gustavo disse:

    Tem uma campanha na internet pra descobrir quem é a menina da gravata.Deveria ser recebida pelo Coronel Dudú,como forma de minimizar essa sessão de “recuerdos da ditadura”.
    à guisa,como diz John:Levei falta no SS por motivo justo.Mas lembrei agora de uma canção que não escutava faz tempo…:

  5. João Carlos disse:

    AHAHAH Menina de trança é otima! Tinha um amigo que começava à cantar e caia no choro KKKK. Ficou puto porque eu disse que no caso dele era Meninma de Transa (s).

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