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Torpedaço de Edgar Mattos.

A ESQUERDA VAI ÀS COMPRAS ( NA 5ª AVENIDA )

 

                                                            EDGAR MATTOS

 

                    Era no tempo em que os Estados Unidos eram anatematizados pelas esquerdas como a  sede de todo o Mal.  Por isso, foi com muito constrangimento que minha colega Gildete*, secretária de educação de um estado do Sul, aceitou o convite da Embaixada Americana para visitarmos, em programa de intercâmbio, a terra do Tio Sam.

                    Os convidados éramos apenas quatro: além de Gildete  e eu, então secretário de Educação de Pernambuco, um técnico da secretaria de Educação de São Paulo, e uma assessora do MEC.

                    Como único representante do Nordeste e, a despeito da divergência política com os demais companheiros de viagem, todos extremados peemedebistas – á época um partido de respeito – não tinha com eles qualquer problema de relacionamento pois, pela minha atuação  nos encontros do conselho nacional de secretários de Educação, já lograra me fazer conhecido e respeitado.

                   Aliás, eles é que se sentiam incomodados de me ter como testemunha dessa (para eles) vergonhosa concessão feita ao “odioso imperialismo yankee”, de certa forma homenageado com a  visita de tão ferrenhos críticos. Até porque seria muito difícil disfarçar a enorme satisfação de todos em havermos sido contemplados com a grande oportunidade de conhecermos, a custo zero, a  organização educacional de um país com a dimensão política dos  “States”.

                     O programa da visita foi bem abrangente.  Percorremos o território norte-americano de costa a costa.  Estivemos em Washington, Boston, Portland, São Francisco, Phoenix e Nova York, em proveitosa viagem de trinta dias.

                     Em Portland, deu-se um fato que muito me divertiu. É que, á época,  uma das bandeiras dos sindicatos dos professores era a eleição do diretor de unidade de ensino pela própria comunidade escolar. E, até aquele ano – 1985 –, a única Secretaria de Educação a adotar aquele procedimento tinha sido a de Gildete que, orgulhosa desse seu pioneirismo, em cada cidade americana visitada fazia questão de indagar qual era o processo de escolha dos dirigentes escolares. Tudo com o vaidoso propósito de demonstrar que, no seu estado, as práticas eletivas excediam as vigentes no próprio país modelo de Democracia. Aconteceu que, para sua surpresa, em Portland, essa “democracite” ia muito além do que ela .supunha. Não só os diretores dos estabelecimentos de ensino mas também os próprios secretários de Educação eram eleitos pela população. É claro que não podíamos deixar passar essa oportunidade de gozarmos com a cara da nossa amiga cuja perplexidade com o inesperado resultado da sua pesquisa era bem visível.

- E aí Gildete, viu como você está atrasada ? Trate logo de implantar lá na sua terra esse sistema  e comece desde já a preparar a sua campanha eleitoral.

                   Inconformada por haver sido superada no que supunha ser o máximo da  atitude democrática, e, diante disso, preocupada com a legitimidade da sua própria nomeação para o cargo, Gildete começou a reagir contra a novidade.

- E se o secretário eleito for de partido diferente daquele do Governador como é que fica a administração educacional ?

  - São riscos da Democracia, minha cara Gildete – replicamos nós, sem contermos o riso ante a indisfarçável decepção da nossa amiga por haver sido defenestrada do pódio dessa ridícula competição por ela imaginada.

                        Choque maior, no entanto, tive depois ao testemunhar como são irresistíveis, mesmo para esquerdistas mais radicais, as seduções do consumismo. Para que se tenha ideia do tamanho do meu espanto, devo esclarecer que, no início da viagem, desde a nossa chegada em Washington, era risível a preocupação de Gildete em não se deixar fotografar junto a monumentos expressivos da história norte-americana como se a  documentação da sua presença no reduto do “inimigo” pudesse comprometer a sua imagem ideológica perante os seus correligionários.

                       Pois bem, estávamos em Nova York, na véspera do nosso retorno ao Brasil e era Natal. As ruas da “Big Apple”, decoradas com muitas luzes e muitas cores, fervilhavam de gente na habitual azáfama do comércio natalino, estimulado pelas ricas e criativas vitrines dos maiores e mais famosos magazines. Todos nós dispúnhamos ainda de um bom saldo da generosa ajuda de custo recebida do governo americano para prover a nossa manutenção, durante a missão cultural para a qual havíamos sido convidados.

                       Com muitos dólares sobrando na bolsa as atraentes ofertas das fantásticas lojas novaiorquinas tornaram-se, para a agora deslumbrada companheira Gildete, uma tentação forte demais.  Suficiente para quebrar os seus  pruridos ideológicos e superar os seus escrúpulos políticos. Compreensivo com as fraquezas humanas, achei até natural e justificável essa brusca mudança de atitude da nossa amiga, subitamente subjugada aos encantos da “american way of life”…

                      Só que ela não precisava ter partido para as compras com tamanha sofreguidão. Como se o Capitalismo fosse acabar no dia seguinte…

 

  • embora todos os fatos aqui mencionados sejam rigorosamente verdadeiros resolvi, por uma questão ética, esconder, sob um nome fictício, a identidade da minha colega, secretária de educação.

 

Torpedaço de Edgar Mattos.

 A VIRTUDE   FISIOLÓGICA

           

                                                      EDGAR MATTOS

 

Sempre me seduziu a ideia de que muitas das mais importantes decisões históricas, pelo menos em regimes absolutistas, poderiam ter sido influenciadas pelo eventual mau humor do governante. E que essa irritabilidade teria sua causa em algum problema fisiológico. Já imaginaram, por exemplo, as atrocidades de que seria capaz um tirano com dor de dentes ?  Ou uma Rainha com TPM ?

A dor ou o prazer, a depressão ou a euforia, enfim, o estado de espírito de quem decide não pode deixar de interferir na sua decisão nem sempre assentada apenas na racionalidade e no bom senso como seria  de se desejar.

Por outro lado, a espantosa evolução científica dos últimos tempos, a transformar em sempre possível realidade o que dantes era apenas ficção, trouxe para aquela aliciante tese novas e  revolucionárias implicações.

É que hoje já é verdade assente o quanto de fisiológico há em nosso comportamento emotivo. Assim, a alegria dependeria muito das endorfinas e a carência de certo sal mineral levaria a um desequilíbrio psíquico que, em grau extremo, caracterizaria a doença diagnosticada como transtorno bipolar. Umas doses de lítio seriam suficientes, no caso, para trazer de volta à normalidade o indivíduo em crises desse tipo (seria esse o tal “sal da vida” de que tanto fala a Bíblia ?)

Aliás, as escolas psiquiátricas modernas se valem mais da farmácia do que do divã. Para alívio das mães que, como o mordomo das histórias policiais, eram sempre as freudianas vilãs do mau comportamento emocional dos filhos.

Também já há suspeitas de que seja mais do que uma imagem a frequente alusão à existência, entre pares amorosos, de uma certa combinação química. Compatibilidades que até se dizem “de pele”. Que justificariam atrações sexuais, aparentemente inexplicáveis, e por vezes chocantes, entre pessoas diametralmente opostas, seja por padrões estéticos, seja por identidade racial, por nível intelectual ou ainda por condição socioeconômico.

Já não há dúvidas de que, se há almas gêmeas pelas suas afinidades espirituais – para alguns remanescentes de outras vidas – há também corpos imantados entre si por uma irresistível compulsão fisiológica, mais precisamente sexual. Uniões bem sucedidas seriam aquelas que complementariam, em harmônica integração, corpos e espíritos. Côncavos perfeitamente encaixados nos respectivos convexos como peças de um mesmo jogo.

Também a Física, em seu capítulo relativo à energia magnética, é requisitada muitas vezes para explicar a especial e mútua fascinação entre um homem e uma mulher. Ou, numa visão sem preconceitos, entre dois seres humanos.

Mais recentemente, pesquisas chegaram ao extremo de sediar o decantado amor materno na existência de determinado hormônio, em última análise o principal responsável por esse que tem sido exaltado pelo poetas como o mais puro e o mais extremoso dos amores.

Essa tendência científica de fundamentar todo o comportamento humano numa base biofisiológica está chegando ao exagero de tentar explicar nossas escolhas, nossas opções, através de uma determinada predisposição dos nossos neurônios o que, se confirmado, fulminaria a tese do livre arbítrio na qual se arrima toda a meritocracia dos homens.

Por tudo isso, amigos, com mais ironia do que esperança eu lhes digo:  se a corrupção se generaliza, se o mau-caratismo campeia, se as próprias religiões fomentam a ambição e a  violência, se  viver se faz cada dia mais perigoso, não desesperemos. O progresso científico traz-nos auspiciosas perspectivas de solução. No rumo que as pesquisas estão tomando, nessa supervalorização do ser biológico do Homem, dentro em breve somente cometerão atos reprováveis aqueles que, por descuido, tenham esquecido de ingerir, matinalmente, a sua pílula da bondade …

 

 

Torpediem de Edgar Mattos.

Neymar, o perfeito inexato

WAGNER SARMENTO

 

Neymar é uma assimetria.

Não cabe em quatro linhas, é inimigo da geometria, mais perfeito quanto mais inexato.

A teimosia começa no cabelo, inclassificável por acaso ou destino. Ninguém sabe dizer a cor, o corte, o traçado. Amanhece moicano, anoitece surfista, cai, levanta, engana.

E ele vem, uma extensão desta burla, sempre pronto a ludibriar o mais confiante defensor. Neymar é o pesadelo dos planos, o terror dos cálculos, o desafeto número 1 do óbvio.

E lá vai ele prum lado, pro outro, magrelo, desengonçado, cai, levanta, engana.

O poeta certa vez disse que o craque antevê a jogada. Neymar cega a jogada. Nem ele vê. Nem ele sabe. Realiza, ali, na mínima fração a que chamamos de presente, entre o futuro iminente e o momento que logo vira passado.

O que era caneta vira balão, o corpo que queda pra lá de repente ginga pra cá, o primeiro fica, o segundo tomba, o terceiro tenta pará-lo, o quarto olha e aplaude e nem o vento, etéreo parceiro de jornada, é capaz de acompanhá-lo.

Neymar tem coração de rei e alma de peladeiro, tem a dose de irresponsabilidade que inebria até a bola, tem a desobediência como fiel aliada no trilhar indefinido a caminho do gol.

Neymar é atalho, é haikai, é verso sem rima, é poesia sem escola literária, é trovador e cafajeste, riso e escárnio, possível e impossível.

Desafia tempo, espaço e gravidade, chama o rival pra dançar e embebeda num drible. Hipnotiza, paralisa, acorrenta num grilhão imaginário feito de brilho e espanto.

Não tem perna certa. Não tem lado certo. Não tem direção. Neymar é um labirinto movediço que nem ele mesmo sabe até onde vai. Ninguém sabe.

De tão incerto, não tem limite.

Poemamor de Avô. Por Edgar Mattos.

O QUE É UM NETO ?

 

( para Eduardo Henrique, Tiago, Luana, Gabriel* e Pedro Henrique* )

                                  

 

EDGAR MATTOS

 

 

NETO É O FILHO QUE DEMOROU A NASCER

NETO É A FELICIDADE DA VELHICE

NETO É A POESIA QUE NÃO SEI DIZER

 

NETO É A APOSTA QUE SE FEZ COM SORTE

NETO É A CERTEZA DA POSTERIDADE

NETO É  VIDA PERDURANDO APÓS A MORTE

 

NETO É O FUTURO QUE SE FEZ PRESENTE

NETO É QUEM ME LIBERTA DO PASSADO

NETO É A VELHICE QUE ME FAZ CONTENTE

 

Neto é mais que neto quando sente

Que o Avô bem mais que avô é companheiro

Na divertida aventura de ser gente

 

 

 

 

 

* OS DOIS ÚLTIMOS APENAS SE ANUNCIARAM

HAI KAI de Edgar Mattos. Poema/ço.




QUISERA TER VOCÊ

AMANHÃ,

DEPOIS,

E SEMPRE

MAS,

SE NÃO FOR POSSÍVEL,

QUE SEJA APENAS HOJE,

PLENAMENTE !

 

Poemaço de Edgar Mattos. Evoé !!!!

RECADO PARA A COLOMBINA

 

( de um Pierrot apaixonado…….pelo Carnaval )

 

Tenho uma coisa para lhe dizer

Sei que você gosta de outro

Mas a vida é bela

 

Seja como for

Vou pra casa de Noca

Tomar umas e outras

Me segura senão eu caio no passo

 

Ah, confete pedacinho colorido de saudade,

Saudade que me trouxe pelo braço

Eu daqui não saio, eu não vou embora

Até a quarta-feira ingrata

A gente brinca esquecendo a dor

 

Um diabo louro faiscou na minha frente

( E minha mãe sem nora…)

Eu não digo não porque faz mal ao coração

Mas aquele beijo foi um beijo de vampira

 

Ainda bem que a nossa vida é um Carnaval !

 

 

Edgar Mattos

Terça com Educação. Por Edgar Mattos.

    ENSINAR É PRECISO

 

                                         EDGAR MATTOS

 

“Vocês, professores, detém uma parcela do saber de que se valem as classes dominantes para fazer legitimado o seu poder.

 

Quantos mais forem os que sabem, menos numerosos serão os que fazem da exploração da ignorância o seu lucrativo negócio.

 

Não existe arma mais poderosa, em termos de revolução social, do que uma docência direcionada, com competência e responsabilidade, para a estimulação da consciência popular.

 

Por isso, tanto quanto os signos do alfabeto, cumpre-lhes ensinar a seus alunos o bê-a-bá da cidadania.

 

Sem conhecer bem os seus direitos, pouco adiantará a um homem a perversa faculdade de ser capaz de ler a história da sua própria miséria.

 

Ensinar, pois, é preciso :

  • Ensinar que a inevitável desigualdade entre os homens, contingência da diversidade bio-psicológica que tanto engrandece a humanidade, não poderá nunca servir para justificar desnivelamentos sociais tão profundos quanto os que distanciam, em grau de iniquidade, riquezas tão opulentas e misérias tão absolutas !
  • Ensinar que a pobreza é apenas uma circunstância superável, jamais um estigma a marcar inexoravelmente o destino dos homens.
  • Ensinar que a Justiça para o pobre não deve ser só pena e prisão, mas sobretudo a proteção dos seus direitos de cidadão a uma vida digna e decente.
  • Ensinar que a Liberdade, garantia do espaço de cada um, assenta-se na ordem e no respeito ao direito do outro; que a anarquia, lei do mais forte, inviabiliza o exercício da Liberdade.
  • Ensinar que toda organização estatal deve aos cidadãos condições suficientes de alimentação, moradia, saúde e educação; que falida estará, por princípio, a Sociedade incapaz de assegurar a sobrevivência condigna de todos os seus “sócios”.
  • Ensinar que o voto é a oportunidade democrática de o homem influir no seu próprio destino; não se pode vender ao dinheiro, nem trocar pelo favor; que seu único preço é o compromisso do candidato avalizado muito mais pela sua prática de vida do que pela retumbância do seu discurso;
  • Ensinar, especialmente,
  • que a Segurança começa na Justiça,
  • que a Justiça se alicerça na Democracia,
  • que a Democracia se inicia com a Educação,
  • que a a Violência é a reação dos que não sabem,
  • que a Ignorância é a pior prisão,
  • que a Liberdade começa a ser soletrada na Escola.

ENSINAR É PRECISO !

 

(trecho de discurso de paraninfo da 1ª turma do curso de formação de professores da Escola Mardônio Coelho, da Bomba do H

Poemaço de Edgar Mattos. Sabedoria e antídoto contra a mosca azul da vaidade humana.

DA IGNORÂNCIA INTELIGENTE

 

                                            EDGAR MATTOS

           

EU NÃO ENTENDO DE MEDICINA, NEM DE FILOSOFIA

EU NÃO ENTENDO DE QUÍMICA, NEM DE MATEMÁTICAS

EU NÃO ENTENDO DE  DIREITO, NEM DE GEOGRAFIA

EU NÃO ENTENDO DE TEORIAS, NEM DE PRÁTICAS

 

EU NÃO ENTENDO DE FUTEBOL, NEM DE PEDAGOGIA

EU NÃO ENTENDO DE CINEMA, NEM DE LITERATURA

EU NÃO ENTENDO DE ARTE, NEM DE ENGENHARIA

EU NÃO ENTENDO DE CIÊNCIA, APLICADA OU PURA

 

EU NÃO ENTENDO DE  FÍSICA NUCLEAR OU QUÂNTICA

EU NÃO ENTENDO NADA MESMO É DE HISTÓRIA

EU NÃO ENTENDO  COMO SE FAZ A BOMBA ATÔMICA

EU NÃO ENTENDO NADA DO QUE REQUER MEMÓRIA

 

EU NÃO ENTENDO DE LÍNGUAS, PÁTRIA OU ESTRANGEIRA

EU NÃO ENTENDO DE POLÍTICA, NEM DE RELIGIÃO

EU NÃO ENTENDO DO TRANSCENDENTAL, NEM DA BESTEIRA

EU NÃO ENTENDO DO CRIACIONISMO, NEM DA EVOLUÇÃO

 

EU, ESTE EDGAR,  SER IGNORANTE MAS INTELIGENTE

PRA MINHA SORTE OU TALVEZ PRA MINHA  DESGRAÇA

SÓ ENTENDO MESMO, APENAS  E EXCLUSIVAMENTE

DO BICHO HOMEM, DESSA  TRISTE E HUMANA RAÇA …

 

Para o mano caçula Edgar Mattos.

Para o grande cinéfilo e apreciador e poeta e gente da melhor qualidade, estirpe e caráter, que sabe tudo e um pouco mais de cinema, poesia, arte, amizade e claro, futebol:

 

TORPEDAÇO DE EDGAR MATTOS.

Fundação Joaquim Nabuco

Conselho da Produção Científica –CONSEPEC

Obra: “Quase Memórias”

Autor: Mário Souto Maior

Parecer

Meus pares peço licença

Desse jeito inusitado

Pra tratar sem malquerença

De um caso bem delicado

 

Quem requer é uma figura

Que merece nota mil

Modesta, mas não obscura

Pois marcante é o seu perfil

 

Muitos filhos ele gerou

Livros muitos ele escreve

Mais que árvores ele plantou

Os exemplos que nos deu

 

Sogra, diabo, palavrões,

Do puxa-saco à cachaça

De tudo tirou lições

De tudo mostrou a graça

 

Agora, suas “Memórias”

Faltam um “quase” pra Ciência

Mas quem colheu tantas glórias

Dispensa condescendência

 

Pois Mário Souto, o Maior

Dos folcloristas vivos

Já fez muito e melhor

Sem precisar de incentivos

 

Se o nosso regulamento

Não lhe dá classificação

Sinceramente, lamento

Mas não choro a decisão

 

De resto ninguém deplore

Pois é coisa descabida

Tratar como folclore

Tão bela história de vida

 

Daí que peço licença

Pra negar o pleiteado

Sem demérito e sem ofensa

Para autor tão consagrado

 

Qual peixe aprisionado

Nas malhas da lei contido

Sigo os trâmites e o processado

E indefiro o seu pedido

 

Mas pela vida e pela obra

Esse contador de “causos”

Do CONSEPEC já cobra

Um grande voto de aplausos

 

Não se veja na proposta

Gesto de consolação

Se do autor tanto se gosta

É de Justiça a moção !

 

Consepec, 1996

EDGAR MATTOS

Nota: Esse Conselho, da Fundação Joaquim Nabuco, examinava trabalhos de cunho científico, classificando-os em diversos níveis, para efeito de concessão de incentivos financeiros. Tive a oportunidade de dar parecer favorável a todos os livros do emérito folclorista Mário Souto Maior que, inclusive, se tornou meu amigo.

Desta feita, porém, me vi numa “saia justa” pois o trabalho submetido ao Consepec era um livro de Memórias que, evidentemente, não se enquadrava como produção científica. Daí os versinhos, forma amena de dizer Não ! Que – diga-se de passagem – ele aceitou muito bem.

Torpedaço de Edgar Mattos. BRAVO! BRAVÍSSIMO!

 DESPACHO EM VERSO

 

                                              Por EDGAR MATTOS

 

A professora Lucyde Almeida Barbosa,lotada em São Bento do Una, dirigiu, em versos,  ao Secretário Estadual de Educação,  o seguinte requerimento:

 

“Exmo. Sr. Secretário de Educação

Desejaria apenas um minuto de atenção

Afastei-me da escola

Sem a sua permissão

Mas mandei requerimento

Justificando a razão

Desse meu afastamento

Pra cursar pós-graduação

Afastamento já aprovado

Pela Creuza Aragão

 

Como o curso começava

No início do mês em questão

Aproveitei todos os sábados

Feriado não levei em consideração

Dando as aulas que podia

Por antecipação

Completei a carga horária

E fiz recuperação

Tudo como explicitam as leis

Que regem a Educação

 

Mas como sempre acontece

Houve reprovação

E os trinta e dois reprovados

Da escola, aprontaram a delação

Dirigiram-se ao Dere

Que lhes deu toda razão

Mandou-me fazer novamente

Uma nova recuperação

Para aprovar todo mundo

Causou-me indignação

Se eu cumpri a minha parte

Consciente da minha missão

 

Complementei carga horária

Fiz recuperação

Aprovei quem tinha condição

Disso não tenham dúvida não

Por que me condenam ?

Por antecipar uma reposição ?

Ou por não jogar analfabetos

No meio da multidão ?

Então eu pergunto Excelência

Que papel é o do professor ?

De trabalhador da messe

Ou do circo o senhor ?

 

Eu conheço a videira

Que dá frutos de valor

Eu conheço a videira

Que dá vinho sem sabor

Quem mais conhece o filho

A mãe ou o genitor ?

Assim senhor Secretário

Analise a situação:

Não se pode reprovar !

Como anda a Educação

Se não agi com justiça

Não me dê nenhuma atenção

Ou defira o meu requerimento

Se der a isso aprovação

Porque tenho certeza de estar certa

E espero em Deus solução”

 

Para não mudar a forma do processo, eu, então o titular da Secretária Estadual de Educação, também despachei em verso:

 

Professora Sueli

Dessa terra de São Bento

Eis o que resolvi

Sobre seu afastamento

Para a pós-graduação

Que feito sem requerimento

Deu em tanta confusão

Se não houver prejuízo

Como reza a informação

Professora lhe aviso

Dou-lhe absolvição

Em homenagem a  seu verso

Que tem ritmo e picardia

Lhe perdoo mas lhe peço

Aprenda que autonomia

Tem limite no direito

Pois nesta Secretaria

Se se deixar “levar no peito”

Ensino vira anarquia

Sem São Bento que dê jeito.!

Torpedaço de Edgar Mattos.

AGRURAS DE UM ACADÊMICO

PorEDGAR MATTOS

 

Não, não se trata de eventuais incômodos eventualmente sofridos por um eventual imortal – apelido dado àqueles que, logrando o feito admirável de conseguir ingressar numa confraria dita literária, teimam em não morrer para dar vaga aos que, ansiosos e pretensiosos, aspiram a nela também ingressar…

É que outra, e bem mais democrática,  é a Academia a que há um ano pertenço, mediante simples pagamento de matrícula e mensalidades. Ao contrário daquelas onde se estagnam as mentes, nesta se exercitam os músculos.

Já conformados à monotonia das caminhadas, eis que, de repente, contemplados por uma dessas incessantes e surpreendentes descobertas da Medicina, os velhinhos se viram admitidos ao espelhado templo dos jovens narcisos. Ei-los pois – e eu dentre eles – a dividir, com a atlética turma das barriguinhas “tanquinho”, ferros, pesos, esteiras e máquinas com direito até a, disfarçadamente, conferir na balança e no espelho algum efeito dos seus esforços.                        Confesso que para chegar lá, tive que vencer resistências. Sou – vocês já sabem – muito orgulhoso e muito competitivo, e temia enfrentar comparações e disputas que, setentão, jamais poderia vencer. Cedo descobri não haver razão alguma para tais temores. É que, naquele espaço, as pessoas se acham tão concentradas e embevecidas na autocontemplação dos seus corpos que não enxergam mais ninguém. Então, pra sorte minha, salvo para algum instrutor mais atencioso, na Academia eu me sinto um homem invisível. O que me dá, mesmo em horas de maior frequência, uma ótima sensação de privacidade. Para vocês perceberem que não exagero, raramente troco, com algum rosto, mesmo os já bem conhecidos, após meses de convivência, algum cumprimento. Nem mesmo um lacônico “oi”*. Claro que não pretenderia manter com ninguém qualquer bate-papo prática incompatível com a execução de exercícios.  Mas aqui começa a discriminação. É que, entre eles, os componentes da mesma tribo juvenil, há sempre instantes de confraternização às vezes até ruidosamente incômoda. Não tanto quanto os estridentes sons da insuportável música ( ? ) “bate-estaca” que, embora favoreça o ritmo dos exercícios, estupra os meus pobres tímpanos contribuindo, decerto, para agravar minha incipiente surdez.

Tudo isso, porém,  se faz suportável na vantajosa compensação do enorme bem estar físico e psíquico que o exercício me traz. Apenas um detalhe me faz sentir velho, ultrapassado, demodé – a incivilidade reinante que, certamente, não é característica da juventude atual, mas apenas uma atitude conjuntural da “cultura acadêmica”. Não se pense pretenda eu, naquele contexto, gozar das prerrogativas da chamada terceira idade. Até me faz bem ser tratado como uma pessoa “normal”. O que me torna deslocado, um ser alienígena, é o descumprimento das mais corriqueiras regras de convivência. Não me refiro – e seria exigir demais – à falta de gestos de cortesia. Mas ao completo desuso de expressões da mais elementar educação, tipo “por favor”, “com licença” e “muito obrigado”. Para não falar na conduta egoística e irritante de monopolizar a um só tempo dois aparelhos, usando-os alternadamente; também na  desobediência à recomendação de, após o exercício, colocar os pesos nos seus lugares; ainda na forma “espaçosa” de se comportar, sem respeito ao “território” alheio; enfim, no flagrante e total desrespeito ao outro. E, note-se, que o meu horário, já escolhido exatamente por isso, é o menos frequentado, com o que esses problemas são bastante minimizados.

Outro dia, porém,  fui agradavelmente surpreendido pela forma cortês e até prestimosa com que fui tratado por um jovem, ajudando-me na regulagem de uma máquina, sorridente e gentil. Cheguei até a supor tratar-se de um novo instrutor. Nada disso, era um cliente assim como eu. Sua “diferença” não era também aquela que você, leitor preconceituoso, pode  estar pensando. O rapaz, que ao terminar seus exercícios, se despediu de mim com um aperto de mão, era realmente uma figura estranha, inusitada, destoante naquele ambiente de incivilizados robôs. Esse “cara”, de quem não sei ainda o nome e que continuou, nos dias seguintes, a me cumprimentar com a simpatia de um velho amigo, era realmente um espécime raro naquele árido ambiente “acadêmico”. Era tão somente um ser humano, uma pessoa, ou resumindo tudo, apenas um jovem educado…

 

* Claro que se trata de um exagero literário; há, realmente, gente ( poucos ) que até, de vez em quando, diz “oi” pra mim…

 

TERÇA NA LEI. POR EDGAR MATTOS.

 

A LEI DA GRAVIDADE

 

Por EDGAR MATTOS

 

 

Esse “causo” não aconteceu comigo. Me foi relatado por um técnico em abastecimento d´água chamado a prestar consultoria em determinado município para instalação de uma adutora. Considerando que a situação topográfica e as disponibilidades municipais indicavam, como solução mais econômica e mais eficiente, a escolha de uma adutora por gravidade, fez o competente consultor recomendações bem claras sobre a imprescindível declividade do terreno, especificando detalhadamente os graus da inclinação necessários para obtenção do rendimento satisfatório na distribuição da água.

Eis que meses mais tarde foi chamado com urgência pelo prefeito que o recebeu visivelmente aborrecido. É que a distribuição de água estava sendo feita de forma precária dando margem a constantes reclamações, a maior parte delas referente á pouca força com que o líquido estava chegando às torneiras.

Constatando facilmente que suas instruções técnicas não haviam sido observadas, meu amigo, pessoa muito tranquila, procurou explicar ao irritado chefe do executivo municipal:

-  Prefeito, sua adutora foi projetada levando-se em conta a lei da gravidade. Construída sem o declive necessário, ela não poderia funcionar a contento.

Foi aí que o Prefeito, homem de pouca instrução e muita arrogância, arrotando importância e prestígio, indagou desafiadoramente ao engenheiro:

-  Seu dotô, não conheço essa tal lei que o sinhô tá falando; me esclareça logo se ela é federá, estaduá ou municipá. Porque se ela for federá, eu consigo do meu deputado um projeto para nós modificá ela;  se for estaduá, falo com o governadô, que é gente minha, e logo tudo será resolvido; agora, se for municipá essa tal lei da gravidez quem vai revogar ela agora mermu sou eu…

-

 

Segunda dos Sábios. Por Edgar Mattos

A INESQUECÍVEL LILI

 

PorEDGAR MATTOS

 

 

Maria José Andrade, no meio educacional tratada simplesmente por Lili, foi uma professora que conheci nos meus primeiros tempos de Secretaria de Educação, eu, então, um jovem e incipiente assessor jurídico, ela, Coordenadora do Núcleo de Supervisão Pedagógica de Limoeiro. Personalidade marcante, exigente, rigorosa, exemplar no cumprimento das suas obrigações, tinha uma aparência dura e rústica, bem característica das abnegadas mestras do ensino rural. No entanto, por sob uma fisionomia severa e tensa, se escondia uma mulher sensível, emotiva a mais não poder, facilmente levada às lágrimas. Vibrava como ninguém com as coisas da Educação e com as  vitórias do Santa Cruz, que comemorava envergando com orgulho a camisa tricolorem pleno trabalho. Umafiguraça a minha amiga  Lili.

Com a  transformação dos Núcleos em Departamentos ela se tornou, naturalmente, Diretora do Departamento Regional de Educação do Vale do Capibaribe, com sede em Limoeiro. À semelhança de outras professoras e dirigentes, devotava aos titulares da Secretaria um verdadeiro culto, tributo reverencial tão autêntico e tão sincero que, pelo menos nela, não se apequenava em intenções bajulatórias.

Para cada Secretário, atribuía ela um adjetivo de exaltação que oficializava colocando-o como timbre de blocos, papéis de ofício e outros materiais de expediente do seu Departamento Regional. Lembro, por exemplo, que para José Jorge, escolheu o qualificativo de “excepcional”, fazendo constar do rodapé dos seus impressos o elogioso epíteto: Prof. José Jorge de Vasconcelos Lima – um Secretário Excepcional. Já para Joel de Hollanda ela escolheu outra louvação:- Joel de Holanda – um Secretário Transcendental.

Acontece que meu antecessor imediato na Secretaria, assim que assumiu o posto,  não sei por qual capricho,  entendeu de exonerar Lili do cargo que exercia há mais de 20 anos. Isso lhe causou imenso choque levando-a até a ser hospitalizada. Três meses depois, no entanto, investindo-me no cargo de Secretário de Educação de Pernambuco, um dos meus primeiros atos  foi reconduzir Lili a suas antigas funções. E o fiz movido, não apenas por amizade, mas sobretudo por um autêntico sentimento de Justiça posto que, como já ressaltei, nenhuma razão plausível existia para substituí-la.

Claro que ela, sentimental como era,  me ficou imensamente grata e, na primeira oportunidade em que fui a Limoeiro fui recebido com uma festa digna de candidato majoritário em campanha: faixas na rua me saudando, fogos de artifício a espoucar  e banda de música a entoar dobrados.

Na oportunidade, brincando com ela na intimidade de velhos amigos  tentei embaraçá-la:

- E aí Lili,  você gastou todos os seus adjetivos com meus antecessores e não sobrou nenhum para mim. Então qual vai ser a minha legenda ?

Mas para minha amiga Lili, oradora eloquente, não haveria de faltar vocabulário para o discurso laudatório. Além disso,  administradora previdente e organizada, não era de se deixar surpreender. Por isso, segura de si, me respondeu com incontido entusiasmo:

- Dr. Edgar, o seu título vai ser o maior de todos. Aliás, já está impresso neste bloco que passo às suas mãos.

E foi com um misto de admiração e acanhamento que,  no rodapé de cada folha do Bloco timbrado do DERE de Limoeiro, pude ler o mais novo exagero de Lili,  do qual, desta feita, o beneficiário era eu::

. Dr Edgar Mattos – um Secretário Inexcedível !

Grande Lili ! Não tive também dificuldade para encontrar agora um adjetivo para homenagear a sua memória. Sem a sua mesma criatividade, escolhi apenas o qualificativo ditado pelo meu sentimento:

- LILI – UMA AMIGA INESQUECÍVEL 1

                        

 

Segunda dos Sábios. Por Edgar Mattos.

O DETECTOR DE MENTIRAS

 

                                               Por EDGAR MATTOS

 

 

Acreditem vocês, minha intenção é apenas a de lhes contar um “causo” divertido. Para fazê-lo, no entanto, tenho que situar o cenário, explicar as circunstâncias. E isso vai implicar numa inevitável autolouvação. Porque vou ter que lhes falar de um dos pioneirismos que marcaram meus tempos de Secretário de Educação de Pernambuco. No caso, a informatização da administração escolar. Com um investimento relativamente modesto, conseguimos implantar um eficiente banco de dados que se constituiu num valioso instrumento de gestão, contribuindo, decisivamente, para a maior eficiência e rapidez do processo decisório

Para que vocês possam avaliar a dimensão daquele progresso tecnológico para a época basta que lhes diga que aquele nosso sistema eletrônico não diferia quase nada do que hoje, 25 anos depois, funciona na Secretaria Estadual de Educação..

Um monitor colocado em minha mesa de trabalho possibilitava-me, não só ter uma visão completa da situação de cada unidade de ensino, como também controlar todas as transferências de recursos para os Municípios.

É que, naquela época, os investimentos municipais na Educação dependiam, essencialmente, das verbas do Salário-Educação repassadas por intermédio das Secretarias Estaduais de Educação em forma de dinheiro ou de bens ( equipamentos e mobiliário escolar ). Cabia à Secretaria adotar critérios  para que essa distribuição de recursos se processasse da forma mais equânime e justa possível, e eu, pessoalmente, me empenhava em fazê-lo sem qualquer ranço de discriminação política..

Como alguns prefeitos, independentemente da sua posição partidária,  eram mais agressivos do que outros no seu reivindicar, era preciso procurar equilibrar as doações, evitando o favorecimento daqueles em detrimento dos mais tímidos. Havia até uns que, empenhados em beneficiar mais e mais seus municípios, eram capazes de tudo, inclusive de artifícios e burlas. Diante dessas matreirices era preciso ficar atento.

Dentre esses mais espertos estava o saudoso Luizito, simpática figura que tal qual um dos papas do nosso mundo cultural, se empenhava em “fazer o tipo’ pitoresco do matuto folclórico. Então Prefeito de Custódia, nosso Luizito  para favorecer aquele município sertanejo, não media esforços, nem respeitava princípios.

Certa feita, chegou ele ao meu gabinete, pedindo, com a veemência de sempre, 100 bancas escolares. De memória, eu ponderei que, no mês anterior, eu já tinha repassado 200 bancas para a sua Prefeitura, a de Custódia. Ele, sem qualquer cerimônia e até de maneira ríspida como era do seu estilo, me contradisse, negando peremptoriamente que tivesse recebido da Secretaria aquela doação.

Foi então que vendo a discussão descambar para um impasse, nesse confronto de palavra contra palavra, resolvi recorrer ao computador que se encontrava  ali mesmo no meu birô. Coloquei o código do município e consultei quais os repasses e doações feitos para Custódia nos últimos três meses. E, ali na tela do monitor, á vista de todos, de forma irrefutável, confirmava-se o que eu estava dizendo: 200 carteiras escolares haviam sido repassadas recentemente para o município.

Sem argumento para contrapor-se à tecnologia, Luizito, com a maior cara de pau, declarou alto e bom som para espanto dos circunstantes:

- É danado. Agora com esse tal de computador a gente não pode mais nem mentir…   

 

 

Segunda dos Sábios. Por Edgar Mattos.

LÍNGUA FERINA

 

Por EDGAR MATTOS

 

O deputado D.N. era conhecido por sua língua ferina. Arguto, malicioso, se escudando numa conveniente fama de folclórico, não olhava obstáculos para se promover politicamente, ignorando  laços corporativos e até as amizades.

Seguem três exemplos. dessa sua irreverência ( para usar de um eufemismo ).

( 1  )

 

Sávio Vieira, Secretário do Trabalho no Governo de Roberto Magalhães, recentemente falecido, reconhecidamente um homem de posses, resolveu comemorar o seu aniversário em conhecida boate de Boa Viagem por ele “fechada” para essa sua festa particular. Convidou os colegas de governo e o mundo político. Ausente apenas o governador, por estar fora da cidade. A certa altura da  noitada, o deputado D.N., copo na mão, degustando a pureza de um legítimo escocês, sussurrou ao meu ouvido:

- Veja só, Secretário, o Governador com tanta austeridade e no entanto vemos aqui esse auxiliar dele esbanjando tanto nesta festa…

Depois dessa tão surpreendente quanto infundada crítica ao seu generoso anfitrião, o severo deputado tomou mais um gole de whisky e continuou, muito à vontade,  a curtir as benesses do agradável  “esbanjamento”…

( 2 )

 

Numa tarde, após despacho com o governador, transitava eu pelos corredores do Palácio do Governo quando, numa das sacadas que dão para o pátio interno, encontrei conversando em íntimo colóquio os deputados D.N. e J..L.M..

Ao serem cumprimentados por mim eis que o deputado J.L.M., um dos melhores quadros da Assembleia, num raro momento de infelicidade, me interpelou:

- Secretário, como é que o senhor faz uma reunião com todos os dirigentes de escolas de Jaboatão e não me convida a participar ?

Estranhando esse comportamento atrevido do parlamentar, com quem sempre mantivera um relacionamento cordial e respeitoso, repliquei energicamente:

- Como é que é deputado ? Não confunda as coisas. Quando se tratar de algum evento festivo promovido pela Secretaria nos seus redutos eleitorais o senhor será sempre convidado. Agora, reuniões de trabalho são assuntos privativos dos servidores e eu não preciso sequer lhe comunicar a sua realização, muito menos admiti-lo a  participar..

Verificando a bobagem cometida, o deputado desculpou-se e o clima de cordialidade se restabeleceu. Despedi-me e, quando já ia saindo, o deputado D.N  afastou-se um pouco do seu companheiro de Assembleia e, com ar conspiratório, me cochichou ao ouvido:

- Secretário, esses meus colegas me matam de vergonha…

 

( 3 )

 

Quando aquele seu maior adversário político, notoriamente destituído de qualquer saber jurídico, assumiu o Ministério da Justiça, D.J. logo criou,  para comprometê-lo, uma irreverente historinha.

Dizia ele que o novo ministro, ao consultar um assessor sobre o disciplinamento normativo de determinado assunto, ouviu como resposta que teria que consultar o Vademecum(*). Logo em seguida, outra indagação e a mesma resposta: – “Tenho que consultar o Vademecum”. Finalmente, mais uma dúvida ministerial e, novamente, igual resposta: -“O jeito é consultar o Vademecum”.

Aí o Ministro não se conteve:

-  Estou vendo que esse tal de Vademecum é a pessoa mais competente desse Ministério. Gostaria muito de conhecê-lo…

E foi assim que o nosso Ministro foi apresentado ao Vademecum – concluiu com uma impiedosa risada o cruel D.N.

 

(*) para quem não é versado em assuntos jurídicos explicamos que o VADEMECUM é uma Coletânea das Leis ( Constituição, Leis Complementares, Códigos, Lei Ordinárias etc ) enfim, um conhecido e básico instrumento de trabalho do advogado. Claro que o deputado, no afã de ridicularizar o seu adversário político, exagerou na dose. Certamente o Ministro desconhecia o Vademecum porque preferia a Carteira Forense…

 

 

 

 

Torpedaço de Edgar Mattos.

O  DEPUTADO M.R.(*) E SUA “FILOSOFIA”

 

Por EDGAR MATTOS

 

M. R., um próspero comerciante de estivas que se fez político e deputado, era um homem simples e espontâneo. Assim, não escondia de ninguém e, ao contrário, gostava de explicar como e porque se tornara comerciante e, por consequência, um homem rico.

Calunga de caminhão perdera um braço numa capotagem do veículo. Incapacitado para continuar exercendo aquele mister, trabalho eminentemente braçal, viu-se compelido a dedicar-se ao comércio. Logo se revelou um vocacionado para essa atividade na qual logrou pleno êxito.

E arrematava sua história de vida com uma lógica impecável, exibindo com orgulho a manga do paletó vazia de braço:

- Dou graças a Deus por ter perdido este braço. Com ele eu seria, até hoje, um simples calunga de caminhão…

*******************************

 

Doutra feita, em sua cidade natal, Belém de Maria, falando para um auditório de professoras, saiu-se com uma história um tanto ou quanto politicamente incorreta.

Disse ele que, quando era menino, sempre ouvia falar, com muita admiração, do professor Adalberto, reverenciado por todos como o homem  mais culto do município.

Certo dia, sua mãe lhe pediu para levar uma encomenda na residência do citado mestre. Chegando lá, o menino M.R. ficou verdadeiramente chocado com a extrema pobreza da moradia do professor. E, ao voltar para casa, comunicou, firmemente,  a sua decisão :

- Mãe, vou deixar de ir à escola; não quero mais estudar..

- Por que, meu filho, o que aconteceu ?, retrucou surpresa a sua genitora.

- É que, mamãe – explicou M.R. com uma lógica insofismável – se o professor Adalberto que é o homem mais sabido da cidade vive naquela casa tão pobre, eu não sei pra que é que vai me servir estudar…

 

************************

 

Numa missa solene a que assistíamos juntos, por ocasião da reza  do Pai Nosso, quando os fiéis costumam se dar as mãos, o deputado M.R, percebendo as inúteis tentativas da sua vizinha da esquerda em segurar a sua mão, inexistente sob a manga do paletó, teve que se apressar em explicar constrangido:

- Tem não, bichinha, tem não…

 

(*) Um amigo, mais experiente do que eu, aconselhou-me a não identificar, com nome completo, os protagonistas dessas historinhas, para me poupar de eventuais incompreensões. De qualquer forma, cumpre advertir: qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas não será mera coincidência

 

 

Torpedaço de Edgar Mattos.

DEUS, SEGUNDO SPINOZA 


“Pára de ficar rezando e batendo o peito! O que eu quero que faças é que saias pelo  mundo e desfrutes de tua vida. Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que Eu fiz para ti.

Pára de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo construíste e que acreditas ser a minha casa.

Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas praias. Aí é onde Eu vivo e aí expresso meu amor por ti.

Pára de me culpar da tua vida miserável: Eu nunca te disse que há algo mau em ti ou que eras um pecador, ou que tua sexualidade fosse algo mau.

O sexo é um presente que Eu te dei e com o qual podes expressar teu amor, teu êxtase, tua alegria. Assim, não me culpes por tudo o que te fizeram crer.

Pára de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo. Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar de teus amigos, nos olhos de teu filhinho… Não me encontrarás em nenhum livro!

Confia em mim e deixa de me pedir. Tu vais me dizer como fazer meu trabalho?

Pára de ter tanto medo de mim. Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem te incomodo, nem te castigo. Eu sou puro amor.

Pára de me pedir perdão. Não há nada a perdoar. Se Eu te fiz… Eu te enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio. Como posso te culpar se respondes a algo que eu pus em ti? Como posso te castigar por seres como és, se Eu sou quem te fez? Crês que eu poderia criar um lugar para queimar a todos meus filhos que não se comportem bem, pelo resto da eternidade? Que tipo de Deus pode fazer isso?

Esquece qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei; essas são artimanhas para te manipular, para te controlar, que só geram culpa em ti. Respeita teu próximo e não faças o que não queiras para ti. A única coisa que te peço é que prestes atenção a tua vida, que teu estado de alerta seja teu guia.

Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho, nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso. Esta vida é o único que há aqui e agora, e o único que precisas.

Eu te fiz absolutamente livre. Não há prêmios nem castigos. Não há pecados nem virtudes. Ninguém leva um placar. Ninguém leva um registro.

Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno.

Não te poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso te dar um conselho. Vive como se não o houvesse. Como se esta fosse tua única oportunidade de aproveitar, de amar, de existir. Assim, se não há nada, terás aproveitado da oportunidade que te dei.

E se houver, tem certeza que Eu não vou te perguntar se foste comportado ou não. Eu vou te perguntar se tu gostaste, se te divertiste… Do que mais gostaste? O que aprendeste?

Pára de crer em mim – crer é supor, adivinhar, imaginar. Eu não quero que acredites em mim. Quero que me sintas em ti. Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada, quando agasalhas tua filhinha, quando acaricias teu cachorro, quando tomas banho no mar.

Pára de louvar-me! Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que Eu seja?

Me aborrece que me louvem. Me cansa que agradeçam. Tu te sentes grato? Demonstra-o cuidando de ti, de tua saúde, de tuas relações, do mundo. Te sentes olhado, surpreendido?… Expressa tua alegria! Esse é o jeito de me louvar.

Pára de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te ensinaram sobre mim. A única certeza é que tu estás aqui, que estás vivo, e que este mundo está cheio de maravilhas. Para que precisas de mais milagres? Para que tantas explicações?

Não me procures fora! Não me acharás. Procura-me dentro… aí é que estou, batendo em ti.

Baruch Spinoza.

 

Segunda dos Sábios. Torpedaço de Edgar Mattos.

       A   POLÍTICA É MUITO DINÂMICA…

                                                           Por EDGAR MATTOS

O deputado Cintra Galvão, com base eleitoral em Belo Jardim, era   (parece que ainda está em atividade ) um típico representante da classe política. Pragmático, não conhecia limites de qualquer natureza na sua disputa pessoa lcom os Mendonça pela hegemonia daquele município.

Certa feita, fez séria denúncias contra o Presidente da autarquia municipal mantenedora da Faculdade de Formação de Professores de  Belo Jardim. Instaurado o inquérito e apurada a procedência das irregularidades apontadas, procedeu-se ao afastamento do presidente daquela instituição.

Como Presidente do Conselho Estadual de Educação, á época, acompanhei de perto esse processo. Pois bem. Alguns anos depois, estava eu Secretário de Educação, quando surge em meu gabinete o deputado Cintra Galvão, acompanhado de um rapaz em favor do qual vinha ele postular uma contratação como professor.

Aqui, tenho que explicar. A Constituição de então não exigia o concurso como forma de provimento dos cargos públicos, vigorando o vergonhoso “critério” da indicação política cujos malefícios para o ensino,  nós, os técnicos, procurávamos atenuar, exigindo dos candidatos o preenchimento de alguns pré-requisitos mínimos,  evidenciadores de uma certa competência profissional. (x)

Olhando mais atentamente para o tal rapaz pareceu-me que ele não me era estranho. Como reconheço não ser bom fisionomista, chamei o deputado de lado e indaguei:

- Deputado, desculpe perguntar mas esse seu candidato não é aquele ex-presidente da autarquia educacional de Belo Jardim, afastado do cargo por improbidade administrativa em decorrência de suas próprias denúncias ?

Ao que o deputado, com irretocável  cinismo, confirmou:

- ´É ele mesmo, Secretário, mas como o senhor sabe a política é muito dinâmica…

É claro que, mesmo com esse argumento tão forte, o pedido do deputado não foi atendido. Talvez porque o Secretário não fosse tão “dinâmico” como a política…

( Dedico esse “causo” ao momento político do ClubeNáutico Capibaribe, um exemplo de dinamismo …)

(x) Em 1985, fiz realizar um Concurso Público para provimento de cargos do Magistério,  restabelecendo uma prática interrompida durante quinze anos.

Torpedaço de Edgar Mattos.

                              MEU RUIM CABELO BOM

 

           Por EDGAR MATTOS

 

Antes que os politicamente corretos me patrulhem antecipo-lhes que percebo o viés racista dessa arbitrária classificação dos cabelos. Isso porque hoje já estou  devidamente instruído sobre os discutíveis critérios dessa preconceituosa qualificação capilar. Não era assim na minha adolescência quando, para mim, cabelos eram apenas algo a pentear. E, é exatamente sobre essa minha pragmática preocupação que versa esta crônica situada no contexto daqueles meus  verdes anos.

Naquela época usava eu o penteado que me fora imposto por minha mãe. Repartido de lado, à esquerda, com um topete pelo lado direito, certamente algum modelo copiado de algum artista de cinema. Mas, para meu desespero, nessa fase de despertar da vaidade,  esse meu penteado logo logo se desfazia assim que os cabelos secavam e o vento os arrepiava. É que meus cabelos eram finíssimos e, mesmo com o auxílio de um pouco de Glostora – o fixador da época, não conseguiam se manter compostos, sobretudo os daquela trunfa facilmente desalinhada ao sopro da mais ligeira brisa.

E aí, para meu maior desgosto, a comparação era inevitável. Os penteados dos meus  mais íntimos amigos de adolescência permaneciam sempre inalteráveis. Nada os arrepiava. Isso – confesso – me causava uma profunda inveja. Mais que isso, cheguei mesmo a ter vergonha dos meus cabelos. Foi quando alguém me informou, sem qualquer propósito de menosprezo, que, quando eu corria jogando futebol, meus cabelos oscilavam para cima e para baixo ao ritmo de minhas passadas. Que problema ! Realmente, tão preocupado fiquei com esse vexame dado por  minha indisciplinada cabeleira, que passei a usar um gorro, oportuno recurso para me poupar do constrangimento de ter cabelos assim tão…………………..ruins !

Daí que, tempos mais tarde, fiquei muito surpreso um dia quando me revelaram que esses meus cabelos assim tão finos  quanto rebeldes eram considerados, por científica regra sociológica, “cabelo bom”. Em oposição,  aqueles dos meus amigos, outrora tão invejados por mim, porque fixos, inabaláveis, à prova de vento, eram classificados como “cabelo ruim”.Vejam bem quão relativos são esses critérios de qualificação. Como o bom pode se afigurar ruim e vice-versa.

De qualquer forma, nada como o tempo para resolver nossos problemas. Com o passar dos anos, uma progressiva careca foi se alastrando testa a dentro em minha cabeça de tal sorte que já não tenho que me preocupar muito com penteados. Portanto, situação definitivamente solucionada.  Por consequência, para meu alívio, já não tenho que enfrentar aquela transcendental questão da minha classificação capilar. Atualmente ela também restou sem maior sentido. Afinal, hoje em dia, posso dizer com absoluta segurança, sem o menor constrangimento: meus cabelos não são nem bons, nem ruins. O que eles são mesmo é …………………inexistentes !

 

Comentário do Ano.

” Por vezes tenho a impressão que os cães estão um degrau adiante de nós na cadeia da evolução…”

   EDGAR MATTOS.

 

 

 

PARABÉNS EDGAR MATTOS.

Lembro que quando tinha algo em torno dos 12 anos,escutar meus 3 irmãos mais velhos “tramando” um jeito de convencer o meu pai à ceder o carro nas noites de sábado. Enquanto um jogava para o outro o “argumento” certo eu entrava com minha opinião e quase sempre era aclamado.E dava certo. É mais ou menos assim que eu vejo o nosso caçula Edgar.
Sempre com a palavra certa, correta e elegante (longe de exibicionismos gramaticais) . Seja opinando,discordando,dizendo,contra-argumentando… vê-se logo estarmos diante de um cidadão exemplar.Um amigo sincero e sem outros interesses.
Como alvirrubro está longe dos tipos radicais que chamo de Idiotimistas e Apocalípticos. Edgar é realista.Com a dose certa de “torcedor”. Tivessemos mais meia dúzia dele no clube e eu dormiria tranquilo.
Infelizmente só estive com ele ao vivo e em cores uma vez (justamente quando também conheci os brodas/irmãos Arsênio e Domingão). Mas foi o suficiente para comprovar que ele é o que escreve.
Para mim é uma honra e um orgulho fazer parte das suas pessoas queridas e estimadas.
E para não perder a musicalidade,invoco a canção do genial produtor Phill Spector para falar do Edgar: TO KNOW HIM IS TO LOVE HIM”.
 
Parabéns mestre! Muitas felicidades.
 
                                                         João Carlos.
 
PS: Parei de beber aos domingos. Mas hoje vou brindar ao nosso caçula com convicção e satisfação.
 

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MENSAGEM AO NOSSO AMIGO EDGAR MATTOS NO DIA DO SEU ANIVERSÁRIO
Digam a meu amigo Edgar Mattos
Que às vezes me sinto calhorda, mas reajo, graças a seus conselhos, a sua presença, mesmo quando não física, mas de toda forma presença, espiritual ou aquela que viaja através das lembranças que todos nós cultivamos em um secreto reduto.

 É lá que travamos, em longas jornadas dentro da noite veloz, o duelo constante das nossas próprias interrogações.

Digam-lhe que meu sentir me diz que Deus me deu um amigo porque o mereci, posto que, de tantos que já tive ou tiveram em mim, o sumo se espremeu para converter o vinho ou sangue, talvez, na redenção da ferida que se armou em coágulo.

Digam-lhe que ele luta, luta e luta, e nada será em vão; um ser humano a serviço do bem comum, justo e valente como o ardor do homem só, a postos, diante de um esquadrão de soldados arrogantes;  contemplativo ante a parte esquálida e esquecida da face mais triste de uma menina chamada Terra;

Digam-lhe que o sabemos humano, mas mais que humano, humanamente esperançoso, de que a vida se converta, para todos, em júbilo e serenidade.

Que estou perfeitamente esclarecido da necessidade de nos revermos o mais breve.

Digam-lhe, discretamente, ou por meio de anúncios em alto-falantes
Que revê-lo será sempre uma alegria boa demais: que se ele não mandar buscar os amigos antes, certamente Os levaremos conosco, que quero muito
vê-lo tranquilo, cercado pelo aroma da permanência de todos os seus.

Digam, por favor ou por tudo neste mundo a meu amigo Edgar Mattos, que é pena não estar chovendo aqui neste dia tão cheio de alegria e de memórias.

Mas que brindaremos à sua saúde, e ele há de estar entre nós
O bravo Capitão Edgar, avis rara como pai, amigo e chefe de uma família que elide, ao menos parcialmente, uma boa cota dos pecados do homem;

Grave em seu gorro de campanha alvirrubra, suas sobrancelhas e seus olhos circunflexos  não escondem o amigo sempre afetuoso em seu olhar experiente e comovido;

Mas digam-lhe que não esqueceremos jamais, do seu rugido feroz, que surge quando os incautos ferem a justeza das razões.   
Abnegado em prol do bem-querer e da civilidade, mas agilíssimo em seu modo de falar ao telefone,
brindaremos à sua figura única, à sua poesia única, à sua paixão, e ao seu cavalheirismo;

Lá, entre as velhas paredes renascentes e os doces montes cônicos de feno;

Lá onde o vento descobre-se uma estrela inusitada;

Lá, na casa de sua infância, ou na sua casa repleta de ternura, ou no Estádio encarnado e branco que o ilumina
Digam-lhe:

Que ele seja feliz para sempre, e forte, e se lembre com saudades
de nós todos e (perdoem-me a angústia) especialmente de mim.

No dia 23 de outubro  (digam-lhe urgentemente) que nós resgatamos todas as alegrias do mundo, para abraçá-lo, com carinho, comoção e gratidão, pois Edgar ensina, aos que estão perto/longe do seu coração e com rara galhardia, a difícil tarefa de CON-VIVER.

ARSENIO MEIRA DE VASCONCELLOS JÚNIOR

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AMIGO POR VOCAÇÃO

Outro dia, vislumbrei palavras carinhosas, respeitosas e amigas. Eram como um aperto de mão, um aceno tão perto que resolvi prestar atenção.

Palavras benfazejas, amparadas num caráter digno e generoso, ao que tudo indicava.

Mais outro dia e outro e outro e outras palavras, mais palavras, fazendo um itinerário que eu queria buscar, todos juntos queríamos buscar a bordo de um Fusca pequeno e grande, ao mesmo tempo.

Hoje não tenho mais dúvidas sobre as palavras e o coração. Elas já chegaram à porta da minha casa para me presentear, como se fosse preciso… Depois da frustração de não conhecer os mosqueteiros, uma bandeira branca me chegou às mãos através de um deles e, confesso, chorei. Desde então, não consigo mais ficar sem esperar um email, uma palavra, uma troca precisa de alguém que escuta minhas bobagens como se fossem verdades pontuais, ainda deixando um dica, uma sugestão, um oferecimento incondicional…

Meu querido amigo Edgar, o que te dizer neste dia? Com estas palavras meio apressadas e improvisadas, embora sinceras, permita-me te parabenizar: cavalheiro generoso, amigo por opção, talvez, por vocação…acho mesmo: por vocação. Obrigada, meu amigo.

Que Deus te multiplique as bem-aventuranças, a força, a coragem e a fé que sempre foram tuas companheiras. Teu paizinho, teus familiares aqui e no céu, certamente, te saúdam neste dia. Recebe as bênçãos do Nosso Senhor. Segue tua trilha de dignidade, estreitando passado, presente e futuro como se fossem um só tempo, como, de fato, são. Tens plantado boas lições em todos nós e naqueles do teu convívio –  preocupação maior de tua vida. Quando um avô fala, até as estrelas param pra escutar, já te disse isso. Que nunca te falte, portanto, clareza e sensatez para adquirires mais e mais lições neste teu caminhar.

Louvado seja Deus e que Ele te abençoe sempre!

Parabéns!

Abração!

Magna

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Assim lhe brinda Edgar, o engenheiro do Fusca ANDRÉ GUSTAVO:

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Este Mural ainda não está concluído. Falta Houldine, que com muita generosidade tem escrito para o blog e mandou sua coluna com esforço e de madrugada.
Falta Osvaldo, Falta Tadeu Rocha. Carlos Maia. Presentes todos na verdade, mas à guiza de, quando chegarem a gente vai postando.
Então eu vou tentar num poemito atrevido.
É ousado fazer um poema. Para o irmão caçula é prá torar o toitiço na requenguela:

” Há um querer bem que não se explica
que os nomes nem chegam perto,
que os olhos não alcançam,
mas que o coração traduz.
Há um sentir que conforta,
nos momentos em que a vida é mar revolto
os nossos mundos se estreitam
e o abraço faz-se presença à mesa.
Há um querer bem que nos alimenta
nos aviva, seiva benfazeja.
Sim, todas as vezes sim,
eu quero
sempre estar presente.
Tua companhia é alegria
o querer bem que abre uma eternidade de esperanças
a lealdade de que nos agiganta
e nos ensina o que é a amizade.”

Domingos.

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Nesse momento mais que especial, deixo os meus cumprimentos ao homem que, certamente, é um exemplo para todos nós.
Uma pessoa de grande coração, um humanista por excelência, grande caráter.
Sempre nos felicita com os seus belos textos, seja aqui no Blog de Domingos, seja no Blog do Roberto. E com sua reconfortante presença.
Construímos uma sólida amizade e agradeço a Deus por isso sempre.
Desejo que ele continue a ter saúde, paz, felicidade e o melhor que a vida tem a oferecer.

Ao nosso querido Edgar Mattos, meus parabéns.

Houldine Nascimento.

O hai-kai do ano. Por Edgar Mattos.

…garimpando poemas nos comentários. Excelente hábito que estou fazendo com que vire regularmente um hábito tão saudável quanto respirar.

E eis que encontro uma definição de saudade, uma não duas. Uma de Edgar Mattos outra de Bob Marley(também citado por Edgar). Eita nóis. Quem não leu , lê de novo aqui e nos comentários. Vale a pena. É lindo:

“Quanto maior o nosso passado maiores nossas saudades. No meu caso, quantas…! Dentre elas, a saudade de mim mesmo. Do que já não sou…”

Edgar Mattos.

 
E, para contribuir com as citações, lembraria a de Bob Marley: saudade é sentimento que quando não cabe no coração escorre pelos olhos !

É ou não é de torar ?

Então vamos colocar um vídeo também prá torar:

 

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