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Arquivo da categoria: Domingos – Poemitos Atrevidos

Poemito atrevido. De novo…

Para Magna Santos,Edgar Mattos, Arsênio Meira, Tadeu Rocha, João Carlos, André Gustavo, Oswaldo.

Eu tenho amigos poetas

Tenho amigos poetas

que  chegam em versos,

em

 gestos elegantes.

Eu tenho amigos poetas

que sabem quando

bile é bala

bala é doce

amor no ponto

ódio nunca.

Eu tenho amigos poetas

que encantam sempre,

todo dia

todo palavra

toda mensagem

toda música.

Sempre presentes

como o céu

e a terra.

Como a vida, a luz

e a respiração.

Eu tenho amigos poetas

que sabem de mim,

são meu coração em mim

e velam pela minha paz.

Minha bússola,

sem eles:

eu andaria só,

a vida seria estreita,

os nós apertados,

a voz embargada,

a comida, fria.

Eu tenho amigos poetas

e eles estão sempre perto,

e meu coração

quando os vê

vira óasis

em pleno deserto.

PS – A música da minha vida são meus amigos. Eles regem com a minha família o meu maior e único tesouro: a razão de eu estar vivo. Nem o trabalho ocupa este lugar. Nem poderia. Só há um lugar na terra onde vivo em paz: é o lugar onde habitam meus amigos e mesmo distante deles, nunca me separo. E mesmo só, nunca me sinto triste. Porque quem tem um amigo tem um tesouro. E assim a gente pode cair e levantar, errar e pedir perdão e seguir adiante. Porque para mim este é o sal da vida. Amém.

Poemito atrevido …

Dois Séculos

 

Eu te conheci

antes mesmo das palavras

que um dia

iam virar versos.

Eu, te perdi

antes mesmo de achar

o lugar onde meu coração se espraiava.

Tão generosos os dias

 Tão longas as noites,

 Emagreci,

mudei roupas e rosto,

em mim um novo homem.

Perdi a luta para um amor amorfo,

na festa do dia em que fizemos anos

na noite em que te disse adeus,

nas cartas que guardei,

 pura teimosia.

A poesia dos poetas menores

é sempre um conformar-se pelo que poderia ter sido,

a poesia atrevida não enxerga, é míope,

ela faz no seu ritmo a culpa se dissolver

como se não bastasse o talento,

fosse preciso demonstrá-lo.

Este amor foi encantado e durou pouco,

os dias foram passando e quase sem dor

eu me vi de novo a caminhar pela terra;

 amar só faz bem,

é assim que só agora, dois séculos depois

eu consigo te dizer obrigado…

 

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