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Arquivo da categoria: No toitiço

Torpedaço do Broda. Eita…

R$ 336 Milhões
O NAVIO QUE NÃO NAVEGA…
Júlia Rodrigues

 

 


Em 7 de maio de 2010, ao lado da sucessora que escolhera e do governador pernambucano Eduardo Campos, o presidente Lula estrelou no Porto de Suape um comício convocado para festejar muito mais que o lançamento de um navio: primeiro a ser construído no país em 14 anos, o petroleiro João Cândido fora promovido a símbolo da ressurreição da indústria naval brasileira. Produzida pelo Estaleiro Atlântico Sul (EAS), incorporada ao Programa de Modernização e Expansão de Frota da Transpreto (Promef) e incluída no ranking das proezas históricas do PAC, a embarcação com 274 metros de comprimento e capacidade para carregar até um milhão de barris de petróleo havia consumido a bolada de R$ 336 milhões – o dobro do valor orçado no mercado internacional.

Destacavam-se na plateia operários enfeitados com adesivos que registravam sua participação no parto de mais uma façanha do Brasil Maravilha. Seria uma festa perfeita se o colosso batizado em homenagem ao marinheiro que liderou em 1910 a Revolta da Chibata não tivesse colidido com a pressa dos políticos e a incompetência dos técnicos. Assim que o comício terminou, o petroleiro foi recolhido ao estaleiro antes que afundasse ─ e nunca mais tentou flutuar na superfície do Atlântico.

O vistoso casco do João Cândido camuflava soldas defeituosas e tubulações que não se encaixavam, além de um rombo cujas dimensões prenunciavam o desastre iminente. Se permanecesse mais meia hora no mar, Lula seria transformado no primeiro presidente a inaugurar um naufrágio. Estacionado no litoral pernambucano desde o dia do nascimento, nem por isso o navio deixou de percorrer o país inteiro. Durante a campanha presidencial, transportado pela imaginação da candidata Dilma Rousseff, fez escala em todos os palanques e foi apresentado ao eleitorado como mais uma realização da supergerente que Lula inventou.

A assessoria de imprensa da Transpetro se limita a informar que não sabe quando o João Cândido vai navegar de verdade. O Estaleiro Atlântico Sul, criado com dinheiro dos pagadores de impostos, não tem nada a dizer. Nem sobre o petroleiro avariado nem sobre os outros 21 encomendados pelo governo. No fim de 2011, o EAS adiou pela terceira vez a entrega do navio. A Petrobras, que controla a Transpetro, alegou que os defeitos de fabricação só podem ser consertados no exterior. PODE??!!

Quando o presidente era Nilo Peçanha, João Cândido comandou uma rebelião que exigia a abolição dos castigos físicos impostos aos marinheiros. Passados 102 anos, Dilma e Lula resolveram castigá-lo moralmente com a associação de seu nome a outro espanto da Era da Mediocridade: depois do trem-bala invisível, o governo inventou o navio que não navega.

 

Coisas do B.B.

Coisas do B.B


Há muito tempo, quando o Banco do Brasil era considerado o maior banco rural do mundo, mantinha em sua Carteira Agrícola um quadro de avaliadores (também conhecidos por “fiscais”) que eram pessoas com conhecimentos na área, contratadas para verificar “in loco” se os pedidos de financiamento estavam em ordem, etc, etc.

Ocorre que nem sempre eram pessoas com bom nível de escolaridade. O que valia era o conhecimento prático. Daí nos relatórios constarem algumas “batatadas” que alguns gaiatos, como não poderia deixar de ser, anotaram para gáudio de todos nós:

- “O sol castigou o mandiocal. Se não fosse esse gigante astro, as safras seriam de acordo com as chuvas que não vieram”.

- “Mutuário triste e solitário pelo abandono da mulher não pode produzir”.

- “Acho bom o Banco suspender o negócio do cliente para não ter aborrecimentos futuros”.

- “Vistoria perigosa. As chuvas pluviais da região inundaram o percurso, que foi todo feito a muito custo”.

- “Mutuário faleceu. Viúva continua com o negócio aberto”.

- “O contrato permanece na mesma, isto é, faltando fazer as cercas que ainda não ficaram prontas”.

- “Foi a vistoria feita a lombo de burro com quase 8 km”.

- “A máquina elétrica financiada era toda manual e velha”.

- “Financiado executou trabalho braçalmente e animalmente”.

- “O curral todo feito a capricho, bem parecendo um salão de baile a fantasia”.

- “Visitamos o açude nos fundos da fazenda e depois de longos e demorados estudos constatamos  que o mesmo estava vazio”.

- “Os anexos seguem em separado”.

- “A lavoura nada produziu. Mutuário fugiu montado na garantia subsidiária”.

- “Era uma ribanceira tão ribanceada que se estivesse chovendo e eu andasse a cavalo e o cavalo   escorregasse, adeus fiscal!”.

- “Tendo em vista que o mutuário adquiriu aparelhagem para inseminação artificial e que um dos touros holandeses morreu, sugerimos que se fizesse o treinamento de uma pessoa para tal função”.

- “Assunto: Cobra. Comunico que faltei ao expediente do dia 14 em virtude de ter sido mordido pela epigrafada”.


(Fonte: anotações diversas de vários funcionários).

 

Atendimento ao público… algumas considerações. À guisa de…

PERFIL.

Perfilado.

Perfilados de alumínio e gente.

Gente com sorriso que abre imensos portões de esperança.

Gente de cara feia.

Sem perfil para…

… atendimento ao público.

Coisa mais difícil. A tal da arte de engolir sapos,

baratas e outros animais da raça humana.

Que no dizer do Poeta caçula e Irmão, cada vez gosto mais dos cães quanto mais conheço os homens.

Invejo os taxistas.

Os donos de fiteiro.

Os vendedores de limão na feira.

Quem tem seu próprio negócio e é dono do seu próprio nariz.

Lembro de um taxista amigo, que possuía um chevette enferrujado e sem ar.

Sempre rejeitado e só nas horas de aperto era disputado.

Fazia ponto na Rua do Futuro, que contradição, bem pertinho do finado Timba.

Defronte ao ap onde morava.

E ele me contou que uma vez, deixou um passageiro em pleno viaduto Cap Temudo, sol de torar, porque o sujeito saiu de lá do Futuro e foi até Joana Bezerra reclamando do chevetão do gordo.

Não teve dúvidas. Rua. Precisa pagar não. Sem Futuro.

Lembrei de hoje. Uma senhora. Com a OAB na mão e um Alvará na outra.

Conhecedora das leis.

E desconhecedora dos bons modos.

Destratando um jovem funcionário, com dois dias de agência e já levando no toitiço , que couro de bancário fica feito couro de sapo ligeirinho.

Nessas horas me vem a imagem dos perfis.

Qual o perfil ideal para se tratar os mal-amados?

Qual o perfil ideal para se conter a arrogância e o abuso de poder?

Qual o perfil ideal para lidar com a falta de caráter?

Qual o perfil ideal para se lidar com gritos?

Qual o perfil ideal para se manter a calma quando se luta com covardia, covardia e covardia?

O silêncio, me responde o jovem aprendiz, que da vida sabe muito e de banco está já saindo, primeiro lugar no MPU. Sai já.

Com o gosto amargo das feridas, mas com a certeza de que mesmo sendo uma senhora, de OAB na mão, a sua sabedoria é maior.

A sua elegância é maior.

E a velha é velha mesmo. Envelhecida pela falta de respeito ao próximo.

Envelhecida pela falta de ideal na vida.

Movida unicamente pela mola do dinheiro, pela mola enferrujada do dinheiro, pelo mau uso do dinheiro.

Dos trinta dinheiros.

Com a OAB na mão.

E nenhum grama de educação.

Qual o perfil?

Torquato Neto…

Cogito

Torquato Neto

eu sou como eu sou
pronome
pessoal intransferível
do homem que iniciei
na medida do impossível

eu sou como eu sou
agora
sem grandes segredos dantes
sem novos secretos dentes
nesta hora

eu sou como eu sou
presente
desferrolhado indecente
feito um pedaço de mim

eu sou como eu sou
vidente
e vivo tranqüilamente
todas as horas do fim.

Nelson Rodrigues…

Muita pretensão minha.

Falar de um monstro sagrado.

O Deus pernambucano, ou deus como queiram. Pernambucarioca da gema se tornou e perturba até hoje o inconsciente coletivo feminino.

Palhares… ah Palhares

Este final de semana me viestes em sonho aterrorizar-me. Sem descanso.

Logo eu que cumpri quase um Sábado à moda judaica/adventista.

Com umas escapudidelas no feissibuki.

De resto , nem álcool, nem libações diversas, nem pensamentos impuros.

Apenas Nelson, na semana internacional da mulher. E que semana.

Vejamos algumas frases famosas de Nelson Rodrigues:

O jovem tem todos os defeitos do adulto e mais um: — o da imaturidade.

- Tudo passa, menos a adúltera. Nos botecos e nos velórios, na esquina e nas farmácias, há sempre alguém falando nas senhores que traem. O amor bem-sucedido não interessa a ninguém.

- Nós, da imprensa, somos uns criminosos do adjetivo. Com a mais eufórica das irresponsabilidades, chamamos de “ilustre”, de “insigne”, de “formidável”, qualquer borra-botas.

- A grande vaia é mil vezes mais forte, mais poderosa, mais nobre do que a grande apoteose. Os admiradores corrompem.

- O brasileiro não está preparado para ser “o maior do mundo” em coisa nenhuma. Ser “o maior do mundo” em qualquer coisa, mesmo em cuspe à distância, implica uma grave, pesada e sufocante responsabilidade.

- Há na aeromoça a nostalgia de quem vai morrer cedo. Reparem como vê as coisas com a doçura de um último olhar.

- Ou a mulher é fria ou morde. Sem dentada não há amor possível.

- O homem não nasceu para ser grande. Um mínimo de grandeza já o desumaniza. Por exemplo: — um ministro. Não é nada, dirão. Mas o fato de ser ministro já o empalha. É como se ele tivesse algodão por dentro, e não entranhas vivas.

- Assim como há uma rua Voluntários da Pátria, podia haver uma outra que se chamasse, inversamente, rua Traidores da Pátria.

- Está se deteriorando a bondade brasileira. De quinze em quinze minutos, aumenta o desgaste da nossa delicadeza.

- O boteco é ressoante como uma concha marinha. Todas as vozes brasileiras passam por ele.

- A mais tola das virtudes é a idade. Que significa ter quinze, dezessete, dezoito ou vinte anos? Há pulhas, há imbecis, há santos, há gênios de todas as idades.

- Outro dia ouvi um pai dizer, radiante: — “Eu vi pílulas anticoncepcionais na bolsa da minha filha de doze anos!”. Estava satisfeito, com o olho rútilo. Veja você que paspalhão!

- Em nosso século, o “grande homem” pode ser, ao mesmo tempo, uma boa besta. 

- O artista tem que ser gênio para alguns e imbecil para outros. Se puder ser imbecil para todos, melhor ainda.

- Toda mulher bonita leva em si, como uma lesão da alma, o ressentimento. É uma ressentida contra si mesma.

- Acho a velocidade um prazer de cretinos. Ainda conservo o deleite dos bondes que não chegam nunca.

- Chegou às redações a notícia da minha morte. E os bons colegas trataram de fazer a notícia. Se é verdade o que de mim disseram os necrológios, com a generosa abundância de todos os necrológios, sou de fato um bom sujeito.

 Agora em contraponto a estas frases e tantas outras que estão em nossas memórias, falemos de Palhares, ou melhor leiamos Millor:

 

MILLOR FERNANDES

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Há alguns anos recebi esta carta comovida, procurando desfazer “equívoco” sobre conhecido personagem de Nelson Rodrigues: “Palhares, o cunhado canalha” (como se todos não fossem). Não publiquei a carta achando que podia ser apócrifa. Mas hoje, quando a internet consagrou a apocrifidade (Houaiss), botando nosso nome em artigos alheios e textos alheios com nosso nome, aqui vai a carta.

Rio de Janeiro, 20 de outubro de 1999. Caríssimo amigo,

 

Ao vê-lo, participando de almoço com José Lino Grünewald e Pedro do Couto, vieram lembranças de meu passado, quando ia com minha mãe ao seu estúdio. E voltou a culpa, por fato ignorado por todos, não fosse a versão feita pela pena mágica de Nelson Rodrigues.

A repercussão dessa versão causou o martírio de um inocente, admirável criatura que, devido a ocorrência da qual participei, foi lançada à execração pública, pecha da qual, por cavalheirismo, jamais se defendeu.

Agora pretendo revelar o que ocorreu na tarde fatídica, a partir da qual um homem de caráter sem jaça virou paradigma da abjeção, canalha que não respeitava nem as cunhadas.

Se não lembra: sou Nanete, filha de Isaura Nogueira Sande, que o conheceu quando era rapaz, mas já conhecido jornalista. Eu era uma figura juvenil, tipo “mignon”, corpo de curvas tentadoras, o que atraía o olhar de gula dos homens.

“Bem-feita”, para os respeitosos, “gostosa”, quando passava na rua. Clara, alourada, era em meu olhar que as pessoas identificavam minha sensualidade.

Minha mãe percebeu logo meu poder de atração e me mantinha reclusa, me escondendo em vestidos enormes, que escondiam meu corpo. Roupa justa, nem pensar. Mas foram esses cuidados que ativaram em mim a arte da sedução que passei a exercitar sempre, excitando o interesse masculino, onde quer que estivesse. E eu estava no auge quando Ofélia, minha irmã, e Palhares se casaram.

Do meu cunhado recordo sempre o carinho fraternal mas também o distanciamento respeitoso. Sempre se esquivava de beijos e abraços. Era desligado de tudo que não fosse sua devoção a Ofélia. Isso, claro, excitava minha vaidade.

Depois os dois foram morar em nossa casa, no quarto antes de meus pais, ao fundo do corredor do andar superior. Os quartos tinham porta de comunicação, mantida fechada, mas com bandeiras, com vidros nunca colocados. Em conseqüência, toda noite os sons da faina amorosa emprenhavam meus ouvidos. Minha imaginação tirava Ofélia dos braços de Palhares e punha-me, sôfrega, em seu lugar.

Então cruzamos no estreito corredor que dava acesso aos quartos. O espaço de passagem estreitava, no meio, por uma velha arca. Se duas pessoas saíssem das extremidades do corredor, uma devia esperar a outra ultrapassar a arca. Interagiram então a distração dele e o meu oportunismo.

Logo escorregávamos um sobre o outro. O rápido contato ateou em mim o incêndio. Palhares, no entanto, sem mostrar emoção, só pedia desculpas por me atrapalhar. Inocente Palhares!

Passei a forçar o encontro. Na passagem, eu forçava a lentidão. Em Palhares havia, de início, apenas espanto. Mas logo ligeiro rubor coloria a morenice de seu rosto. Até aparecer a cumplicidade do pijama que se avolumava e escorregava por minhas coxas, e semipenetrava minhas costas, que lhe oferecia, sentindo-o percorrer as duas metades da topografia de minhas carnes implorando pela continuidade da ação.

Tudo sem diálogo. Apenas a respiração se apressava. A audição, entretanto, desaparecia. O que só percebemos na tarde sinistra. Não ouvimos os passos de Ofélia subindo a escada. E ela surgiu no corredor no exato instante em que, impulsionada pelo desejo incoercível, enlacei Palhares e pespeguei o beijo arquitetado na loucura da longa espera.

Mas o que Ofélia viu, naturalmente, foi a fúria do Palhares, estuprando a irmãzinha indefesa. Seus gritos mobilizaram toda a casa. Acorreram minha mãe, dois primos em visita e as duas empregadas, todos testemunhas da ação infame do cunhado canalha.

Mas Palhares permaneceu calado, não esboçou nenhuma defesa, o que fez dele, aos olhos de toda a família, um sátiro homérico (coisa do Nelson). Apenas minha mãe via a cena com outros olhos. Enquanto Palhares era escorraçado pela porta da rua, ela fixava em mim olhar inequivocamente reprovador. Mas nada disse. Ofegava como em suas piores crises. Meses depois morria.

Daí vivi o tormento de lidar com minha culpa. Minha mãe morta, sem ter-me dado perdão, Palhares, o inocente, enxovalhado, e eu, causa de toda a tragédia, protegida pela piedade de todos. Tanto se falou na família, na rua, no bairro, da abjeção de Palhares que a coisa chegou aos ouvidos de Nelson, que logo o consagrou como “Palhares, o canalha que não respeita nem as cunhadas”.

Hoje, prezado amigo, já fenecidos meus encantos, restrinjo minha vida ao lar e à família. Já sou avó, mas não encontro alívio para o peso em minha consciência. Por você suplico a todos que façam justiça, com a divulgação desta minha confissão.

Espero, caro, contar com a sua compreensão por esta minha ousadia. Antecipo minha gratidão pela recuperação do caráter e, quem sabe, da alma do Palhares. Que morreu em junho do ano passado. Fui ao enterro, disfarçada pela idade.

 

Nanete Nogueira Sande

 



A prostituta só enlouquece excepcionalmente. A mulher honesta, sim, é que, devorada pelos próprios escrúpulos, está sempre no limite, na implacável fronteira.

Nelson Rodrigues

E o vídeo. Muito bom:

Automovelcracia III. Eduardo Galeano.

Automovelcracia III: O anjo exterminador

 

Em 1992 houve um plebiscito em Amsterdã. Os habitantes desta cidade holandesa decidiram reduzir à metade o espaço, já bastante limitado, ocupado pelos automóveis. Três anos mais tarde, foi proibido o trânsito de carros particulares em todo o centro da cidade italiana de Florença, proibição essa que incluirá a cidade inteira à medida que se multipliquem os bondes, as linhas de metrô, os calçadões e os ônibus. Além, é claro, das ciclovias: dentro de pouco tempo será possível atravessar toda a cidade sem riscos, pedalando num meio de transporte que custa pouco, não gasta nada, não invade o espaço humano nem envenena o ar.

Enquanto isso, um relatório oficial confirmava que os automóveis ocupam um espaço bem maior do que as pessoas na cidade norte-americana de Los Angeles, mas lá ninguém pensou em cometer o sacrilégio de expulsar os invasores.

A quem pertencem as cidades? – Amsterdã e Florença são exceções à regra universal de usurpação. O mundo foi motorizado velozmente, à medida que as cidades e as distâncias cresceram, e os meios de transporte público abriram caminho para o automóvel particular. O presidente francês Georges Pompidou exaltou esse movimento dizendo que “é a cidade que precisa se adaptar aos automóveis e não o inverso”. Mas suas palavras ganharam um sentido trágico quando foi revelado que as mortes por poluição na cidade de Paris aumentaram brutalmente durante as greves do final do ano passado: a paralisação do metrô multiplicou as viagens de automóvel e esgotou os estoques de máscaras antipoluentes.

Na Alemanha, em 1950, trens, ônibus, metrôs e bondes transportavam três quartos da população; hoje, levam menos de um quinto. A média européia caiu para 25%, o que ainda é muito se comparado aos Estados Unidos, onde o transporte público atinge apenas 4% do total. Henry Ford e Harvey Firestone eram amigos íntimos, e ambos se davam extremamente bem com a família Rockefeller. Essa afeição recíproca desembocou numa aliança de influências que esteve diretamente relacionada com o desmantelamento das linhas de trens e a criação de uma vasta rede de estradas, em todo o território norte-americano. Com o passar dos anos, nos Estados Unidos e no mundo inteiro, tornou-se cada vez mais esmagador o poder dos fabricantes de automóveis e de pneus,e dos industriais do petróleo. Das sessenta maiores empresas do mundo, metade pertence a esta santa aliança ou está de alguma forma ligada à ditadura das quatro rodas.

Dados para um prontuário – Os direitos humanos terminam onde começam os direitos das máquinas. Os automóveis emitem impunemente um coquetel de substâncias assassinas. A intoxicação do ar é espetacularmente visível nas cidades latino-americanas, mas é bem menos notada em algumas cidades do Norte do mundo.A diferença é explicada, em grande parte, pelo uso obrigatório dos catalisadores e da gasolina sem chumbo. No entanto, a quantidade tende a anular a qualidade, e esses progressos tecnológicos vão perdendo seu impacto positivo diante da proliferação vertiginosa do parque automotivo, que se reproduz como se fosse formado por coelhos.

Visíveis ou dissimuladas, reduzidas ou não, as emissões venenosas formam uma extensa lista criminosa. Para dar apenas três exemplos, os técnicos do Greenpeace denunciaram que é dos automóveis que provém mais da metade do total do monóxido de carbono, do óxido de nitrogênio e dos hidrocarbonetos, que tão eficientemente contribuem para a destruição do planeta e da saúde humana. “A saúde não é negociável. Chega de meios-termos”, declarou o responsável pelo setor de transportes de Florença, no início do ano. Mas em quase todo o mundo, parte-se do princípio de que é inevitável que o divino motor, em plena era urbana, seja o eixo da vida humana.

Copiamos o que há de pior – O ruído dos motores não deixa ouvir as vozes que denunciam o artifício de uma civilização que te rouba a liberdade para depois vendê-la, e que te corta as pernas para te obrigar a comprar automóveis e aparelhos de ginástica. Impõe-se no mundo, como único modelo possível de vida, o pesadelo de cidades onde os carros mandam, devoram as zonas verdes e se apoderam do espaço humano. Respiramos o pouco de ar que eles nos deixam; e quem não morre atropelado sofre de gastrite por causa dos engarrafamentos.

As cidades latino-americanas não querem se parecer com Amsterdã ou Florença, e sim com Los Angeles, e estão conseguindo se transformar numa horrorosa caricatura daquela vertigem. Levamos cinco séculos de treinamento para copiar em vez de criar. Já que estamos condenados à copiandite, poderiamos escolher nossos modelos com um pouco mais de cuidado. Anestesiados pela televisão, publicidade e cultura de consumo, engolimos a história/estória da chamada modernização, como se essa brincadeira de mau gosto e humor negro fosse o abracadabra da felicidade.

 

Automovelcracia. Parte II. Eduardo Galeano.

A Automovelcracia II: A liturgia do divino motor.

Com o deus de quatro rodas acontece aquilo que costuma acontecer com os deuses: nascem a serviço das pessoas, mágicos conjuros contra o medo e a solidão, e acabam pondo as pessoas a seu serviço. A religião do automóvel, que tem seu vaticano nos Estados Unidos da América, tem o mundo de joelhos a seus pés.

Seis, seis, seis – A imagem do Paraíso: todo norte-americano possui um carro e uma arma de fogo. Os Estados Unidos detém a maior concentração de automóveis e também o mais numeroso arsenal de armas num único país, os dois negócios básicos da economia nacional. Seis, seis, seis: de cada seis dólares gastos pelo cidadão médio, um é consagrado ao automóvel; de cada seis horas de vida, uma é dedicada a viajar de carro ou a trabalhar para pagá-lo; e de cada seis empregos, um está direta ou indiretamente ligado ao automóvel, e outro está direta ou indiretamente ligado à violência e suas indústrias.

Quanto mais gente os automóveis e as armas assassinarem, e quanto mais natureza eles destruírem, mais crescerá o Produto Interno Bruto. Como bem diz o pesquisador alemão Winfried Wolf, em nosso tempo, as forças produtivas transformaram-se em forças destrutivas. Talismãs contra o desamparo ou convites ao crime? A venda de carros é simétrica à venda de armas, e bem se poderia dizer que faz parte dela: os acidentes de trânsito matam e ferem, a cada ano, mais norte-americanos do que todos os norte-americanos mortos e feridos ao longo da Guerra do Vietnã, e a carteira de motorista é o único documento necessário para qualquer um comprar uma metralhadora, e com ela cozinhar à bala toda a vizinhança.

A carteira de motorista não é apenas usada para estes fins; ela também é imprescindível para pagamentos com cheques ou para sacá-los, para fazer um trâmite burocrático ou para assinar um contrato. Nos Estados Unidos, a carteira de motorista serve como documento de identidade. Os automóveis outorgam identidade às pessoas.

Os aliados da democracia – O país conta com a gasolina mais barata do mundo, graças aos presidentes corruptos, aos xeques de óculos escuros e aos reis de opereta que se dedicam a malvender petróleo, a violar direitos humanos e a comprar armas norte-americanas. A Arábia Saudita, por exemplo, que aparece nos primeiros lugares das estatísticas internacionais pela riqueza de seus ricos, pela mortalidade de suas crianças e pelas atrocidades de seus verdugos, é o principal cliente da indústria norte-americana de armas.

Sem a gasolina barata fornecida por estes aliados da democracia, o milagre não seria possível: nos Estados Unidos, qualquer um pode ter um carro e muitos podem trocá-lo freqüentemente. E se o dinheiro não for suficiente para o último modelo, já estão à venda aerosóis que dão aroma de nova àquela velharia comprada três ou quatro anos antes, àquele autossauro.

Dizes que carro tens e eu te direi quem és e quanto vales. Esta civilização que adora carros tem pânico da velhice: o automóvel, promessa de juventude eterna, é o único corpo que pode ser trocado.

A gaiola – A esse outro corpo, o de quatro rodas, é dedicada a maior parte da publicidade na televisão, a maior parte das horas de conversa e a maior parte do espaço das cidades. O automóvel dispõe de restaurantes para se alimentar de gasolina e óleo, e tem a seu serviço farmácias para comprar remédios, hospitais para ser examinado, diagnosticado e curado, dormitórios para dormir e cemitérios para morrer.

Ele promete liberdade às pessoas; por alguma razão as estradas são chamadas de freeways, caminhos livres, e no entanto atua como uma gaiola ambulante. O tempo de trabalho humano foi reduzido em pouco ou nada, e porém ano após ano aumenta o tempo necessário para ir e voltar ao trabalho, devido ao trânsito atolador, que nos obriga a avançar penosamente e às cotoveladas.

Vive-se dentro do automóvel e ele não larga do nosso pé. Drive by shooting sem sair do carro, à toda velocidade, pode-se apertar o gatilho e disparar a esmo, como está em voga nas noites de Los Angeles. Drive thru teller, drive by eating, drive in movies: sem sair do carro pode-se sacar dinheiro do banco, comer hambúrgueres e assistir a um filme. E sem sair do carro pode-se contrair matrimônio, drive in marriage: em Reno, Nevada, um casal passa com o seu automóvel por baixo de arcadas de flores de plástico; numa janelinha aparece a testemunha e na outra o pastor, que os declara marido e mulher, bíblia nas mãos e, na saída, uma funcionária ornamentada de asas e auréola entrega a certidão de casamento e recebe a gorjeta, chamada de love donation.

O automóvel, corpo renovável, tem mais direitos que o corpo humano, condenado à decrepitude. Os Estados Unidos da América empreenderam, nestes últimos anos, a guerra santa contra o demônio do fumo. Nas revistas, a publicidade dos cigarros aparece atravessada por obrigatórias advertências à saúde pública. Os anúncios advertem, por exemplo: “A fumaça do cigarro contém monóxido de carbono”. Mas nenhum anúncio de automóveis adverte que muito mais monóxido de carbono contém a fumaça dos automóveis. As pessoas não podem fumar. Os carros, sim.

Automovelcracia. Eduardo Galeano em 3 atos.

Automovelcracia: o carro domina nossa razão e nossa emoção

Sequestro dos fins pelos meios: o supermercado o compra, o televisor lhe assiste, o automóvel o dirige. Os gigantes que fabricam automóveis e combustíveis, negócios quase tão rentáveis quanto armas e drogas, convenceram-nos de que o motor é o único prolongamento possível do corpo humano. Em nossas cidades, submetidas à ditadura do automóvel, a grande maioria das pessoas não tem outra alternativa a não ser pagar para viajar, como sardinhas em lata, num transporte público destrambelhado e insuficiente.

A sociedade de consumo, oitava maravilha do mundo, décima sinfonia de Beethoven, impõe-nos sua simbologia de poder e sua mitologia de ascensão social. “O carro é seu melhor amigo”, informa um anúncio. A vertigem sobre rodas o fará feliz: “Viva uma paixão!”, oferece outro anúncio. A publicidade o convida para entrar na classe dominante acessando a chavinha mágica que liga o motor: “Imponha-se!”, ordena a voz que dita as ordens do mercado, e também: “Demonstre que você tem personalidade!”. E, se não me falha a memória da infância, se você colocar um tigre no tanque, você será o mais rápido e o mais poderoso de todos, e passará por cima de quem atrapalhar o seu caminho em direção ao sucesso.

A linguagem fabrica a realidade ilusória que a publicidade precisa para vender seus produtos. Mas ocorre que, na realidade real, os instrumentos criados para multiplicar a liberdade contribuem para nos encarcerar. O carro, essa máquina de ganhar tempo, devora o tempo humano. Nascido para nos servir, coloca-nos a seu serviço: ele nos obriga a trabalhar mais e mais horas para poder alimentá-lo, rouba nosso espaço e envenena nosso ar.

Em nome da liberdade de empresa, da liberdade de circulação e da liberdade de consumo, o ar urbano tornou-se irrespirável. O carro não é o único culpado pela agressão cotidiana ao ar no mundo, mas é quem mais diretamente ataca os habitantes das cidades. As ferozes descargas de chumbo que se enfiam no sangue, agredindo os nervos, o fígado e os ossos, têm efeitos devastadores principalmente no hemisfério sul, onde não são obrigatórios os catalizadores nem a gasolina purificada. Conforme denunciam os ecologistas, em Santiago do Chile, cada criança que nasce aspira o equivalente a sete cigarros diários e uma em cada quatro crianças sofre de alguma forma de bronquite.
O que é a ecologia? Um táxi pintado de verde?

Na Cidade do México, os táxis pintados de verde são chamados de táxis ecológicos e chamam-se de parques ecológicos as poucas árvores de cor doentia que sobrevivem ao assédio dos carros. Numa publicação oficial, as autoridades da capital mexicana difundiram alguns conselhos ecológicos que parecem ter sido inspirados pelos mais sombrios profetas do apocalipse.

A Comissão Metropolitana de Prevenção e Controle da Contaminação Ambiental recomenda textualmente aos habitantes da cidade que “permaneçam o menor tempo possível ao ar livre, mantenham fechadas portas e janelas e não pratiquem exercícios das 10 às 16 horas” nos dias muito poluídos, que são quase todos.

Segundo relatam os estudiosos de antiguidades gregas. a cidade nasceu como um lugar de encontro das pessoas. Há espaço para as pessoas nestas imensas garagens? Pouco antes da publicação desses conselhos ecológicos, saí caminhando pelas ruas da Cidade do México. Andei quatro horas entre motores que rugiam. Sobrevivi. Meus amigos me deram boas-vindas emocionados, mas me recomendaram um bom psiquiatra.

Os automóveis matam uma multidão, a cada ano, no mundo inteiro. Em muitos países, as estatísticas são duvidosas, ou inexistentes ou não estão atualizadas. As últimas estimativas globais disponíveis (do Worldwatch Institute, de Washington) indicam que mais de 250 mil pessoas morreram em acidentes de trânsito em 1985. Nem a guerra do Vietnã matou tanta gente em apenas um ano.

No mundo inteiro, o trânsito é a primeira causa de morte entre os jovens, acima de qualquer doença, droga ou crime. Uma enorme campanha internacional de propaganda, com nuances francamente terroristas, adverte diariamente aos jovens sobre os riscos do sexo em tempos de Aids. Por que não fazer uma campanha semelhante acerca dos perigos do automóvel? A carteira de motorista equivale à licença de porte de armas?

Andar de bicicleta pelas ruas das grandes cidades latino-americanas, que não têm ciclovias, é a forma mais prática de se suicidar. Nos países do sul do planeta, onde as normas existem para serem violadas, há muito menos carros do que nos países do norte, porém matam muito mais.

Porque os latino-americanos que não têm nem terão carro próprio – a imensa maioria não pode nem poderá comprá-lo – continuam condenados a aguardar nas esquinas, sem outro remédio a não ser esperar os escassos ônibus? Por que não abrir, antes que se já tarde, ciclovias protegidas nas avenidas e ruas principais?

Os carros não votam, mas os políticos têm pânico de provocar-lhes o mínimo desgosto. Nenhum governo latino-americano atreveu-se a desafiar o poder motorizado. É verdade que recentemente Cuba se encheu de bicicletas, mas isso não aconteceu durante os trinta e tantos anos de revolução. A bicicleta aparece maciçamente em Cuba quando não há outro remédio, porque não sobra uma gota de petróleo: não como uma alegria desfrutável, mas como uma calamidade inevitável.

Nem sequer as revoluções, às quais ninguém poderia negar o desejo de mudança, propuseram-se a pôr em prática esta singela maneira de diminuir a dependência das onipotentes empresas que dominam o negócio do transporte e do petróleo no mundo. Não existe pior colonialismo do que aquele que nos conquista o coração e nos apaga a razão.

ZAZ. Torpedaço de Ana Luiza. Será o sexta-feira som? E arroi…

É toitiço essa ZAZ. O cara do celo , ou será baixo, ou violoncelo , que danado é isso João Carlos de Mendonça?
Não conhecia a moça , mas lembrou o começo de Chico Science.
Cantadores e tocadores de rua me fascinam.
Será este o meu fim?
Em plena ponte Duarte Coelho?
AMÉM !!!!!!!!!!!!!!!!!!

A pedidos:

Moça. Caetano Veloso ressuscita Wando…

… que lá do Hubble agradece. Moço aos 66 anos levitado. Eita a moça ficou por aqui… também envelheceu:

Construtivismo. Por Heinz von Foerster.

Para Edgar Mattos

” O homem não tem uma natureza, mas uma história.

   O homem não é um objeto, mas um drama.

   Sua vida é algo a ser escolhido, inventado ao longo de sua trajetória,

   e um ser humano é fruto dessa escolha e invenção.

   Cada ser humano é seu próprio romancista e , embora 

   podendo optar entre ser um escritor original ou um plagiarista,

   não pode escapar da escolha…

   Ele está condenado a ser livre.”

Boa Viagem está ganhando. Edgar, Magna e Tadeu , vamos?

 

André, João e Arsênio votaram. Magna mora em BV. Eu não voto.

O voto de Edgar vale por cem. Mas ele quer sossego e tempo. E eu voto com o relator.

Em BV teremos tudo isso. Tempo livre para prosear, petiscar, água de coco, água que o passarinho não bebe.

Conversas e conversas.

Prosas e poesias.

Que tal Magna, Tadeu e Edgar: Vamos?

O meu voto é o voto de vocês.

Alui, ou aluei?

Sei não só sei que foi assim.

E já estou salivando.

Um chopps e dois pastel.

E tim-tim.

 

Se avexe não. Torpedaço de Magna Santos. O Fusca vai se salvando. Amém.

Obrigado. A todos.

Indistivamente.

João Carlos disse tudo: O Fusca é de todos.

Obrigado. A todos.

E mais não digo.

O cabra já levitou. O Autor desta música. Uma jóia rara:

Família em primeiro lugar. E de primeira. No Toitiço e Amém.

A SIMPLESMENTE. SEM ASPAS. MAIÚSCULO. COM MÉRITOS.

A de ATITUDE.

A de AMOR.

A de AÇÃO.

A de ACESSO.

A de AMIZADE.

A de ASCENSÃO.

A de APRIMORAMENTO.

A de NÁUTICO POHA !!!!!!!!!!!

O SOL QUE GIRASSOL.

De Girassóis fomos feitos na maneira como cada um chega no mundo.
De Girassóis partiremos na maneira como cada um sai deste mundo.
De Girassóis vivemos em cada estação, nos renovando em amor, quedas, martírios e felicidades.
De Girassóis fazemos a festa até a última pétala… até o último raio… de sol.
De Girassóis vive a minha esperança do perdão do poeta, do imenso perdão e da grande paz. Porque no final, é tudo que nos resta. Uma imensa paz e um grande perdão.
De Girassóis então viva esta sexta-feira, de perdão e de poesia. Além do pão que nos une homens/irmãos nesta família que ocupa um único vão chamado Terra.
De Girassóis partem as minhas retinas pela luz imensa de todos os que amo. Quero beber mais dessa luz pois é dela que me nutrirei quando a fadiga e o sono da consciência me alcançar, ainda me renovando na tarefa de ser humano… incompleto:

O GIRASSOL. A MÚSICA. A POESIA QUE ME FAZ QUERER VOLTAR A SER GRÃO E COMEÇAR TUDO DE NOVO DENTRO DO MESMO ESPAÇO. DA MESMA VIDA. É POSSÍVEL? AMEMOS POIS:

Ivinho. Genial.

Belo vídeo produzido por Fred Caminha. Ivinho no Festival de Jazz de Montreaux em 1978.Arrebentando com sua viola de 12 cordas, com um baita buraco e adivinhem : Macca escutando no auditório. Uma pena:- esse moço anda pelas ruas do Recife um pouco aéreo. Mas ele é de Yellow House, mas precisamente da Vila dos Comerciários. Diz aí João Carlos. O cara tocava muito. Acho que ainda toca , não sei.

 

Torpedaço de João Carlos. Homenagem a Edgar Mattos.

Para o nosso querido Edgar Mattos. Esse texto é uma aula para refletirmos sobre a nossa Educação.

MAIS UMA BOA AÇÃO DA FAMOSA PROFESSORA DO RN
A professora Amanda Gurgel, do Rio Grande do Norte, acaba de emplacar mais uma aula de compromisso com a luta por uma educação de qualidade. A educadora que há alguns meses fez um pronunciamento para deputados do RN criticando a falta de prioridade dos governos para com a educação, agora lecionou nova aula de críticas à classe empresarial.
Amanda Gurgel foi escolhida pela classe empresarial para receber o prêmio PNBE (Pensamento Nacional das Bases Empresariais). A premiação é uma das maiores do País e é destinada a personalidades ligadas a defesa de várias categorias no Brasil. A professora negou o prêmio alegando que sua luta seria outra.
Confira abaixo a carta de recusa da educadora e saiba por qual motivo o cobiçado prêmio foi negado por ela.
Natal, 02 de julho de 2011
Prezado júri do 19º Prêmio PNBE,
Recebi comunicado notificando que este júri decidiu conferir-me o prêmio de 2011 na categoria Educador de Valor, “pela relevante posição a favor da dignidade humana e o amor a educação”. A premiação é importante reconhecimento do movimento reivindicativo dos professores, de seu papel central no processo educativo e na vida de nosso país. A dramática situação na qual se encontra hoje a escola brasileira tem acarretado uma inédita desvalorização do trabalho docente. Os salários aviltantes, as péssimas condições de trabalho, as absurdas exigências por parte das secretarias e do Ministério da Educação fazem com que seja cada vez maior o número de professores talentosos que após um curto e angustiante período de exercício da docência exonera-se em busca de melhores condições de vida e trabalho..
Embora exista desde 1994 esta é a primeira vez que esse prêmio é destinado a uma professora comprometida com o movimento reivindicativo de sua categoria. Evidenciando suas prioridades, esse mesmo prêmio foi antes de mim destinado à Fundação Bradesco, à Fundação Victor Civita (editora Abril), ao Canal Futura (mantido pela Rede Globo) e a empresários da educação. Em categorias diferentes também foram agraciadas com ele corporações como Banco Itaú, Embraer, Natura Cosméticos, McDonald’s, Brasil Telecon e Casas Bahia, bem como a políticos tradicionais como Fernando Henrique Cardoso, Pedro Simon, Gabriel Chalita e Marina Silva.
A minha luta é muito diferente dessas instituições, empresas e personalidades. Minha luta é igual a de milhares de professores da rede pública. É um combate pelo ensino público, gratuito e de qualidade, pela valorização do trabalho docente e para que 10% do Produto Interno Bruto seja destinado imediatamente para a educação. Os pressupostos dessa luta são diametralmente diferentes daqueles que norteiam o PNBE.
Entidade empresarial fundada no final da década de 1980, esta manteve sempre seu compromisso com a economia de mercado. Assim como o movimento dos professores sou contrária à mercantilização do ensino e ao modelo empreendedorista defendido pelo PNBE. A educação não é uma mercadoria, mas um direito inalienável de todo ser humano. Ela não é uma atividade que possa ser gerenciada por meio de um modelo empresarial, mas um bem público que deve ser administrado de modo eficiente e sem perder de vista sua finalidade.
Oponho-me à privatização da educação, às parcerias empresa-escola e às chamadas “organizações da sociedade civil de interesse público” (Oscips), utilizadas para desobrigar o Estado de seu dever para com o ensino público. Defendo que 10% do PIB seja destinado exclusivamente para instituições educacionais estatais e gratuitas. Não quero que nenhum centavo seja dirigido para organizações que se autodenominam amigas ou parceiras da escola, mas que encaram estas apenas como uma oportunidade de marketing ou, simplesmente, de negócios e desoneração fiscal.
Por essa razão, não posso aceitar esse Prêmio. Aceitá-lo significaria renunciar a tudo por que tenho lutado desde 2001, quando ingressei em uma Universidade pública, que era gradativamente privatizada, muito embora somente dez anos depois, por força da internet, a minha voz tenha sido ouvida, ecoando a voz de milhões de trabalhadores e estudantes do Brasil inteiro que hoje compartilham comigo suas angústias históricas. Prefiro, então, recusá-lo e ficar com meus ideais, ao lado de meus companheiros e longe dos empresários da educação.
Saudações,
Professora Amanda Gurgel.

Aritmética de uma amizade.

Para o broda João Carlos de Mendonça.

Não é que eu fico “incrível” quando começo a passar um olhar sobre os teus Sábados Som, que terminaram ficando também nossos, tua sabedoria e sensibilidade de domínio público? Tua generosidade que agiganta o Fusca, que o faz melhor a cada Sábado Som, a cada comentário.

Tens aqui um livro. Tens aqui outro livro. De comentários.

Mas quero falar de outra coisa.

Que também pulsa no lado esquerdo do peito.

Que já foi motivo de tese defendida com galhardia por João.

A distância os amigos se mantêm. Mesmo que via Web. Mesmo que via Fusca. Não importa.

Não mesmo.

O título poderia ser o post. O post é o título e poderia terminar aqui que o meu recado para João estaria findo e eu descansaria em paz.

O blog é novo. É um menino sendo conduzido por um cinquentão. Já passou por crises tendo como principal motivo o Timba. O nosso querido CNC.

E pelas arengas, pelo vai não vai (com ou sem hífen?) o Fusca quase aderna. Quase…

Nessas horas o auxílio luxuoso de João me fez tecer essas linhas e mais essas:

1. Quando está alegre a sua alegria não interfere na alegria do outro. Sabe medir-se pela sua própria virtude e participa com sua amizade na exata medida que o amigo pode entender, compreender e ser compreendido. Sua alegria não atravessa o enredo, nem o samba.

2. Não importa se está com um ou mil problemas. Sabe medir-se também pela sua virtude imensa e não deixa que sua preocupação atinja o amigo. Nâo atravessa o seu próprio samba. Abdica do direito de externar a dor para que não soframos com ele. É nobre. Não sei ser assim. Gostaria que ele fosse de outro jeito? Não. João é João. Único e indivisível. Embora múltiplo.

3. Analisa com a ciência que estudou e com o academicismo da vida. Sem floreios. Sem retóricas vazias. É cheia a sua verve do que há de mais valioso nesta vida: a compaixão.

4. Nâo se deixa pavonear pelos elogios. É brilhante. Porém não se faz de rogado e embora humilde, também não faz uso da humildade para nada, pois ele existe assim e é muito maior do que qualquer elogio.

5. Pacifica. Não um Conselho Deliberativo. Isso é obra de políticos. João não é um político no sentido inútil e esnobe da palavra/conceito. Pacifica, o verbo, é o sentido humano da arte de adequar opiniões, contratempos, nuvens, sombras e trazer à luz a verdade. Pacificar um pequeno bosque/arvoredo que é o dia a dia de um blog. O que seria deste blog inútil como diria Fernando Pessoa? Como são inúteis todas as cartas de amor? Se não houvesse a sua demonstração quase que diária de que a paz se faz também pela palavra. Que a palavra pode nos fazer sorrir e que o sorriso é terapeutico, cura, desanuvia, nos faz melhores, mais leves, mais humanos e felizes. Sim, a palavra lançada uma a uma por João, ao longo desses quases dois anos , foram formando um dicionário de acordes. Uma sinfonia. Uma obra prima. Que é uma honra dividida por todos e para todos.

6. João não é chegado a elogios e sei bem disso. Talvez este post o incomode um pouco. Não é o meu objetivo. Me movo por gratidão. Pura e simples. Me tornei um ser humano melhor graças ao seu convívio. Um telefonema fantástico numa tarde morna virou uma noite com sol! A Internet tem sido a nossa mesa de bar, nossa cachaça e apenas uma vez pude lhe dar um abraço, um aperto de mãos, posar para um foto e foi na festa do meu aniversário. Presente triplo. Mega-sena.

7. João , que como ele mesmo testifica, já foi da noite. Hoje dorme cedo. Outra lição intrigante. Tento, mas minha crônica insônia me coloca frente a frente ou melhor “frontalmente” com o Frontal. E ele é o meu Pastor. Durmo tarde, mal, a custa de um comprimido laranja. João dorme cedo e acorda com a alvorada e sai para as suas corridas e caminhadas e isso é outra lição de vida. Estou aprendendo com ele.

8. O Fusca, hoje muito melhor em parte  graças ao seu auxílio luxuoso, já teria parado. Teria, mas continua firme. Ladeira acima. Turbinado. Graças aos empurrões. Poucos e preciosos e honestos puxões de orelhas. Sem firulas. João , quando “preciso” vai de canela mesmo, que o jogo é de campeonato. Mas vai. Não se omite. É mais que um jogador. Vale pela camisa doze também.

9. Eu disse muito. E talvez não tenha dito nem o quase, que dirá o suficiente. Mas é assim broda João Carlos de Mendonça, que lhe presto uma humilde homenagem, numa segunda-feira de sol, de trânsito modificado, de férias, indo para a Jaqueira, mas carregando o amigo no lado esquerdo do peito.

10. Forever Young mister Johnny B. Good. Forever Young. Se existisse uma expressão em inglês, no meu inglês analfabético seria essa. Tema de música, leme de vida, mote de poema, marca de um amigo.

Um grande abraço

Domingos Sávio

Carlito Maia. Sempre. Foi ontem.

ABeCeDário
(Frases)

Carlito Maia
A – Z, Julho 1989


A Ilha da Solidão é cercada de mágoa por todos os lados. Eros aniquilado, Thanatos reina sobre o Nada.

Brasília, urgente: queremos eleger um verdadeiro Presidente!

Chaplin, há 10 anos, e o Chê, há 20: santos se transformam em religião.

“Deus seja louvado” (está escrito nas notas de quinhentos). Pois lhes cairia melhor um “Deus nos perdoe”.

Evite acidentes: faça tudo de propósito.

Faço até o que não gosto, mas o que eu não quero eu não faço.

Gravata: deixei de usar porque sentia um nó na garganta.

Homem está em falta. Machão tem a dar com pau.

Itália: a democracia melhor do mundo! (Amor Pertini.)

Justiça será feita quando o justiçado puder dizer como deve ser feita a justiça.

Karl Marx combatia o capital; Lafargue, seu genro, era contra o trabalho. Família ideal, gente do baralho.

Liberdade sexual é foda.

Meta o pau na camisinha. Faço como a galinha: cuide bem do seu pintinho.

Não leve a mal: vim ao mundo a passeio, não em viagem de negócios.

Olívia, amostra grátis do céu, Musa do Terceiro Milênio. Eu te adoro, neta primeira e única.

PT: estrela vermelha, astral azul. A luz no fim do túnel. Pura Tesão.

Quando me fecham as saídas, escapulo pelas entradas.

Rio de Vaneio: é alto demais o preço do mar e da montanha.

Suicíndia é um país que convive com o nosso: mistura de Suíça das contas numeradas e Índia das turbas esfaimadas.

Também, pudera, nasci em Minas Gerais! (Mineiro não fica doido, piora.)

Uma vida não é nada; com coragem, pode ser muito.

Vivo livre e solitário, qual uma árvore. Porém, solidário como uma floresta.

Wallinho Simonsen: rico, mas não rico só de dinheiro.

Xerox da “Redentora”, a “Nova República” nada tem de original. Apenas Ulysses, era só o que phaltava.

Yestergay’s: que tal este nome para um bar de bichas históricas?

Zas-trás: acabou-se o que era doce. FMI.


Carlito Maia (Carlos Maia de Souza), nasceu em Lavras (MG), a 19/02/1924. No início dos anos 30 veio para São Paulo (SP). Segundo seu depoimento, nunca freqüentou escola e foi, sucessivamente, “moleque, lavador de xícaras de café, rebelde, office-boy, contestador, reservista de 2ª categoria (Exército), antifascista, sargento da FAB, boêmio, despachante policial, picareta, corretor de seguros, clochard, ajudante de despachante aduaneiro, bon vivant, tradutor público juramentado”. Mas pisou pela primeira vez na trilha do sucesso no dia 19-02-54, quando completava 30 anos. Levado pelo irmão Hugo Maia de Souza, prestou exame na Escola de Propaganda do Museu de Arte Moderna. Passou em primeiro lugar, chamando a atenção do presidente da mesa examinadora, Geraldo Santos, que se tornou seu amigo e o levou para ser “contato” na agência de publicidade McCann-Erickson, onde foi atender à conta da Good-Year. Sua carreira de sucesso na área de propaganda o fez trabalhar nas grandes empresas do setor no Brasil: Atlas (onde ganhou seu primeiro prêmio – o “Souza Ramos”), Norton, Alcântara Machado, Magaldi, Maia & Prosperi (onde lançou a “Jovem Guarda”, “Calhambeque”, etc), P.A. Nascimento, Estúdio 13, Esquire e, finalmente, na Rede Globo, onde permaneceu por mais de 20 anos. Em 1978, foi eleito o “Publicitário do Ano”. Frasista dos melhores (“Brasil? Fraude explica“), foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT), sendo de sua autoria os “slogans” “Lula-lá”, “OPTei”. Homem de oposição, certa vez declarou que
deixaria o partido quando este chegasse ao poder.

Em sua homenagem, foi criado, em 2000, o Troféu Carlito Maia de Cidadania, que premia pessoas que desenvolvem ações sociais em prol da cidadania e na luta pelos direitos humanos.

Carlito faleceu em São Paulo no dia 22 de junho de 2002, aos 78 anos.


Frases extraídas do livro “Vale o escrito”, Editora Globo, 1989, pág. 136.

 

Esta música …esta letra!

Balada De Gisberta
Pedro Abrunhosa
Composição: (Pedro Abrunhosa / Pedro Abrunhosa)
Perdi-me do nome,
Hoje podes chamar-me de tua,
Dancei em palácios,
Hoje danço na rua.
Vesti-me de sonhos,
Hoje visto as bermas da estrada,
De que serve voltar
Quando se volta p’ró nada.
Eu não sei se um Anjo me chama,
Eu não sei dos mil homens na cama
E o céu não pode esperar.
Eu não sei se a noite me leva,
Eu não ouço o meu grito na treva,
E o fim vem-me buscar.
Sambei na avenida,
No escuro fui porta-estandarte,
Apagaram-se as luzes,
É o futuro que parte.
Escrevi o desejo,
Corações que já esqueci,
Com sedas matei
E com ferros morri.
Eu não sei se um Anjo me chama,
Eu não sei dos mil homens na cama
E o céu não pode esperar.
Eu não sei se a noite me leva,
Eu não ouço o meu grito na treva,
E o fim vem-me buscar.
Trouxe pouco,
Levo menos,
E a distância até ao fundo é tão pequena,
No fundo, é tão pequena,
A queda.
E o amor é tão longe,
O amor é tão longe… (…)
E a dor é tão perto.

Agora é a vez do autor Pedro Abrunhosa:

Trailer convidando para o filme da domingueira.

DEPOIS DO FIM….

 

DEPOIS DAS NOTÍCIAS DO TCN E DO TIMEMANIA.

EM PROTESTO CÍVICO.

EM SILÊNCIOSO RESPEITO.

ESTE BLOG PEQUENO, SUJO, E ANTI-DEMOCRÁTICO.

ESTE BLOG PETISTA.

QUE NÃO AGUENTA CINCO MINUTOS DE DEMOCRACIA,

ESTÁ EM MANUTENÇÃO ATÉ O RETORNO DO BLOGUEIRO DAS SUAS FÉRIAS.

FÉRIAS, QUE PARA QUEM TEM MAIS DE 20 ANOS DE BANCO SÃO DE 35 DIAS.

SOMEM-SE AÍ OS DIAS DE LICENÇA-PRÊMIO.

SOMEM-SE ABONOS E OUTRAS FOLGAS ELEITORAIS.

NOS VEREMOS EM AGOSTO. OU A GOSTO DE DEUS.

QUE DEUS ABENÇÔE A TODOS. INCLUSIVE AOS MEUS INIMIGOS E EX-AMIGOS.

E AOS AMIGOS LOGICAMENTE EM PRIMEIRÍSSIMO PLANO. AMÉM.

AMÉM.

HEI-MAN.

Domingos Sávio Maia de Sousa

” Com boa música vive-se um bom domingo.” 4 Non Blondes .

Muito embora, com toda certeza o Sábado Som nos dê alimento para a semana inteira, os domingos serão sempre os dias em que o descanso alia-se a perspectiva da segunda.
Então sobre o 4 Non Blondes:
Bom bom. Mulheres no comando. Sempre assim Deusas !!!

Três contos amorais. A alma é imoral…


Já dizia o Rabino Nilton Bonder no seu excelente livro com o título acima: A Alma  Imoral !

Para quem trabalha em banco uma vida inteira, é muito comum cenas como as que eu vou descrever. As pessoas sempre se confundem com suas contas bancárias. Se estão recheadas, via de regra são arrogantes. Se estão no “pendura” prostam-se humildes em busca do crédito. Raras são as que optam pelo equilíbrio entre o ter e o ser.

Descartes…

Sempre foi assim. Não sei se será prá sempre…

Nos bons tempos da Jaboatão velha, cheia de um comércio próspero, vários bancos, muita gente, boa feira, havia um comerciante, dono de um grande armazém que se vestia como um mendigo. Sem mais nem menos.

Ficava na frente do seu armazém mais parecendo alguém a espera de um frete. E não o dono.

Chega um caminhão, cheio de cimento. O motorista desce e apontando para (digamos o nome seu José das Quantas) e diz: Oh negão, topa um frete aí ! – Me ajuda a descarregar o caminhão.

Na hora seu José topa. E como trabalha. E no final pula para o balcão do lado de dentro para preencher o cheque e pagar o caminhão de cimento. Descontando é claro o seu frete. kkkkkkkkkkkkk . E o motorista? Até hoje deve estar procurando o queixo…

No toitiço I.

Na mesma Jabostão, ops Jaboatão velha, uma nobre amiga, uma mestra na arte de atendimento ao público (ao qual me ensinou quase tudo o que sei) atende uma jovem senhora, humilde, afro-descendente. Procura a senhora em sua peregrinação ( o BB era o último banco e ainda é na fila sentido cidade-subúrbio) abrir uma poupança com o seu suado e minguado dinheiro. Sempre ouvindo as velhas desculpas dos bancos. Renda, valor mínimo, tarifas, dificuldades, não estamos podendo, gerundismo (eterno, desde sempre) e nada. A colega além de atendê-la como devido, abre a poupança. Naquela época entregávamos uma caderneta de plástico com os dados da conta batidos à máquina e o comprovante de depósito dentro do digamos, porta cartão.

Ao chegar em casa, avisa à patroa do excelente atendimento recebido. Qual não foi a surpresa, que alguns dias depois a senhora foi até o banco, acompanhada da agora cliente, para trazer seus recursos do banco concorrente que havia recusado abrir a conta da sua fiel escudeira.

Uma boa grana entrou no banco à custa de uma pequena quantia recebida com dignidade.

No toitiço II.

 

Essa terceira história é de domínio público. Eu conto porque ouvi do dono dela. Muitos a terão ouvido. Pode variar um ou outro detalhe, mas tenho certeza a essência se mantém viva. Vivíssima. E o dono , a quem homenageio neste post , embora adoentado desejo pronta recuperação , muita saúde, pois é gente da melhor qualidade.

O melhor professor de Contabilidade que já pude ver na minha vida. E aprender. E estudar com ele. Biu, ou melhor Severino Ramos. Ele nos conta a sua história:

- Quando trabalhava em uma empresa, ainda sem ser formado, lutando em posição humilde, Biu era chamado com frequência à sala do dono da empresa que lhe pedia: – Negão ! Traz um café aí prá mim, no capricho.

- Os anos foram passando, Biu se forma, estuda ainda mais e passa simplesmente no concurso de Auditor da Secretaria da Fazenda do Estado de Pernambuco. Pede demissão e some.

- Volta tempos depois para Auditar àquela empresa onde trabalhara e servira tantos cafezinhos.

- O dono ao vê-lo e ainda sem saber do seu novo destino vai logo lhe pedindo, e aí Negão, traz aí um cafezinho prá mim.

- Biu com sua voz mansa e pausada adverte: – Agora quem vai trazer uma café pro negão aqui é você. Eu vim Auditar a sua empresa .kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

No toitiço III.

 

A arrogância é o reino – sem a coroa.

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