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Arquivo da categoria: Irmão

O good de Johnny o broda.

Johnny entendeu o aviso da Kabbalah.

Até no aportuguesamento que virou Cabala ou Kabala ou diga lá Broda.

Tá valendo.

No entendimento lusitano misturado ao refinamento nordestino, poeticamente, João, o Carlos, o nosso músico e bem humorado poeta, tirador das mais bem tiradas palavras saidas do seu céu e que nos brindam num encaixe perfeito dentro de frases e ocasiões, tem sido quase que um ghost writer do blog.

Nem menos espero um passar de um expediente e quando retorno ao Fusca o vejo ensolarado.

Lembra até a Mansão/Hotel/Pousada/Manicômio/Paraíso que muitos músicos, poetas, artistas, atores, viveram no Rio nos dourados anos 60/70.

Como era mesmo o nome?

Não me vem a memória. Uma pena.

O bom mesmo é saber que se tem um Broda.

Entre tantas possibilidades reais de um encontro há mais de trinta anos atrás, o encontrei há menos de 3 anos na frente.

Sempre na frente do seu tempo.

Dormindo cedo.

Acordando mais cedo ainda.

Curtindo seu som e suas caminhadas e corridas.

Vivendo ecologicamente dentro do impossível e real mundo de Candeias. Edu Lobo não faria melhor.

Reiventando a zona sul além da zona sul.

E nos recordando da zona norte. Sempre ela.

O nosso berço épico e saudoso, que dia após dia vai sumindo por detrás dos edifícios e dos automóveis.

Triste sina que não esmorece o cantar good de João.

Porque ainda se tem uma Jaqueira, uma Tamarineira, o Sítio da Trindade.

Pode-se chegar logo ali no Alto José do Pinho e olhar a cidade.

Mais alto , lá do Morro da Conceição, com a Padroeira… Recife não tem fim.

Ainda há muito verde por cá. De se cuidar com carinho.

Passeando pelo Dom Bosco, pela feira, pelo Mercado, na Rosa e Silva e na Estrada do Arraial.

Sem pressa de pegar a Rui Barbosa que nos leva prá longe.

Querendo ficar no Poço… da Panela. Casa Forte de tantas lutas.

A missa em tantas igrejas diferentes.

É, a zona norte não esquece de Johnny.

O cara que eu passei triscando naquelas décadas e fico de imaginar a pessoa que eu não pude testemunhar.

E que de testemunhos se adianta hoje em busca de uma vida plena. João que caminha e segue no compasso de um belo hai-kai.

Parei.

Esse texto é o primeiro da minha vida que não sai de uma invernada.

No ver de João, há que se parar e se refazer.

Vem o se…

O condicional que talvez me tivesse evitados contratempos, brigas, mágoas.

O impulso.

Quase uma autobiografia autorizada e desaprumada.

A bile cantada e decantada.

A bile que enfrenta o RECEBER, ou a KABBALAH ou o destino, ou quantos livros caibam no bolso que de saber às vezes prefereriria não saber ler, para não encontrar tantos homens em busca de Deus pelo caminho em que também me perdi.

Parei.

Um espaço entre duas eternidades.

Um tour pela amizade e pela cidade.

A certeza do que é a inspiração. Ou a incerteza.

Mais uma reflexão.

O broda merece o esforço de pensamento.

A ação seguida e consentida para que no amanhã todos estejam salvos.

E mais não digo.

 

PS -

Poema de sete faces
Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus,
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.

Carlos Drummond de Andrade

 

 

 

 

 

Aritmética de uma amizade.

Para o broda João Carlos de Mendonça.

Não é que eu fico “incrível” quando começo a passar um olhar sobre os teus Sábados Som, que terminaram ficando também nossos, tua sabedoria e sensibilidade de domínio público? Tua generosidade que agiganta o Fusca, que o faz melhor a cada Sábado Som, a cada comentário.

Tens aqui um livro. Tens aqui outro livro. De comentários.

Mas quero falar de outra coisa.

Que também pulsa no lado esquerdo do peito.

Que já foi motivo de tese defendida com galhardia por João.

A distância os amigos se mantêm. Mesmo que via Web. Mesmo que via Fusca. Não importa.

Não mesmo.

O título poderia ser o post. O post é o título e poderia terminar aqui que o meu recado para João estaria findo e eu descansaria em paz.

O blog é novo. É um menino sendo conduzido por um cinquentão. Já passou por crises tendo como principal motivo o Timba. O nosso querido CNC.

E pelas arengas, pelo vai não vai (com ou sem hífen?) o Fusca quase aderna. Quase…

Nessas horas o auxílio luxuoso de João me fez tecer essas linhas e mais essas:

1. Quando está alegre a sua alegria não interfere na alegria do outro. Sabe medir-se pela sua própria virtude e participa com sua amizade na exata medida que o amigo pode entender, compreender e ser compreendido. Sua alegria não atravessa o enredo, nem o samba.

2. Não importa se está com um ou mil problemas. Sabe medir-se também pela sua virtude imensa e não deixa que sua preocupação atinja o amigo. Nâo atravessa o seu próprio samba. Abdica do direito de externar a dor para que não soframos com ele. É nobre. Não sei ser assim. Gostaria que ele fosse de outro jeito? Não. João é João. Único e indivisível. Embora múltiplo.

3. Analisa com a ciência que estudou e com o academicismo da vida. Sem floreios. Sem retóricas vazias. É cheia a sua verve do que há de mais valioso nesta vida: a compaixão.

4. Nâo se deixa pavonear pelos elogios. É brilhante. Porém não se faz de rogado e embora humilde, também não faz uso da humildade para nada, pois ele existe assim e é muito maior do que qualquer elogio.

5. Pacifica. Não um Conselho Deliberativo. Isso é obra de políticos. João não é um político no sentido inútil e esnobe da palavra/conceito. Pacifica, o verbo, é o sentido humano da arte de adequar opiniões, contratempos, nuvens, sombras e trazer à luz a verdade. Pacificar um pequeno bosque/arvoredo que é o dia a dia de um blog. O que seria deste blog inútil como diria Fernando Pessoa? Como são inúteis todas as cartas de amor? Se não houvesse a sua demonstração quase que diária de que a paz se faz também pela palavra. Que a palavra pode nos fazer sorrir e que o sorriso é terapeutico, cura, desanuvia, nos faz melhores, mais leves, mais humanos e felizes. Sim, a palavra lançada uma a uma por João, ao longo desses quases dois anos , foram formando um dicionário de acordes. Uma sinfonia. Uma obra prima. Que é uma honra dividida por todos e para todos.

6. João não é chegado a elogios e sei bem disso. Talvez este post o incomode um pouco. Não é o meu objetivo. Me movo por gratidão. Pura e simples. Me tornei um ser humano melhor graças ao seu convívio. Um telefonema fantástico numa tarde morna virou uma noite com sol! A Internet tem sido a nossa mesa de bar, nossa cachaça e apenas uma vez pude lhe dar um abraço, um aperto de mãos, posar para um foto e foi na festa do meu aniversário. Presente triplo. Mega-sena.

7. João , que como ele mesmo testifica, já foi da noite. Hoje dorme cedo. Outra lição intrigante. Tento, mas minha crônica insônia me coloca frente a frente ou melhor “frontalmente” com o Frontal. E ele é o meu Pastor. Durmo tarde, mal, a custa de um comprimido laranja. João dorme cedo e acorda com a alvorada e sai para as suas corridas e caminhadas e isso é outra lição de vida. Estou aprendendo com ele.

8. O Fusca, hoje muito melhor em parte  graças ao seu auxílio luxuoso, já teria parado. Teria, mas continua firme. Ladeira acima. Turbinado. Graças aos empurrões. Poucos e preciosos e honestos puxões de orelhas. Sem firulas. João , quando “preciso” vai de canela mesmo, que o jogo é de campeonato. Mas vai. Não se omite. É mais que um jogador. Vale pela camisa doze também.

9. Eu disse muito. E talvez não tenha dito nem o quase, que dirá o suficiente. Mas é assim broda João Carlos de Mendonça, que lhe presto uma humilde homenagem, numa segunda-feira de sol, de trânsito modificado, de férias, indo para a Jaqueira, mas carregando o amigo no lado esquerdo do peito.

10. Forever Young mister Johnny B. Good. Forever Young. Se existisse uma expressão em inglês, no meu inglês analfabético seria essa. Tema de música, leme de vida, mote de poema, marca de um amigo.

Um grande abraço

Domingos Sávio

Este é dia dos amigos também.

João Carlos. Arsênio. Magna. André Gustavo.

Através dos emails. Através dos comentários. Através da luz. Um portal foi criado.

E neste final de semana. Lá no fundo do poço (como na música José de Caetano), eu me reergui.

Quem esteve ao meu lado, mulher e filhos sabe que  foi um túnel.

Encontrei a luz.

E saibam, que serei eternamente grato a vocês.

Eternamente.

Vocês também me ajudaram a viver.

Obrigado mesmo.

A todos.

E a quem, num gesto grandioso, merecedor de toda a gratidão do mundo, veio pedir em nome de vocês para que o Fusca não fechasse.

Alguém que infelizmente eu não mereço ter como amigo.

Mas que mesmo assim, preocupa-se e carinhosamente me manda uma mensagem:

A EDGAR MATTOS O MEU MAIS QUE OBRIGADO. O MEU PEDIDO DE PERDÃO PÚBLICO E TARDIO.

Domingos Sávio Maia de Sousa

 

 

Essa é prá você meu irmão! Amém pela nossa amizade.

Para Arsênio Meira Filho, que conseguiu transformar o dia 15/04/2011 em feriado permanente para mim e por extensão aos meus familiares. Hoje, mesmo acometido de uma forte virose que me impediu de trabalhar, tive uma felicidade que as palavras não traduzem. Amigos são assim. Devemos trazê-los bem guardados em nossos corações. Cuidar, zelar, manter. Não tem palavras, não tem preço, tem o apreço e o afeto e o poder dizer: IRMÃO.

A Vitória do Guerreiro da Luz.

 

Para Arsênio Meira Filho (*)

 

Duas Eternidades. E um espaço no meio.

Uma vida dividida entre uma pena. A Justiça legalmente constituída.

Uma vida dividida,  um dreno permanente , incessante, no bolso de um jovem trabalhador.

Nos seus descaminhos errou. Errou e pagou caro . Uma conta com juros. Conta de agiota. Exterminando quase por completo a sua fé.

Faltou forças no caminhar. Caiu, levantou e seguiu. Companheiro da esperança, sempre adiando. Sempre levantando e subindo a ladeira mitológica, como numa fábula  grega. 

 A anestesia da dor insuportável. A dor do sofrimento solitário, não compartilhado. Uma vida de silencioso desespero.
É uma amargura a ser esquecida. Metade de uma vida agora é página virada.

O sol sim . Chegou  para clarear o caminho. Agora redivivo, sentença cumprida. Comprida. O espaço entre duas eternidades.

Agora são outros sinais da vitória. Agora é a vida retomada aquilo que lhe foi usurpado. Com a pena legal. A Justiça legalmente constituída.

Um campo verdejante já se insinua à terra arrasada.

Uma floresta e sua imaginável e infinita bondade já se espalham quase que por mágica.

Há um dono. Uma voz. Uma razão.

Há um Senhor e sua Pena. A Pena que defende legalmente das injustiças, os injustiçados.

Há um irmão. Um cidadão. Algo e além do que cabe na Lei, foi exercido com magistral dedicação. Há um escopo, uma construção e no final um edifício inteiro, perfeito, acabado, resultando nesta vitória que hoje, 28 de Março de 2011, finalmente o jovem pode recuperar, respirar e agradecer. Já grisalho. A juventude lhe foi timidamente roubada.

Admira o belo edifício. Construído com material de primeira: Competência, Dedicação, Honestidade, Esforço, Generosidade, Força. Poder legalmente constituído.

A esperança renasce dessa força imensa e que não cabe apenas neste post. É do tamanho do coração de um Guerreiro. Guerreiro da Luz.

Lá na terra de Bartolomeu Bueno da Silva , em plena vigência desvairada da Paulicéia e das toneladas de papel, os Bandeirantes foram vencidos. Pelo rito pleno e honroso de um homem e sua missão.

Um homem e o seu Ofício. Muito além do que a palavra DIGNIDADE pode caber em si.

 

(*) Por segredo de Justiça, mostra-se o Santo e o Milagre.

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