A VIDA EM 24 FPS. POR HOULDINE NASCIMENTO.

Publicado: 25/12/2011 em Poesia

The Ides of March (EUA, 2011). Cotação: ****1/2
Drama, 101 min. Direção e roteiro: George Clooney. Com: Ryan Gosling, George Clooney, Philip Seymour Hoffman, Paul Giamatti, Evan Rachel Wood, Marisa Tomei e Jeffrey Wright.

“A política é mesmo um jogo sórdido”. Um pensamento quase enraizado no inconsciente coletivo. É partindo dessa ideia que George Clooney fez “Tudo pelo Poder”, título que não tem a ver em absoluto com o original: The Ides of March (numa tradução literal “Os Idos de março”, passagem vinda da obra Júlio César, de Shakespeare). Conseguiram tirar toda a poesia do nome, mas (ainda bem) não o potencial do filme.

Baseado em “Farragut North”, peça de Beau Willimon que tomava livremente como referência a campanha de Howard Dean nas primárias do Democrata em 2004, o filme mostra exatamente os bastidores de uma disputa pela vaga de representante do partido à presidência. Durante cerca de 94 minutos, acompanhamos a trajetória de Stephen Meyers (Ryan Gosling), um jovem assessor de um dos candidatos em questão, o Governador Morris (George Clooney).

A trama custa um pouquinho a começar. O estado de Ohio é onde a história se concentra. Morris tem uma leve vantagem sobre o adversário, Pullman. Há um impasse pelo fato de os Republicanos pretenderem participar da votação e ameaçarem intervir na escolha em prol de Pullman e, assim, tirar da disputa o candidato mais difícil de ser batido.

Com a ameaça de uma derrota, se faz necessário ter o apoio de um senador (Jeffrey Wright), embora Morris relute. O chefe de campanha Paul (Philip Seymour Hoffman) tenta convencê-lo a aceitar. No lado do adversário, Tom Duffy (Paul Giamatti) alicia o promissor Stephen e é a partir disso que os problemas começam a surgir e os ideias de ética do rapaz a desmoronar na mesma proporção em que se dão os acontecimentos. A peça-chave de tudo é uma estagiária (Evan Rachel Wood), figura já marcada por colocar em risco a política norte-americana (vide o escândalo envolvendo o ex-presidente Bill Clinton e Monica Lewinsky).

Perdemos a conta de quantas vezes a política foi abordada no cinema. “Z” e “Todos os Homens do Presidente” são alguns dos tantos que tratam disso. Dos bastidores, cuidam “A Grande Ilusão”, “Segredos do Poder” e “O Candidato”. Felizmente, Clooney não deixa seu filme cair na banalidade ao entregar uma envolvente trama, que prende as atenções não por trazer algo novo (o que aqui não acontece), mas pelo grande teor de verossimilhança.

Este é o quarto filme comandado por ele. Sempre conhecido pela atuação em trabalhos que o alçaram à condição de galã, Clooney vem nos últimos anos desconstruindo essa imagem ao buscar obras mais desafiadoras (“Syriana”, “Conduta de Risco”). A estreia como diretor aconteceu em 2002 com “Confissões de uma mente perigosa”, pelo qual foi elogiado. Três anos depois, realizou “Boa Noite e Boa Sorte”, um passo adiante e que o fez ser considerado um dos melhores cineastas de 2005. “O Amor não tem regras” (2008) foi o seu deslize, agora consertado.

Ryan Gosling entrega uma atuação precisa, uma de suas características. Não por acaso é tido como o maior de sua geração (não deixem de vê-lo em “Drive”). O comportamento de seu personagem por vezes causa inquietude no espectador, em particular a partir do momento em que ele descobre algo que pode comprometer seriamente a campanha. Para criar uma empatia, tenta-se desenvolver o lado pessoal de Stephen.

Os atores de suporte também desempenham bem seus papéis, destaque para o sereno Philip Seymour Hoffman, Paul Giamatti (excelente na figura de um assessor disposto a tudo) e a solar e belíssima Evan Rachel Wood. A veterana Marisa Tomei aparece como uma jornalista ávida por furos.

É um período difícil para ir ao cinema por conta das festividades de Natal e ano novo. Mas quem se propor a assistir a “Tudo pelo Poder” será levado a reconhecer as diversas situações a que está habituado na política. Clooney também promove um jogo conosco graças às tantas reviravoltas que há e, pelo que pude perceber, o público gosta quando é desafiado dessa forma.

*Aproveito para desejar a todos os amigos do Fusca um ótimo Natal e um feliz 2012. J

 

Houldine Nascimento.

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comentários
  1. João Carlos disse:

    Show Houldini! Já está devidamente anotado.Talvez eu tenha uma brecha esta semana e vá assistir. Os atores são bem convidativos.Gosto muito do Clooney e do Seymour.

    PS: Contamos com você na quinta ?

  2. Se é meu amigo Houldine que tá indicado então não é qualquer filme. O danado entende do riscado!

    Feliz Natal a todos do fusca mais charmoso da world wide web…

  3. andre gustavo disse:

    Mais outro pra ver.Essa semana vou assistir com Felipe Alvin e os Esquilos 3,que deve ser show de bola.No 2 teve até The Kinks:

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