Arquivo de 08/09/2010

Aceitando a idéia genial do mestre Osvaldo, encaminho petição ao comitê tucanalha paulista e nazi-fascista do Chirico, pedindo a quebra também do meu sigilo fiscal. Só assim saio da malha fina, recebo o que tenho lá retido pelas bandas da Receita e fico em paz, podendo gastar mais, talvez viajando prá Sum Paulo e visitar uns “parenti” na Mooca ou no Bexiga e rever os amigos de infância do careca zoiudo.

Estou devendo ao amigo André a foto do outro candidato do Expresso Disléxico, aquele que junto com o outro, que se apoderou do nome, da foice e do martelo, cairam no colinho tucano. E fizeram um belo ninho. E um belo patrimônio. Depois de mais de 30 anos de vida pública, se eu tivesse “amealhado” R$ 17.000,00 reais eu virava Antônio Conselheiro e ia fundar a minha nação lá no Rubicão.

Não pagaram o pintor. Deram um “xexo” no caboclo. Espia:

 

 

 

KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

UMA PIADA DE CANDIDATO. UMA PIABA !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Cacaso. Direto do Releituras.

Publicado: 08/09/2010 em Poesia

 

Surdina 

Cacaso
(Antônio Carlos Ferreira de Brito)

Primeiro o Tenório Jr.
que sumiu na Argentina
Depois quando perigava
onze e meia da matina
veio a notícia fatal:
faleceu Elis Regina!
Um arrepio gelado
um frio de cocaína!
A morte espreita calada
na dobra de uma esquina
rodando a sua matraca
tocando a sua buzina
Isso tudo sem falar
na morte do velho Vina!
E agora a Clara Nunes
que morre ainda menina!
É demais! Que sina!
A melhor prata da casa
o ouro melhor da mina
Que Deus proteja de perto
a minha mãe Clementina!
Lá vai a morte afinando
o coro que desafina…
Se desse tempo eu falava
do salto da Ana Cristina…

 


Cacaso
(Antônio Carlos Ferreira de Brito) nasceu em Uberaba (MG), no dia 13 de março de 1944. Com grande talento para o desenho, já aos 12 anos ganhou página inteira de jornal por causa de suas caricaturas de políticos. Antes dos 20 anos veio a poesia, através de letras de sambas que colocava em músicas de amigos como Elton Medeiros e Maurício Tapajós. Seu primeiro livro, “A palavra cerzida”, foi lançado em 1967. Seguiram-se “Grupo escolar” (1974), “Beijo na boca” (1975), “Segunda classe” (1975), “Na corda bamba” (1978) e “Mar de mineiro (1982). Seus livros não só o revelaram uma das mais combativas e criativas vozes daqueles anos de ditadura e desbunde, como ajudaram a dar visibilidade e respeitabilidade ao fenômeno da “poesia marginal”, em que militavam, direta ou indiretamente, amigos como Francisco Alvim, Helena Buarque de Hollanda, Ana Cristina Cezar, Charles, Chacal, Geraldinho Carneiro, Zuca Sardhan e outros. No campo da música, os amigos/parceiros se multiplicavam na mesma proporção: Edu Lobo, Tom Jobim, Sueli Costa, Cláudio Nucci, Novelli, Nelson Angelo, Joyce, Toninho Horta, Francis Hime, Sivuca, João Donato e muitos mais. Em 1985 veio a antologia publicada pela Editora Brasiliense, “Beijo na boca e outros poemas”. Em 1987, no dia 27 de dezembro, o Cacaso é que foi embora. Um jornal escreveu: “Poesia rápida como a vida”.

Em 2002 é lançado  o livro “Lero-Lero”, com suas obras completas. 


O poema acima foi extraído do livro “Lero-lero”, Viveiros de Castro Editora (7Letras) – Rio de Janeiro e Cosac & Naif – São Paulo, 2002, pág. 251.