Laura Ridings.

Publicado: 29/04/2011 em Poesia de Laura Ridings

PARA UM

 QUASE AMIGO

Para trás!

Sou pedra.
…….Você tem de rasgar sua carne para escavar meu peito.

Sou tempestade.
…….Ninguém relaxa comigo.

Sou montanha.
…….Moureje até o topo, e vire um solitário.

Sou gelo.
…….Você tem que congelar para que eu derreta.

Sou mar.
…….Não vou devolver você.

Se isto o assusta,
Para trás! Para trás!

Ainda que, se você for meu amigo,
Não lhe serei nada disso.

tradução: Rodrigo Garcia Lopes

.

 PS –

ALÉM

Dor é impossível de se descrever
Dor é a impossibilidade de descrever
Descrever o que não é possível descrever
O que deve ser uma coisa além da descrição
Além da descrição para não ser conhecido
Além do conhecido mas não mistério
Não mistério mas dor não claro mas dor
Mas dor além mas aqui além .

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comentários
  1. João Carlos disse:

    Vejam só.Vou falar porque aqui estou em casa, entre paredes de carinho e compreensão dos demais.Leio o poema e o PS.Fico incrível.Acho bonito,profundo,tocante mas… bloqueio.O que dizer senão obviedades ? Estou sempre na Sementeiras,no Tadeu,no Maia.Leio de cabo à rabo.E sinceramente gosto.Ah como “apreceio”. São lindos e diferentes.Diferentes iguais.Mas cadê a verve ? Então me limito a escrever: “estou aqui tá ?”. Realmente é melhor esperar o Arsênio e escrever “assino embaixo”.

  2. Dear John. Eu não se de qual dois poemas eu gostei mais. Na dúvida, me abraço com Laura Ridings que de lá do Hubble nos ilumina com sua humanidade. Mulher imensa. Poeta infinita. Poesia iluminada. E mais não digo, que esta noite choveu para inundar nossa querida Recife. Hoje de manhã fui até o aeroporto para deixar dona Ana e parecia cenas de guerra. Carros rebocados, carros nas calçadas, nos postos de gasolina. Foi muita água mesmo. Recife pede socorro. Socorro Laura Ridings, Drummond, Bandeira, João Cabral, Magna, Arsênio, Tú, André, Edgar, socorro. Vou me afogar aqui na zona norte. Tá bronca broda. Chama Tadeu, Luiz, Carlos. Chama todo mundo para rebocar o Fusca.

  3. Magna disse:

    E quem disse, João, que para o poeta precisa de muitas palavras? Sei não, acho que não. Bom mesmo são as palavras sinceras, aquelas que já dizem tudo num simples: “estou aqui”.
    Sigamos com Laura e seu poema firme como pedra, rasgando o entendimento de todos nós.
    Bom domingo a todos.
    Magna

  4. Arsenio Meira Júnior disse:

    Grande Jonh, na minha opiniõa, os poemas de Laura Ridings não caem no abstracionismo e ilegibilidade de alguns hipermodernos.

    Decerto falta-lhe verve, mas ela não tem autopiedade, e curiosamente não precisou do sacarmo para esgrimar as prórias dores.
    Sua destreza verba é encantadora. A musicalidade – de uma fidelidade absoluta à precisão.
    É a própria anti-retórica. Dilacerada.
    O impacto vem dos versos:

    “Dor é impossível de se descrever
    Dor é a impossibilidade de descrever
    Descrever o que não é possível descrever
    O que deve ser uma coisa além da descrição
    Além da descrição para não ser conhecido
    Além do conhecido mas não mistério
    Não mistério mas dor não claro mas dor
    Mas dor além mas aqui além . ”

    A repetição em aguns versos de algumas palavras (Não mistério mas dor não claro mas dor/ Mas dor além mas aqui além) conferem uma carga dramática incontornável e exemplificadora das intençoes desta poeta magnífica.

    A arte moderna já tem cento e tantos anos. E rindigns chama o leitor para o seu confronto particular.
    Que na verdade é o confronto humano.
    Bem retratado nos versos de Mário de Sá-Carneiro, poeta lusitano, e um dos melhores, senão o melhor amigo que Fernando Pessoa teve:

    “Ao triunfo maior, avante pois
    o meu desitno é outro – é alto e raro.
    Unicamente custa muiro caro:
    a tristeza de nun sermos dois.”

    Abraços e um AMÉM PARA LAURA RIDINGS

  5. Arsenio Meira Júnior disse:

    Segue com as devidas correções.

    “Grande Jonh, na minha opinião, os poemas de Laura Ridings não caem no abstracionismo e ilegibilidade de alguns hipermodernos.

    Decerto falta-lhe verve, mas ela não tem autopiedade, e curiosamente não precisou do sacarmo para esgrimar as próprias dores.
    Sua destreza verba é encantadora. A musicalidade – de uma fidelidade absoluta à precisão.
    É a própria anti-retórica. Dilacerada.
    O impacto vem dos versos:

    “Dor é impossível de se descrever
    Dor é a impossibilidade de descrever
    Descrever o que não é possível descrever
    O que deve ser uma coisa além da descrição
    Além da descrição para não ser conhecido
    Além do conhecido mas não mistério
    Não mistério mas dor não claro mas dor
    Mas dor além mas aqui além . ”

    A repetição em aguns versos de algumas palavras (Não mistério mas dor não claro mas dor/ Mas dor além mas aqui além) conferem uma carga dramática incontornável e exemplificadora das intenções desta poeta magnífica.

    A arte moderna já tem cento e tantos anos. E Rindigns chama o leitor para o seu confronto particular.
    Que na verdade é o confronto humano.
    Bem retratado nos versos de Mário de Sá-Carneiro, GRAMDE poeta lusitano, e um dos melhores, senão o melhor amigo que Fernando Pessoa teve:

    “Ao triunfo maior, avante pois.
    O meu desitno é outro – é alto e raro.
    Unicamente custa muiro caro:
    a tristeza de nunca sermos dois.”

    Abraços e um AMÉM PARA LAURA RIDINGS

  6. Arsenio Meira Júnior disse:

    Olhos pesados, sono chegando, fui corrigir, e crirei outros erros no comentários..
    Besteira, que dá pra enteder.
    Vou lá, pessoal. Fiquem com Deus

  7. Tadeu Rocha disse:

    Amigos, passei o fds em Itamaracá. E hj vi tanta coisa boa no fusca. Um abraço fraterno em todos.

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