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Arquivo da categoria: Insonia

O que eu não gostaria de escrever sobre a Insônia…

 

INSÔNIA

O tempo esquece de nos limar nas noites

em que ela aparece.

Não é solidária, nos faz solitários, aumenta o som do imaginário,

traz os nossos queridos ausentes de volta,

nossos piores medos.

Faz a digestão virar uma guerra de cem anos, faz cem anos durarem uma noite.

Faz e não desfaz. Tudo que é possível ser construído, a eleita rainha dos terrores consegue:

A insônia não tem menos que um milhão de adjetivos e homônimos. Não me arrisco a eleger nenhum.

Eu a tenho como companhia indesejada, não permitida, não adquirida, da mesma forma que não escolhi minha altura, a cor da pele, minhas orelhas, minha vida.

Ela nasceu em parto prematuro, desde os 11 anos de idade.

Época em que se tem que dormir bem para poder crescer.

Vai daí meu 1,68 que já nem sei se já virou 1,65 de desaltura. Mínimo Minimorum.

De lá prá cá a convivência é tormentosa. Como a seca no sertão, como as enchentes amazônicas, sempre em grande estilo. Implacável.

Durante e após os vinte anos aplaquei sua ira com álcool. Muitos litros. Destilarias. Mas não consegui destilar um sono tranquilo.

A vida de bancário com um pentacampeonato de assaltos (hexa necas) trouxe mais gordura a insônia. Os terrores naturais trouxeram os terrores urbanos e as lembranças desses momentos ficaram grudando feito pixe. Noite após noite.

Yoga, Meditação, Reike, Alongamentos, Florais, Macrô, Macô. Nada.

Nadinha. Algumas golfadas de alívio. Para não morrer na praia.

Finalmente a química humana chegou para mim na forma hexagonal de um comprimido laranja.

O tal agente que não é agente do Vietnâ.

Virei comparsa do laranjinha.

Que antes era o rosinha. O velho Lexotan.

Hoje consigo dormir na base da porrada do Frontal.

Que virou um belo texto do livro de Bial e outros poetas intitulado Tarja Preta.

O texto ;Frontal com Fanta.

Dá para dormir. Um sono de superfície. Um sono de formica. Não quis escrever formiga, é formica mesmo, de fininho. De nada mesmo. Aquele sono dos passarinhos.

Mas consigo acordar com cara de pastel de feira vencido. E pegar no tranco.

Sou amigo e irmão do banho frio. Nas madrugadas mais frias, nos dias mais chuvosos estou lá debaixo do chuveiro gelado acordando dedo por dedo, cada fio de cabelo, cada pedaço do meu eu insone e inquieto.

E sigo…

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