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Arquivo da categoria: Coluna do João Carlos

SÁBADO SOM. POR JOÃO CARLOS DE MENDONÇA.

 B E N N Y    G O O D M A N

Assim como o “blues” , foi por volta de 1926 que o JAZZ de New Orleans virou mania em Chicago, e quase todos os músicos e acadêmicos passaram a dedicar horas estudando seus fundamentos.

Todavia, o garoto BENJAMIM DAVID GOODMAN preferia se aprofundar mais ainda na música clássica, à qual vinha se dedicando desde os 12 anos,estudando na sinagoga e na Hull House.

Já era então considerado um prodígio, tanto que ao se apresentar no Teatro Central Park da cidade, passou à ser cortejado pelos músicos adultos com os quais se apresentaria várias vezes e, já aos 16 anos, gravaria seu primeiro disco atuando como clarinetista (seu instrumento favorito) na banda de BEN POLLACK.

Até cerca dos 21 anos, GOODMAN participou dos discos de vários artistas, e só por volta de 1934 formou sua própria banda.

Ele reconhecia os méritos do jazz “carnavalizante” oriundo de New Orleans mas achava que com temas mais consistentes e menos óbvias “improvisações”,as coisas seriam outras.

Os arranjos maravilhosamente bem amarrados de GLENN MILLER eram o que o facinava e BENNY GOODMAN preferiu seguir esta estrada, acrescentando seu toque pessoal, seu balanço incomparável.

De início, permaneceu com sua orquestra como atração permanente em Los Angeles e posteriormente em sua Chicago. Essas apresentações ganharam notoriedade ao ponto de serem transmitidas pelas rádios, ao vivo.

Noutras palavras, não só os previlegiados frequentadores daqueles clubes noturnos dançavam ao som de sua “big band” mas, sintonizados naquelas rádios, todos os frequentadores de lanchonetes, bares e até mesmo nas residências, bailavam ao som de Goodman. Sua fama logo se espalharia pelo mundo e com sua orquestra formada por negros e brancos (parece lenda mas foi a primeira com tal formação), BENNY GOODMAN passaria a ser reconhecido como o REI DO SWING e o melhor clarinetista da época.

Curiosamente,sua orquestra era considerada então como “de jazz” , chegando ao topo quando sua apresentação no CARNEGIE HALL em Nova York foi ovacionada, além de  registrada em disco. Para se ter idéia da proporção do seu prestígio, foi a primeira jazz band americana à se apresentar na União Soviética. Isto em 1962, com a “guerra fria” quentíssima ,vodkas e balalaikas. Também caiu nas graças de Hollywood participando de mais de 6 filmes,entre estes, “ENTRE A LOURA E A MORENA com Carmem Miranda.

Seus incontáveis discos vendiam bastante e até os tempos atuais são periodicamente relançados. Entre 1970 e 1985,BENNY GOODMAN se recolheu, adoentado. Mas naquele último ano, durante o Kool Jazz Festival de Nova York, reuniu a meninada e incendiou o ambiente com seu inigualável “swing” , numa apresentação apoteótica. Como era do tipo que “sabia das coisas”, Benny sentia que já tinha cumprido sua missão e em 13 de junho de 1986 “encantou-se”. Vale ressaltar que de sua banda sairam vários grandes nomes do jazz americano. Entre tantos, HARRY JAMES ( trompete), GEORGIE AULD (sax tenor) e o pianista JESS STACY. Chamavam-no “patriarca do clarinete”, “rei do swing” mas Benny Goodman era apenas um gênio !

 

SÁBADO SOM. POR JOÃO CARLOS DE MENDONÇA.

 D E E P    P U R P L E

Meu pai tinha acesso livre à discoteca das rádios gêmeas, CLUBE e TAMANDARÉ, que funcionavam no saudoso Palácio do Rádio (Av. Cruz Cabugá). Lá trabalhava um rapaz negro,bastante atencioso e antenado, que nos tratava com especial atenção e boa vontade. Não lembro o seu nome, mas sei que era discotecário (recebia,catalogava,armazenava e selecionava as músicas e discos requisitados pelos programadores). Um dia,nos revelou que que tinha um projeto para um programa semanal,aos sábados,exclusivamente de rock (e suas vertentes), que seria então, pioneiro aqui em PE. Mas vinha encontrando dificuldades para convencer seus superiores. Ele seria o produtor, escreveria os textos e selecionaria as músicas e os artistas. Mas não seria o locutor (sua voz não ajudava). Meu pai comprou a idéia e como tinha muita credibilidade com o pessoal dali,defendeu com argumentos irrefutáveis o programa que, juro,também não lembro o nome.Parece que era SÁBADO ROCK. O Programa estreou às 15 Hs pela Rádio Tamandaré (a dona do pedaço,então) e teve um retorno surpreendente. O rapaz selecionou um monte de bandas e artistas solos dos quais a maioria eu desconhecia. Lembro do Black Sabbath, Bob Dylan e de uma desconhecida banda chamada DEEP PURPLE com sua Smoke On The Water que pegou todo mundo de surpresa. Muito  oportunamente, a segunda edição do programa foi inteiramente dedicada ao Deep Purple, em especial,ao seu recém lançado LP, MACHINE HEAD. E não se falava noutra coisa na cidade. Para alegria de todos,choveu patrocinadores atrás de espaço e meu pai,claro,correu para comprar aquele discaço.

O DEEP PURPLE revelou vários músicos e vocalistas que fizeram história e ainda estão atuando em bandas de rock atuais, todavia sua formação e seu som inimitável, centrava-se na guitarra veloz e melódica de RITCHIE BLACKMORE, no órgão envenenado com distorção do virtuoso JON LORD, na fantástica bateria de IAN PAICE, no baixo certeiro de ROGER GLOVER e nos vocais de IAN GILLAN (que até hoje é referência dos histéricos vocalistas do “metal”).  Entre 68 e 69, a banda lançou 3 discos sem muito retorno. Mas já com sua formação clássica,o PURPLE começou à fazer história, moldando um rock pesado (definido como hard rock) claramente inspirado na música erudita, base da formação musical de Blackmore e Lord. Tudo isso sustentado por um balanço e uma “pegada” irresistíveis. Quando o PURPLE e o LED emularam o “heavy metal” ,antes de tudo, exigia-se criatividade,harmonia e originalidade no rock. Pena que seus seguidores dos 80 prá cá, desvirtuaram o estilo, resumindo-o à zoada,velocidade e um vocalista pedindo socorro à beira do abismo. O melhor da banda está em seus 7 álbuns lançados entre 1970 e 1975. As pérolas são: In Rock (70), Fireball (71), Who Do We Think We Are (73), Burn (74), Stormbringer (74) e finalmente, Come Taste The Band (75). Todos fundamentais, especialmente COME TASTE THE BAND, onde usaram elementos e balanços do “funk”. Mas peraí ? O que eles fizeram em 1972 ?

Em 1972, alugaram a unidade móvel de gravação dos Stones e foram para Montreux,na Suiça, “cometer” um dos melhores discos de rock da história, recheado de clássicos, discoteca básica, item fundamental para qualquer colecionador.  MACHINE HEAD, o disco, deveria ser obrigatório nas escolas de artes. Talvez os atuais metaleiros estivessem fazendo algo digno. E aqui,cabe um acontecimento que entraria para os anais da música contemporânea. Quando o grupo já estava finalizando o projeto, resolveu assistir à apresentação de Frank Zappa e sua banda Mothers Of Invention, no já então reverenciado FESTIVAL DE JAZZ DE MONTREUX. Acontece que no ápice do show, um fã tresloucado resolveu inadvertidamente, disparar um sinalizador de embarcações na direção do teto. A coisa quase vira catástrofe. As cortinas do teatro começaram à arder em chamas,o show foi cancelado e o público retirado com segurança do local que, ficava à beira mar (ou seria um rio ?). Este episódio poderia passar batido, uma quimera, não tivesse inspirado a banda a criar um dos mais significativos rocks de todos tempos,cujo “riff” de guitarra é considerado o “melhor” já escrito, e que acompanha a letra que narra exatamente todo  aquele acontecimento. A canção é ela mesma, Smoke On The Water.  Além dessa maravilha, o álbum tem a hiper-eletrizante Highway Star, que o “velho” adorava,especialmente pelos solos de guitarra e órgão lindamentes “bachianos” (confiram!). Na cadenciada Maybe I’m A Leo, os solos acentuam as vertentes jazzísticas dos músicos. Outra maravilha do disco, que chegou imediatamente às paradas foi um rock prá lá de elegante chamado Never Before. MACHINE HEAD  tinha (tem) ainda, LAZY, PICTURES AT HOME e a estonteante Space Truckin’.

Sempre que escuto as canções deste CD e aprecio sua capa, minha mente e meu coração voltam-se para aquele período. Lembro daquele prédio da Cruz Cabugá, de Dona Lourdes Sorel e Zezé,  do meu pai… mas confesso que não me perdôo por não lembrar o nome daquele rapaz que entrou em minha história. É prá ficar realmente deep purple de vergonha!

Sábado Som. Por João Carlos de Mendonça.

  

 

J O R G E   B E N    J O R

Chega a ser surpreendente constatar o quando Jorge Ben Jor vem mantendo uma carreira musical perene desde 1963. Seu “site” oficial não disfarça a imodéstia ao trata-lo como única unanimidade na MPB. Realmente,para mim, Jorge Ben Jor é de fato um fenômeno singular, goste-se ou não de sua arte. Tecnicamente, trata-se de um artista extremamente limitado. É um músico de poucos recursos,um melodista simplório e um letrista óbvio.Mas sempre “correndo por fora” conseguiu emplacar sucessos consecutivos como cantor e como compositor, com os mais variados intérpretes e de vários movimentos musicais, desde a Bossa Nova até os dias atuais. Até a “patrulha ideológica” dos anos de chumbo, sequer ousou fustiga-lo, mesmo sendo ele o autor de um hino ufanista como País Tropical. Preferiram caçar o intérprete,o Simonal.

Jorge, nunca escreveu uma canção verdadeiramente antológica.Digna de enciclopédia de MPB. Seus grandes e muitos sucessos são canções agradáveis,geralmente balançadas,malemolentes e não raro,de letras até, ora incompreensíveis ora juvenis ou primárias. No entanto conseguem chegar ao gosto popular tanto quando ganham a simpatia e a admiração de seus pares. Aqui e alhures. Sua segunda música lançada, MAS QUE NADA ,não só foi apenas regravada exaustivamente no exterior,  foi a única (isso mesmo: única) música em “português” a alcançar o 1º lugar nas paradas americanas. É mole ?

No auge da Bossa Nova, Carlos Imperial até tentou empurrar sua rapaziada no movimento.Mas seus protegidos da Turma da Tijuca não foram bem aceitos. Eram o Tim Maia,Roberto Carlos,Erasmo e o Jorge Ben. Este último que,curiosamente curtia LUIZ GONZAGA e ATAULFO ALVES, fazia um samba tão longe das raízes tradicionais quanto da sofisticação harmônica da Bossa (misto de maracatu ?), que caiu no gosto popular logo na estréia com Chove Chuva e em seguida com Mas Que Nada (ela mesma!). Esnobado pela corrente bossanovística (ou bossanovista),mesmo assim transitou bem pela Jovem Guarda claro, e era também figurinha carimbada no FINO DA BOSSA. E naquele tempo,quem aparecia num era imediatamente descartado do outro.Enquanto OS INCRÍVEIS (O Vendedor de Bananas) e ERASMO (Menina Gata Augusta) estouravam com suas criações, ELIS REGINA fazia o mesmo com Zazueira e Se Segura Malandro e Jair Rodrigues com Papa Gira. Quando o TROPICALISMO chegou, o primeiro convidado foi Ben Jor. E foi entrando com tudo. Que Pena,Tuareg (Gal Costa), A Minha Menina (Os Mutantes), Mano Caetano (Maria Bethânia), além dos duetos em disco com GIL. Na verdade,até hoje em dia,essa turma,especialmente Caetano e Gal, gravam e regravam Ben Jor, sempre. Quando a dupla TOQUINHO & VINÍCIUS estava no auge, Jorge lançou uma canção cheia de candura e de harmonias um pouco fora de seus padrões. QUE MARAVILHA!, como eu viria à constatar mais tarde, tinha um toque de TOQUINHO, seu parceiro naquela música.

Mais para o fim da era dos Festivais, emplacou, na voz de MARIA ALCINA, a sacolejante e quase ingênua FIO MARAVILHA , cujo tão entoato refrão,resumia-se a “Fio Maravilha/nós gostamos de você”. No final dos anos 70,ao lado de um entusiasmado Caetano Veloso, voltou às paradas com IVY BRUSSEL. Pouco antes, surgira um movimento musical de tiro curto,o BLACK RIO. A referência ? Claro, Ben Jor. Se nos anos 80, não fez nada memorável, continuou sendo reverenciado por vários ícones do BRock,como Lulu Santos, Kid Abelha e principalmente, Fernanda Abreu. O MANGUE BEAT pernambucano,já nos 90, o tomou como parâmetro e influência indisfarçável. Evocando seu primeiro LP, SAMBA ESQUEMA NOVO, a banda recifense MUNDO LIVRE S/A não vacilou para nomear seu também album de estréia como Samba Esquema Noise. E mesmo nos dias atuais,seu estilo é copiado ou quase plagiado por cantores e grupos. SEU JORGE e a BANDA EDDIE que o digam!

Creio que seria bem mais fácil indicar “quem não gravou” Jorge Ben Jor do que “quem gravou” (uma verdadeira lista telefônica). Embora seu último sucesso nos remeta aos anos 90, uma música com 2 acordes e letra indecifrável chamada W/BRASIL (que se sustenta no arranjo irresistível do genial SERGINHO TROMBONE), Jorge Ben Jor continua lotando teatros,arenas e estádios daqui e do mundo.Internacionalmente, é um dos artistas brasileiros mais reconhecido e admirado.

À bem da verdade, desde os primórdios, BEN JOR fazia um samba dançante, diferente de tudo o que se fazia, e calçado numa base rítmica contagiante, conquistou o público com sua originalidade embora suas letras não fossem (nem são) grandes coisas. Desde então,vem burilando e modernizando seu “balanço”, sempre cercado por músicos no mínimo, brilhantes. Quem copiou ou aderiu ao estilo,até tentou disfarçar chamando-o de “sambalanço” ou “samba-rock” e, teve até um clone de pouco fôlego chamado BEBETO, alguém lembra ? E então ? JORGE BEN JOR é ou não é um fenômeno ?

- Segundo o próprio, longe de coisas tipo numerologia, a mudança de JORGE BEN para JORGE BEN JOR deu-se por questões relativas aos Direitos Autorais internacionais. Sua grana estava sendo depositada,por engano,na conta de George Benson.

- Um famoso e muito competente (além de popular) crítico musical dos anos 60/70,já falecido, Zé Fernandes, chamava-o simplesmente de enganador! Caetano Veloso chama-o de gênio!

- CHICO BUARQUE, mais polidamente, afirmou que havia artistas que ele admirava e que o influenciavam muito. Por sua vez, havia aqueles que ele admirava mas não o estimulavam musicalmente. Instado, confessou: no primeiro caso,Caetano. No segundo, Jorge Ben Jor!

SÁBADO SOM. POR JOÃO CARLOS DE MENDONÇA.

 M I C H A E L    J A C K S O N

Joe Jackson era um pai rigoroso. Mantinha a imensa prole trancafiada em casa e ái de quem ousasse tocar em sua guitarra.A mãe logo  fez a garotada Testemunhas de Jeová. Eles saiam de porta em porta pregando. Mas nada disso impedia as fugas para trelar na vizinhança e, os mais velhos, de surrupiar a guitarra para estudarem e cantarem juntos. Até que um dia o velho Joe descobriu tudo mas, percebeu também o talento que emanava daqueles meninos e bem ao seu estilo, virou empresário dos filhos. Na verdade ,dos cinco primeiros,que sob sua batuta (o certo seria dizer, cinturão) os obrigava à uma rotina espartana de ensaios. Qualquer protesto ou vacilo sumiam de imediato na base da “porrada”.  Nem mesmo Michael com apenas 5 anos era poupado da música e das coreografias exaustivamente treinadas. Quando o JACKSON FIVE  estava afiado, Joe foi à Detroit e os apresentou à Motown  de Berry Gordy Jr. O sucesso não demorou. Sucessivamente,músicas ganhavam as paradas e nas apresentações do grupo,as coreografias chamavam a atenção. De toda monta,o talento do pequeno Michael se destacava dos demais e seus solos vocais junto à sua dança viraram mania. O conjunto ganhou até uma série de “desenhos animados” para TV que também fez muito sucesso no Brasil e ajudou nas vendagens de discos e shows, engordando sobremaneira os cofres do papai Joe.

Entrando na puberdade, a mudança de voz de MJ forçou uma parada. Até curta, mas a Motown tinha outros planos. Paralela à carreira com os irmãos, Michael iniciava sua carreira solo nas doses exatas. Não necessariamente nessa ordem ,  baladas “soul” como I’ll Be There, Ben e Music and Me espalharam-se pelo mundo na voz de MJ ao mesmo tempo em que a carreira do JACKSON FIVE,mesmo com o garoto prodígio, parecia declinar,discretamente. Já nessa fase,de repente, MJ ensaiava a sua dança do robô, que mais tarde viraria febre com o nome de Break Dance. Mesmo se mantendo no JACKSON FIVE , o jovem “performer” tinha planos mais ambiciosos. No set de O MÁGICO DE OZ  (filme que estrelou com Diana Ross) conheceu o genial músico e produtor Quincy Jones, a quem revelou querer produzir um disco épico. Algo como WHAT’S GOING ON  (71) do Marvin Gaye e SONGS IN THE KEY OF LIFE (76) do Stevie Wonder, pedindo que este o indicasse um produtor. QUINCY JONES se indicou. Naquela época, Quincy já era um produtor para poucos. Queridinho em Hollywood,o homem que formou uma dupla com o “cumpadre” RAY CHARLES, era o produtor de SINATRA,ARETHA,SARAH VAUGHAN, bandas de funk e de outros poucos eleitos.

OFF THE WALL, foi muito bem acolhido. Vendeu sem dificuldades e gerou um clássico chamado  Don’t Stop ‘Till Get Enough, mas Michael não estava satisfeito. Na verdade, o disco era muito bom, até sugeria algumas novidades, mas no geral era um álbum de soul/funk quase convencional, com pegadas da decadente disco-music. De qualquer maneira, muito se lamentou o disco não ter levado o GRAMMY, especialmente pela indiscutívelmente bela balada  She’s Out Of My Life. Mas QUINCY sabia o caminho das pedras e explicou ao MJ que todos aqueles álbuns  memoráveis aos quais ele tanto se referia tinham um componente fundamental: OUSADIA!  Não se prendiam à estilos e fórmulas. Pelo contrário, propunham novos estilos e fórmulas.

Com carta branca, QUINCY JONES utilizou-se da mais requintada e moderna tecnologia. Cercou-se por músicos escolados e refinados, sendo rigoroso na escolha do repertório. MICHAEL que na ocasião já tinha se livrado do pai “manager” e assinado com a EPIC (um selo da CBS), apresentou algumas músicas suas (4 vingaram) que escreveu de forma meio “sui generis”. Como não sabia tocar nenhum instrumento, bolava as canções de cabeça e as gravava numa fita K-7. Para a balada/soul The Girl Is Mine, Paul McCartney foi  convidado para dividir os vocais naquela que ficaria conhecida como a “Tereza da Praia” do Rock. Para as guitarras poderosas e certeiras de Beat It, Eddie Van Halen (líder do VAN HALEN) assumiu a  palheta. E para a sinistra narrativa (no meio e no fim) da canção título, Thriller (escrita pelo músico Rod Tenpertom), ninguém menos que Vincent Price. Ao final, muita coisa sobrou e apenas 9 músicas ficaram no disco mas,MICHAEL JACKSON acabara de parir um clássico. Um dos melhores álbuns da história. Belo,cheio de ingredientes diversos e acima de tudo “ousado”. THRILLER  era A NOVIDADE.

Como se sabe, o disco foi um fenômeno em todos os critérios (vendas,prêmios etc) mas acreditem, não foi de uma vez. Foi um processo que se estendeu do lançamento em 1982 até o final de 84, e muito bem pensado. Inclusive os modernos e inovadores “vídeo-clips”. Lançar à conta-gotas “singles” com as músicas que,cada uma à seu tempo,estimulariam as vendas do LP, foi uma das estratégias utilizadas. Começou por THE GIRL IS MINE que foi seguida pelo balanço irresistível de BILLY JEAN (a letra versa sobre um cara negando a paternidade de um filho) com um solo de guitarra prá lá de “funky”, e o primeiro inesquecível “clip”. Mais adiante, o rockão BEAT IT chegou com tudo e mais um “clip” visceral. No final de 83 foi enfim lançado o single com a música-título. THRILLER, ainda nos dias atuais, conserva o mesmo frescor do lançamento. A música é mais um sublime momento da arte deste planeta. Nenhuma antologia do bom gosto, da criatividade musical, estaria completa sem THRILLER. E seu “clip” mudou completamente o conceito do ramo. Fantástico.

Daí por diante, MICHAEL JACKSON já entronizado entre os maiores ícones do rock, lançou álbuns maravilhosos,embora distantes do fundamental  “Thriller”. BAD, BLACK OR WHITE, REMEMBER THE TIME, YOU ARE NOT ALONE, e uma versão empolgante de COME TOGETHER entre outros tantos clássicos imperdíveis foram registrados. No meio do caminho, escreveu e protagonizou com LIONEL RITCHIE a balada “nem lá nem cá”  We Are The World com a participação da elite musical americana (até DYLAN) para um projeto humanitário de Quincy Jones.

Não vou falar de suas esquisitices (problemas com pedofilia,casamento com a filha de Elvis,morar num parque temático, sacanear Macca comprando os direitos dos Beatles,do “embranquecimento”,do rosto deformado por plásticas nem de sua morte prematura e melancólica). O MICHAEL JACKSON que guardarei sempre no coração será a imagem daquele menino negro, bonito e saudável da capa e dos sons de Thriller que, desde a primeira audição me reportou à Milton Nascimento. Boquiaberto pensei: “nada será como antes!”.

Sábado Som. Por João Carlos de Mendonça.

 

G E T Ú L I O    C O R T E S

O que faria um garoto negro, nascido em Madureira ali pelo início dos anos 40, além de frequentar o coleginho do bairro ? Certamente participar de rodas de samba,aprender com os bambas,desfilar num bloco carnavalesco ou mesmo numa G.R.E.S. da região, claro. Mas apesar de te-lo feito na juventude,Getúlio Cortes  não se sentia “em casa”. Sua praia era outra. Embora ainda hoje em dia, seu visual seja do tipo bom malandro, um boêmio sambista da gema, nosso herói está longe disso.

Desde que aprendeu os rudimentos do violão, o garoto descobriu Sinatra,Sammy Davis Jr e Dean Martin  entre outros astros americanos de então. Passou a se exibir nas noites cariocas caprichando no inglês e reproduzindo seus ídolos. Naquela ocasião,as rádios ainda reinavam absolutas e tudo era “ao vivo”, o que o levou ao emprego de “violonista” acompanhante nas rádios Mayrinck Veiga,Tupi e Mundial. Outra curiosidade da história de GETÚLIO CORTES era a sua preferência pelos bastidores. No entanto apesar de não ser muito de “palcos”,adorava trabalhar naquele ambiente artístico, musical. Mais ou menos nesse tempo,descobriu o ROCK de ELVIS PRESLEY LITTLE RICHARD , simplesmente foi às nuvens. Começou a compor suas primeiras canções influenciado por aquela novidade musical.

Foi quando trabalhava em rádio como assistente de produção, que conheceu a dupla ROBERTO/ERASMO e toda a turma que formaria o embrião da JOVEM GUARDA (Wanderley,Wanderléa,Renato e Jerry Adriani), isto por volta de 1962, e a amizade e a convivência duraram uma década. Isto porque o fim do “movimento” não só o afastou daqueles artistas como o deixou semi-aposentado, vivendo de Direitos Autorais e de trabalhos avulsos no cinema e na TV (sempre como assistente de alguma coisa).

Poucos lembram que a primeira música gravada de GETÚLIO foi registrada por RENATO E SEUS BLUE CAPS e não teve o sucesso esperado.Chamava-seNEGRO GATO. Anos depois,no auge, ROBERTO CARLOS a regravou e a canção virou um clássico do rock nacional,tendo sido ainda gravada posteriormente por ERASMO,MARISA MONTE e LUÍS MELODIA. O curioso é que isto virou regra.

A relação de Getúlio com Roberto Carlos foi mais uma do tipo “dá liga“. Esse fenômeno também acontece na música (e como). Quando o Programa Jovem Guarda entrou no ar, ele (prá variar) era o assistente de produção do Carlos Manga e mais ainda estreitou sua amizade com a turminha. Suas músicas foram gravadas por Renato,Wanderléa,Erasmo,Jerry Adriani,Wanderley Cardoso et caterva mas… nada. O rapaz não dava sorte com ninguém. Pode-se atribuir à percepção aguçada de Roberto (como Elis) mas quando este gravava alguma do Getúlio Cortes, a canção caía imediatamente no gosto popular e ajudava mais ainda o nosso Rei do IÊ-IÊ-IÊ à monopolizar as paradas. A regravação de NEGRO GATO apenas confirmou isso, porque antes e depois, as canções O FEIOO GÊNIOPEGA LADRÃO e O SÓSIA (esta foi encomendada por Roberto para alfinetar seus imitadores) faziam a cabeça de meio mundo.Inevitáveis nos shows.
Mesmo quando o RC derivou para a SOUL MUSIC com o advento do TROPICALISMO, lá estavam 2 pérolas de Getúlio no album O INIMITÁVEL. As belas e clássicas baladas QUASE FUI LHE PROCURAR (regravada recentemente por Luís Melodia) e O TEMPO VAI APAGAR (cujo arranjo evoca a melancolia deWhiter Shade Of Pale  do PROCOL HARUM). EU SÓ TENHO UM CAMINHO foi lançada como single e também no album seguinte do Roberto.

Nos anos 70,o irmão de Getúlio, GERSON KING COMBO juntou-se à BANDA BLACK RIO para forjarem o novo movimento “soul music” no Rio. Gravaram algumas canções do Getúlio Cortes mas,apesar da indiscutível qualidade da BLACK RIO, a coisa não vingou,todavia,pode-se confirmar o talento do grupo por sua participação como grupo de apoio do disco BICHO de CAETANO VELOSO.

Atualmente,nosso roqueiro “setentão” mantem-se na ativa,fazendo seus showzinhos e “livrando” uns trocos na periferia do Rio de Janeiro. Foi homenageado com o lançamento do disco e DVD O PULO DO NEGRO GATO com a presença de seus antigos amigos e de nomes mais atuais da MPB. Sua última criação registrada por Roberto Carlos foi a romântica ATITUDES.

Sábado Som Especial. Por João Carlos de Mendonça.

               

 B A N D   O N   T H E   R U N

Este disco representou a redenção de Paul McCartney e de sua banda WINGS, que até então não vinha tendo nenhuma boa vontade da crítica com seus trabalhos. Mesmo acumulando sucessos nas paradas, suas músicas eram constantemente comparadas às dos Beatles e à de seus ex-companheiros de grupo. Certamente por isso, o músico recusava-se à tocar os clássicos de sua antiga banda em suas excursões. Mas o ano de 1973 começaria bem para Paul, cujo single com My Love chegou aos primeiros lugares creditada como sua melhor canção desde THE LONG AND WINDING ROAD. Logo em seguida, outro single com a música tema do filme 007, Live And Let Die, chegaria ao topo coberta por todos os encômios da imprensa. Assim, tão logo finalizou uma “tour” pelo Reino Unido, McCartney começou à esboçar o embrião de seu próximo LP, ensaiando e gravando “demos” em sua fazenda escocesa.

BAND ON THE RUN foi um álbum cercado por problemas  e fatos  curiosos. Querendo mudar de ares, de posse de uma lista com os estúdios da EMI pelo mundo, Paul decidiu por Lagos na Nigéria (o Rio de Janeiro também foi cogitado), mas antes mesmo da viagem o guitarrista da banda se desentendeu com ele e se mandou. Por sua vez, o baterista pediu às contas na véspera do embarque, alegando entre outras coisas que não queria ir pro fim do mundo. Determinado como sempre, Macca  viajou apenas com Linda e o guitarrista Denny Laine, além do produtor e engenheiro Geoff Emerick, velho camarada de Abbey Road e mais 2 “roadies”, disposto à assumir as “baquetas” e outras guitarras. E o fez.  Só quando já se encontrava em Lagos, deu-se conta de que o país vivia sob um regime militar duríssimo com patrulhas fardadas em cada esquina. As ruas exibiam esgotos à céu aberto e o estúdio era precário, com uma mesa defasada de 8 canais e, como já era convencionado por lá, teve de abrir a carteira, “dá um por fora” para conseguir suprir as necessidades técnicas e todas as que, por ventura, iam aparecendo. De certa feita, viu-se cercado por uma daquelas patrulhas e foi destratado com certa violência. Noutra ocasião, foi assaltado por 5 marginais que além do dinheiro e outros pertences, surrupiaram as fitas gravadas dos ensaios na Escócia, com o repertório do futuro disco e, isso custou-lhes o trabalho de “puxar” pela memória para lembrar detalhes dos arranjos e trechos de melodias.  Uns dizem que foi o músico Fela Kuti, outros afirmam ter sido o ativista político e músico Ransomi Kuti (vai ver,  são a mesma pessoa) que acusou Paul de utilizar (explorar) músicos nativos. O fato é que o tal sujeito foi convidado ao estúdio para comprovar que isso não estava acontecendo e a idéia de se contratar, com pagamentos justos, artistas nigerianos foi deixada de lado. Para completar, o ex-baterista de Hendrix, GINGER BAKER, que tinha um estúdio na cidade, queria porque queria que os WINGS gravassem nele. Politicamente, como sempre, Paul utilizou-o para registrar uma música, Picasso’s Last Words (Drink To Me) onde Ginger aparece tocando percussão.. Além dessa faixa, o grosso de BAND ON THE RUN foi finalizado em Lagos com a música-título e as demais (Jet,  Bluebird, Let Me Roll It, Mamunia, No Words, Helen Wheels e 1985). De volta à Londres, o álbum foi  acrescentado com os arranjos de cordas e metais de Tony Visconti, o sax de Howie Casey (em Bluebird e Mrs. Vandebilt) e acreditem, o músico nigeriano Remi Kabaka, foi contratado para gravar mais percussão em Bluebird. Seria o velho humor inglês ?

Naturalmente, a capa do disco foi inspirada pelo título, sendo feito várias fotos  numa sessão externa de um domingo. Além dos Wings,  posaram para a capa (e filme em 16mm) alguns atores,um campeão de boxe, amigos de Paul. O disco foi lançado no final de dezembro de 73, atribuído à PAUL McCARTNEY AND WINGS, chegando ligeirinho aos primeiros lugares e por lá permanecendo até 1975. Foi bastante festejado pela crítica como a primeira obra-prima de McCartney. Ainda nos dias atuais a obra permanece entre as mais brilhantes do rock. Mas a melhor notícia sobre esse LP (hoje CD) é que  depois de seu lançamento e estrondoso sucesso, McCartney  resolveu revisitar o repertório dos Beatles em shows. Bom prá nós!

PS I LOVE YOU:

- BLUEBIRD é literalmente uma bossa-nova com todos os ingredientes.

- De férias com Linda na JAMAICA, Paul encontrou-se com Steve McQuenn e Dustin Hoffman,que filmavam PAPILLON por lá. Conversando com Macca, Hoffman estava curioso sobre o processo criativo musical e foi informado que era como os dos atores. Bastava aparecer um “motivo”. No dia seguinte, Hoffman estava comentando sobre o falecimento de Pablo Picasso, contando que na noite anterior ao seu falecimento, este teria oferecido aos amigos uma bebida ,dizendo: “Bebam por mim! Bebam à minha saúde! Vocês sabem que eu não posso mais beber!”. Quase que imediatamente,Paul pegou o violão e cantarolou o refrão (“Drink to me! Drink to my health! You know I can’t drink anymore!”). Dustin Hoffman afirmaria que, depois do nascimento dos filhos, aquele teria sido o momento mais fantástico que testemunhara. PICASSO’S LAST WORDS (Drink To Me) é uma música com trechos melódicos completamente diferentes entre si, inspirada no “cubismo”.

- MAMUNIA vem do árabe e significa “abrigo seguro”. Sua letra versa sobre os benefícios da chuva. Alguém lembrou de RAIN dos Beatles ?

- HELEN WHEELS era o apelido do Jeep da família. Um trocadilho com Hell On Wheels . É um rock sacolejante sobre um passeio por cidades britânicas (como Back In The USA de Berry). Exceto nos Estados Unidos, ela saiu como single e ficou fora do LP.

- A canção BAND ON THE RUN foi em princípio, inspirada por George Harrison que, nas reuniões de negócios dos Beatles com seus contadores, costuma repetir  “If I ever get out of here!”  (algo como. “se eu pudesse dá o fora daqui!”).

Sábado Som. Por João Carlos de Mendonça.

 

  G  E  N  E  S  I  S

Acredite se quiser, uma das mais representativas bandas de rock progressivo da história, mundialmente aclamada, formada por músicos verdadeiramente virtuosos,cuja merecida fama e lenda permanecem até os dias atuais,começou simplesmente “quase” copiando o Bee Gees (da fase inicial) . Vale a pena constatar, ouvindo o primeiro álbum do grupo, From Genesis to Revelation ,cujo produtor , fã dos “Irmãos Gibb”, recheou o disco com baladas à base de pianos e melodias um tanto lúgubres. Não deu certo e o rapaz foi dispensado mas,ouvindo-o recentemente, percebi que o trabalho não é ruim (embora esteja longe do que viria depois) e até dá prá notar uns climas densos e “barrocos” nas músicas. Interessante saber que o grupo quase chega ao fim no nascedouro, posto que, ao tomar os rumos que marcariam a fase de ouro do conjunto ( musicalmente falando), juntando ao rock elementos do jazz,erudito e do folk bretão, além de adornar seus shows com adereços teatrais que cairam no agrado da “ripongada viajandona” da época, dois membros fundadores não se agradaram e resolveram deixar o grupo.Esse fato desgostou profundamente os demais músicos (Peter Gabriel, Mike Rutherford e Tony Banks) que pensaram em acabar tudo por ali. Mas, para nosso gáudio (sorte,mesmo!), respondendo à um anúncio publicado numa revista, o brilhante guitarrista Steve Hackett e o genial baterista (na verdade multi-instrumentista) e cantor Phil Collins, se candidataram e o GENESIS ,com sua histórica formação, ganharia vida logo, com um disco desconcertante, Nursery Cryme de 1971.

Em 1972 lançaram Foxtrot, que trazia uma canção com 23 minutos, SUPPER’S READY, enquanto as apresentações da banda mais e mais ganhavam notoriedade pela grandiosidade (Gabriel costumava contar algumas historietas surrealístas no início de cada número). Para muita gente, Selling England By The Pound , de 1973, é o melhor trabalho lançado pelo grupo, de onde se extraiu 3 hits radiofônicos,ganhando definitivamente a credibilidade desejada. Mas não se pode negar que o ambicioso e magnífico projeto posterior,o album-duplo conceitual, The Lamb Lies Down On Broadway, lançado no finalzinho de 1974, elevou o GENESIS à categoria de SUPER-GRUPO. Com esse disco fundamental, a banda passou a ombrear com o YES e o PINK FLOYD, formando a Santíssima Trindade do Rock Progressivo. THE LAMB… é um disco soberbo,límpido,moderno,atemporal. Sem discussão: FUN-DA-MEN-TAL. The Carpet Crawless que o diga. Esta canção é puro bom gosto. Letra,música e com uma execução “prá lá” de elegante.

O mundo musical foi negativamente surpreendido quando em 1975, após a excursão puxada pelo disco THE LAMB… foi anunciado que  PETER GABRIEL estava largando o GENESIS para seguir carreira solo. Para muitos, com certa razão, o conjunto acabaria logo. Quem iria adivinhar que PHIL COLLINS era muito mais que um baterista,vocalista e compositor ? Que estaria por trás de muitos sons e instrumentos exóticos que se ouviam nos discos ? Mas Phil era um tremendo pianista,harpista,tecladista e um vocalista perfeito para a música do grupo. E os álbuns seguintes confirmariam isso. A Trick Of The Taile um ano depois,o disco Wind And Wuthering marcariam de forma irrefutável o talento de COLLINS, deixando claro que o GENESIS não era uma mera banda de apoio do PETER GABRIEL,obviamente sem diminuir a importância deste. O último album do GENESIS que marcaria os anos 70, infelizmente deu-se após outra significativa defecção: STEVE HACKETT abandonou o conjunto. O título do belo e bem sucedido sucessor de WIND AND WUTHERING até carregava certa ironia; AND THEN THERE WERE THREE (algo como  “então restaram três”). Aliás, o discaço trazia canções comoventes e lindas, entre outras o mega-hit Follow You Follow Me.

O GENESIS enfrentou com galhardia o “movimento punk” que, antes de tudo,detonava a pomposidade do rock progressivo,o que em parte é verdade,todavia a proposta “punk” era exatamente o contrário. Ou seja,a redução da música à mediocridade de 3 acordes,  além de muita pose,atitude,grampos,tarrachas de metal e alfinete.Claro que,as melhores bandas surgidas do punk,obviamente,fugiram dessa receita.Foi nesse período que PHIL COLLINS redirecionou o som do grupo para uma aproximação com o pop (músicas mais curtas e radiofônicas) mas sempre dentro de um excelente padrão de qualidade e,de certa forma,próximo do som original do conjunto. Collins foi até criticado por isso mas,devemos reconhecer,manteve a banda no ápice,acumulando discos e músicas nas paradas e sem perder o bom gosto. That’s All, Mamma,Illegal Alien,Just A Job To Do , todas do álbum ABACAB além de clássicos como Turn It On Again,Invisible Touch,Land of Confusion entre muitas outras.
PETER GABRIEL manteve sua carreira solo tão prolífica e bem sucedida quanto em seu tempo no GENESIS,expandindo fronteiras e tendências musicais, enquanto PHIL iniciou sua carreira solo já “bombando”,com grande aceitação de público e crítica,mas talvez por um certo sentimento de fidelidade,mantinha-se paralelamente no GENESIS, tanto em discos quanto em grandiosas excursões internacionais. De qualquer forma pelo peso de manter 2 trabalhos de tanto sucesso,  com a concordância dos demais,Phil encerrou as atividades da banda.
A importância do GENESIS na história do rock e da música popular é realmente inegável e incontestável. Sua música comoveu,inspirou e influenciou gerações dos anos 60 até sempre. E se alguém tem alguma duvida de como o trabalho do grupo soaria atualmente, deixo uma dica. Eles se reuniram alguns anos atrás para definir o repertório para um album duplo com suas canções mais brilhantes e, na ocasião,resolveram regravar a maravilhosa faixa do disco THE LAMB LIES DOWN ON BROADWAY,  CARPET CRAWLESS. O resultado ? Deus seja louvado!!!!!

Sábado Som. Por João Carlos de Mendonça. (*)

 N O V E L A S

A novela BETO ROCKFELLER (1968-1969) da TV TUPI, é considerada um marco na teledramaturgia brasileira por ter mudado radicalmente o modelo estético até então adotado. No quesito trilha sonora,aquela novela também mudou de maneira contundente o formato da época.Até então, as cenas eram acompanhadas por música incidental (geralmente retiradas de temas eruditos) e mesmo a canção de abertura era instrumental.

Portanto, BETO ROCKFELLER, foi o primeiro folhetim à utilizar a música popular para pontuar as cenas e os personagens principais. Sua trilha continha ADAMO ( F… Comme Femme), BEE GESS (I Started A Joke), THE BEATLES (Here,There & Everywhere),ERASMO (Sentado À Beira do Caminho), LUIZ MELODIA(Estácio Holly Estácio) e outras tantas.

O fato é que as canções ganharam as rádios, alcançando os primeiros lugares nas paradas, mas não se dando conta daquele ótimo nicho comercial, a Rede Tupi não lançou um disco com as músicas, o que teria sido uma tremenda novidade mercadológica, a primeira trilha lançada em disco.

À partir de então, todas as emissoras que produziam novelas, passaram à utilizar a música pop em suas dramaturgias, especialmente a Rede Globo. Esta, de início, passou à contratar compositores para escrever canções e temas exclusivamente para cada uma de suas novelas. Não recordo especificamente para quais, mas as duplas ANTÔNIO CARLOS & JOCAFI e ROBERTO E ERASMO, produziram para este fim (alguns destes discos foram recentemente lançados em CD). Mesmo com canções inéditas, as trilhas sonoras eram sucessos de vendas e execuções. Mais tarde, a Globo viria à utilizar canções de vários artistas que não teriam sido escritas diretamente para esta finalidade, mas que encaixavam nas tramas.

Neste ponto da história, poucos lembram   de um “fenômeno” comercial que aconteceu durante um significativo período dos anos 70 e que eu chamo de era do FALSO INGLÊS. Por questões de custos financeiros ligados aos direitos autorais e de propriedades musicais, as redes de TV se viram quase que impedidas de continuar usando daquele expediente, notadamente com relação aos artistas estrangeiros.

A solução então foi criar o “falso inglês”. Artistas (cantores e compositores) brasileiros, até então desconhecidos ou iniciantes, passaram a compor e gravar na língua de Sua Majestade e a adotarem nomes artísticos também em inglês. Tudo era feito às escondidas e contratualmente estes “estrangeiros” tinham de manter-se no anonimato. Isto no período inicial da “armação”. Fábio Jr era Uncle Jack ou Mark Davis. Jessé, ora era Christie Burgh ora era Tony Stevens. Alguns tantos mantiveram os nomes até os dias atuais e outros simplesmente sumiram.Lembro de Christian (da dupla Christian e Ralph), Michael Sullivan, Dave McLean, Morris Albert (de Feelings) e Lee Jackson. Alguns, mais adiante, apareceram com muito sucesso e já sem a obrigação de se manterem anônimos, como as bandas LIGHT REFLECTIONS (de Tell Me Once Again) e “os” PHOLHAS. Esta banda, creio, foi a mais bem sucedida, estourando “singles” e LPs de forma arrasadora.

Mas a armação era limitada. Uma vez resolvido os problemas legais, as TVs voltaram à utilizar os artistas estrangeiros de fato,e a onda do FALSO INGLÊS esfriou e passou. Desde então, as novelas ganharam um poder no mercado de discos tão expressivo que cerca de 90% das músicas mais vendidas e executadas no Brasil passaram a ser do repertório delas. E as trilhas vendiam tanto, que chegou-se ao ponto de se lançar 2 álbuns.Um nacional e outro internacional. As Tvs,especialmente a Rede Globo, reza a lenda, passaram à ser cortejadas por artistas e gravadoras e condicionavam as apresentações ao vivo e/ou de exibições de “clips” destes, em seus “programas” , mediante a “liberação” de direitos autorais e conexos para as trilhas de novelas.Ao menos,é o que se relata à boca miúda.

É verdade que o telespectador foi brindado com várias pérolas e canções que viraram clássicos da MPB. Mas muita porcaria foi enfiada “mente” à dentro da gente. Mesmo não sendo verdadeiras as histórias dessas tenebrosas transações, tenho prá mim que sem o monopólio “noveleiro”, a MPB e mesmo a música internacional, estariam muito melhores. Ou não ?

 

De qualquer maneira, em um país onde se consumia com avidez música “internacional” feita por nativos que mal falavam o português, não dá prá estranhar mais nada. Vale tudo!

 

(*) a licença poética cassada. o domingo é de RAMOS. ALELUIA. O SÁBADO SOM EXCEPCIONALMENTE NUM DIA DE DOMINGO. APÓS A MISSA DE SÉTIMO DIA DO TIMBÚ. AMÉM.
O NÁUTICO VIVE, POSTO QUE É MORTO PELOS DIRIGENTES FRAUDES, MAS RESSUCITADO PELOS TORCEDORES HONESTOS.

Chega de sal. Eu quero é mocotó!

Em homenagem ao broda Johnny B. Good, mas conhecido como João Carlos de Mendonça:
“você é incapaz de matar uma muriçoca/mas como tem capacidade de mexer meu coração”
 

 

Sábado Som. Por João Carlos de Mendonça.

T R O P I C Á L I A  ?Acho que foi no final de 67 ou início de 68. Eu era apenas um garoto fissurado em música tentando entender todo aquele vanguardismo britânico de então e lembro bem daquela minha reação em frente à TV: TROPICÁLIA ? Recentemente,coisa de uns cinco anos atrás, li alguns livros e textos sobre o assunto e condensei o conteúdo em 3 ou 4 páginas que escrevi (para um trabalho escolar dos filhos) mas confesso que não fui procurá-lo para precisar datas,eventos e que tais. Vai no bolo.Com o coração,a emoção e as lembranças. Até porque o MOVIMENTO TROPICALISTA  envolvia literatura, teatro, cinema, artes plásticas e dança, embora todas estas artes tenham aderido à idéia proposta em princípio, pelo movimento musical. E era justamente esse quesito o que mais interessava aos músicos, curiosos e doidos…como eu.Depois da Bossa Nova, o TROPICALISMO foi o único autêntico movimento que mudou a estética e os conceitos da música brasileira de forma contundente, abrangente e eficaz. Tão impactante que pegou muita gente de calça curta. É bom lembrar que havia até ali,duas correntes musicais que competiam no Brasil. Por força da DITADURA, o público universitário, influenciado pelas patrulhas ideológicas, mais apreciava canções de temáticas “engajadas” e de rítmos nativos (sambas, toadas, nordestinidades etc) produzidas pela turma chamada de MPB.Os Festivais eram os espaços preferidos e quase exclusivos desse grupo. A outra corrente, liderada por Roberto Carlos, chamada JOVEM GUARDA , se era musicalmente pouco ou nada original (assentava-se em versões do “pop internacional”), além da grande aceitação popular, era muito influente no que concerne ao ”comportamento”, especialmente entre adolescentes de todas as camadas sociais. É claro que entre o pessoal da MPB havia uma quantidade bem significativa de artistas de primeira linha, assim como na Jovem Guarda (embora bem menos), mas de certa forma havia muito “conservadorismo” em ambos.

ALÉM DE NÃO rejeitar peremptoriamente qualquer dessas duas correntes,o TROPICALISMO, especialmente seus líderes, CAETANO VELOSO e GILBERTO GIL, além de GAL COSTA, BETHÂNIA, MACALÉ, TOM ZÉ, TORQUATO NETO, OS MUTANTES, CAPINAM e o maestro ROGÉRIO DUPRAT, reconheciam uma certa estagnação e tradicionalismo que limitavam avanços na música brasileira e seus criadores.Naquele período , novidades tecnológicas e as influências da música internacional eram tão rejeitadas quanto os sons da “velha guarda” nacional. Inacreditável. Tanto se odiava a “guitarra elétrica quanto se esnobava Noel Rosa. A proposta tropicalista incluia tudo isto e muito mais. E se o vanguardismo harmônico e poético da Tropicália chocou os “puristas”,o mesmo se deu com o visual adotado.Enquanto os “mpbistas” se apresentavam trajando “smoking” ou paletó (até “esporte fino”), e a turma do “iê-iê-iê” ia na linha das roupas Calhambeque, o TROPICALISMO preferia um visual hippie. Roupas largas e coloridas, longas madeixas (black power valia), barbas e presença de palco um tanto histriônica.

Em recente depoimento, GILBERTO GIL declarou: “Minha primeira influência foi LUIZ GONZAGA, depois vieram DORIVAL CAYMMI e JOÃO GILBERTO. Então conheci CAETANO e nossas idéias convergiram porque, também adorávamos os BEATLES e os STONES. A idéia era fugirmos das convenções e adotarmos todas essas referências. A música brasileira já nasceu híbrida. PIXINGUINHA adotava todos os elementos do blues e do jazz. Em princípio, chamamos muita gente. Edu Lobo, Sidney Miller, Sérgio Ricardo, Dori Caymmi, Toquinho e outros mas, o pessoal ficou no muro. Então CAETANO falou: Vamos fazer! Só nós dois. E fizemos contra tudo e todos. E vieram logo “nossa turma” e até Nara Leão, Jorge Ben e mais gente. Juntaram-se artistas plásticos, poetas, cineastas e em seguida o Chico Buarque e a Elis passaram a nos apoiar”.

O exílio de Caetano e Gil, obra da brutalidade e da burrice da Redentora, teve efeito contrário.A MPB, no geral, já era tropicalista. A ausência forçada dos dois próceres, mais ainda mitificou o movimento. Os espaços estavam abertos para artistas já estabelecidos, como Chico, Edu, Milton e outros recém chegados que vislumbraram vários horizontes adiante. O resgate de artistas como LUIZ GONZAGA, NOEL, CAYMMI, PIXINGUINHA e até VICENTE CELESTINO já havia acontecido. Bandolins conviviam bem com as guitarras, o baixo elétrico com o piano, a flauta com os teclados eletrônicos etc,etc. O TROPICALISMO nunca foi. Continua sendo. Mesmo nos dias atuais, seja no Brasil, na Europa ou nas Américas, ainda são defendidas teses acadêmicas e uma vasta literatura sobre o assunto está ai, à disposição. Surpreendente ? Nem para mim, que aos 11 anos, questionava: Tropicália ?

PEQUENO GUIA MUSICAL

CAETANO: Alegria Alegria, Tropicália,Soy Loco Por Ti America,Trio Elétrico,Irene e Os Argonautas.
GIL: Domingo no Parque,Lunik 9,Louvação,Back In Bahia , Expresso 2222 e Procissão.
GAL: Divino e Maravilhoso, Sebastiana,Que Pena, London London e Tuareg.
MUTANTES: 2001,Dom Quixote,Algo Mais,Baby, Top Top,Caminhante Noturno e Ando Meio Desligado.
E mais BETHÂNIA,TOM ZÉ,ANTÔNIO ADOLFO/TIBÉRIO GASPAR, JARDS MACALÉ,JORGE MAUTNER e vai por ai!

ACONTECEU:
- Enquanto assistia junto ào Caetano, do alto de um prédio, o desfile “contra” a guitarra, NARA LEÃO disse está indignada e envergonhada com seus pares à ponto de vomitar!
- Caetano expulsou de um bar,quase à porradas, o Geraldo Vandré, ao fragá-lo destrantando Gal Costa pela música BABY, principalmente pelo verso “você precisa aprender inglês”.
- GIL, curto e grosso: “A Tropicália era uma mistura de ASA BRANCA com o SGT. PEPPER!”

Sábado Som. Por João Carlos de Mendonça.

 

 

E N N I O    M O R R I C O N E

 

Sempre fui fascinado por trilhas sonoras. Especialmente as escritas originalmente  para   determinados filmes. Quem não associa imediatamente aquela magistral coda de celos e violinos do filme Tubarão à algo ameaçador ? Aliás,foi mais ou menos nessa época que essa minha paixão aflorou, com as fantásticas trilhas de O Golpe de MestrePapillon. Na verdade, até alguns filmes fracos, não raro são contemplados com músicas maravilhosas pontuando suas cenas. Comédias,dramas,romances,suspenses,infanto-juvenis e até os “terris” já nos brindaram com verdadeiras maravilhas. E confesso que ainda jovem conheci canções e temas que ganharam vida independente de seus filmes.  Foi assim que já adulto, entre tantos gênios do ramo, um deles chamou a minha atenção em particular,pois ao sair do cinema corri à uma loja e comprei a trilha de A Missão. Mais que a surpresa de sabe-lo “italiano” foi descobrir tratar-se do mesmo autor daqueles temas clássicos do chamados “westerns italianos” do SERGIO LEONE.

ENNIO MORRICONE nascido em 1928, recebeu seu diploma de trompetista em 1946 e em  1954 diplomou-se em Composição pelo Conservatório Italiano. Entre esses dois acontecimentos, escreveu músicas para as rádios mas só bem mais tarde entraria no mundo mágico do cinema. Longe do que se possa imaginar,MORRICONE trabalhou e montou grupos de música experimental  bem adiante do seu tempo, perfazendo uma ampla gama de gêneros como música aplicada e absoluta, o que o levou a escrever para o teatro e a TV. Até que compos a trilha de um filme sem muita repercussão ,IL FEDERALE, que resultou no convite para escrever para os westerns de Sergio Leone. Na verdade,se os filmes eram mesmos bons (alguns viraram referência)eu nem lembro,mas o fato é que a música de Por Um Punhado de Dólares; Por Uns Dólares A Mais; The Good,The Bad and The Ugly  ; Era Uma Vez No Oeste  e outros tantos, era simplesmente soberba.

Longe de se espraiar em berço esplêndido, MORRICONE,sempre inquieto,continuava “experimentando”,o que culminou com a fundação da “Nuova Consonanza”, um grupo de improvisação, junto à outros colegas. Mas, voltando às músicas dos “espaquetes”, sua competência  conquistou corações e ENNIO MORRICONE virou figura carimbada em Hollywood e mundo afora. Apesar de ser requisitado pelos maiores produtores internacionais, de ser várias vezes nominado ao OSCAR e outros grandes prêmios de enorme relevo, o sucesso nunca lhe subiu à cabeça. Sempre foi avesso às badalações. Imagine um músico que virou o “o favorito” de cineastas como Pasolini, Bertolucci,Montaldo,Lina Wertmuller,Brian de Palma,Tornatore,Polanski, Warren Beatty,Adrian Lyne,Oliver Stone, Almodovar ,Joffé entre tantos outros ?  Ah…tivesse sido eu o compositor/arranjador/condutor  das trilhas sonoras de CINEMA PARADISO; A MISSÃO; ERA UMA VEZ NA AMÉRICA;OS INTOCÁVEIS; SACCO E VANZETTI  e … põe filme nisso ! Acho que eu seria muito chato! Mas ENNIO ? Prefere discretamente continuar regendo as maiores orquestras do mundo. Só isso!

 

 

Agora eu sei o motivo da vinda de Macca. É aniversário de João Carlos !!!

Tá explicado.

Bem que houve uns torpedaços de Londres aqui para o Fusca.

Mas meu inglês é very bad. Yes I Don’t como diria Juca Chaves.

Era a turma de Macca querendo saber o dia do aniversário do Cara. Johnny B Good.

É HOJE!

O ANIVERSÁRIO DE JOÃO CARLOS É HOJE FUSCOPOETAS!

E o que dizer?

Falo da alegria, do bom humor, da presença de espírito?

Falo da luta, da honestidade, dos talentos mil?

Falo da amizade, do conciliador, do ombro e do ouvido atentos?

Falo de Candeias? De Yellow House? Dos Selvagens?

Sobra um taquinho para o Ave Sangria?

Falo do seu amor para os seus filhos, pai exemplar que é?

E do seu amor de toda uma vida, sua companheira, seu amor infinito, sua musa.

João Carlos nem se resume a isso aí.

Essa é só e tão somente uma pequena parte da luz que nos cabe conhecer do amigo Johnny B Good.

E  mais não digo.

Quem diz são vocês.

Á guisa de, os comentários irão subindo e poemaços que são irão compor nossa caixinha de aniversário.

Nossos humildes presentes, nosso ouro, incenso e mirra para o Rei de Candeias & Além Mar.

Porque esse é o nosso João Carlos de Mendonça.

Que hoje cumpleãnos. Simplesmente.

Bem aventurados os mansos porque herdarão a terra.
Bem aventurados os bem humorados porque verão o Reino dos Céus.

E vamos ao som de Macca, cujo ingresso vai custar uns dois Chicos. Mas todos irão com certeza.

Tudo vale a pena se a amizade não é pequena.

Valeu João. Coração de Estudante. Coração de Gigante.

 

 

Sábado Som. Por João Carlos de Mendonça.

 
                                              3   S T O N E S
Uma característica marcante no som dos ROLLING STONES são suas guitarras. Sem apelar para o virtuosismo inócuo,as guitarras na banda se encontram em “riffs” marcantes e contrapontos eletrizantes. Parte inimitável na música do grupo.

BRIAN JONES deu início a tudo. Empedernido “blueseiro”,  queria um grupo do estilo e para tal foi convocando os outros.E vieram Mick, Keith, Bill e Charlie. Além de guitarrista, Brian era um excelente gaitista, portanto, desde o início o repertório do conjunto contemplava “covers” da música característica de New Orleans, Mississippi e Chicago em shows e nos primeiros discos. Mas ao mesmo tempo que chegava a um estrondoso sucesso mundial,os STONES eram alvos da crítica americana e mesmo dos músicos de blues dos EUA: para estes “não passavam de meninotes brancos ingleses surrupiando sua música” (Besteira! Enquanto a América se matava com “whites X blacks”, os ingleses liam/ouviam e refaziam,ao seu modo, o blues). Como não era muito de “compor”, Mick Jagger e Keith Richards assumiram a função com brilhantismo, criando os maiores e lendários clássicos do grupo só que, apesar da pegada de blues, as canções iam mais longe, com uma certa manha pop. Tudo isso,de certa forma, não agradava Brian. Ele achava que o som da banda estava ficando pop demais e queria voltar às raizes “blueseiras” dos Stones. Cada vez mais mergulhado nas drogas,a total insatisfação de Brian Jones alcançou o ápice quando a dupla Jagger/Richards resolveu “passear” pelo psicodelismo da moda,cometendo um disco fraco e sem a menor espontaneidade. Their Satanic Majesties Request tem até algumas boas canções mas o clima “viajandão” forçado do album predomina no geral. Claro que imediatamente a banda voltou à sua praia com a competência de sempre e o disco Beggar’s Banquet não me deixa mentir.É um clássico em todos os sentidos, só que nestas alturas, Brian estava chegando ao fundo do poço. Insatisfeito com o conjunto cuja liderança já lhe fugira das mãos, com a música que vinham produzindo, paranóico por conta das drogas e como se não bastasse, viu sua mulher, ANITA PALEMBERG,troca-lo pelo colega Keith. O clima realmente não o favorecia e Brian foi deixando os Rolling Stones de lado. No disco Let It Bleed, participou de apenas 2 ou 3 canções. Terminou sendo assassinado em sua piscina pelo empreiteiro da obra (até bem recentemente,achava-se que teria sido um acidente). Mas a verdade é que a perda de BRIAN JONES assustou o mundo inteiro e foi tremendamente lamentada.

No caso da música da banda, permito-me tomar partido contrário à Brian. Os Stones não poderiam se resumir a meros intérpretes das criações e do estilo musical de outrem. As composições cada vez mais originais de Jagger/Richards, sem perder de vista as suas origens, moldaram o som do conjunto para melhor e ajudaram a forjar uma das melhores e mais criativas bandas da história da música. Inconfundível, imprescindível.

Li outro dia numa biografia meio capenga, mas interessante, que a escolha de MICK TAYLOR para substituir Brian teria se dado por falta de opções. Como alguém pode escrever tamanha asneira ? MICK TAYLOR é um músico soberbo. Elegante e discreto, além de exímio guitarrista é um pianista de primeira (ele toca o piano na clássica balada Angie). Será que o Mr. Biógrafo sabe quem foi convocado para o lugar de Eric Clapton na banda JOHN MAYALL’S BLUESBREAKERS ? Ou quem tocou com JACK BRUCE (do CREAM) e com BOB DYLAN ? Ora, numa época em que os Rolling Stones já dividiam com os Beatles as maiores glórias da música, não convocariam qualquer um para ser membro efetivo do grupo. Dificilmente, claro, alguém com grande nome na praça, em bandas ou carreira solo, toparia. Clapton ou Hendrix por exemplos. Teria de ser alguém muito bom mas ainda se estabelecendo na carreira e, ninguém cairia tão bem (como de fato aconteceu) como Mick Taylor. Sua guitarra competente e criativa manteve as dobras e as pegadas com a do Keith Richards que, até liberou-se mais como músico. Pouca gente sabe, mas Mick Taylor já estava em LET IT BLEED. E seu nome já está gravado nos melhores albuns da banda (segundo a crítica geral) ou sejam, STICKY FINGERS,EXILE ON MAIN STREET, GOAT’S HEAD SOUP e IT’S ONLY ROCK AND ROLL. Sua estréia oficial se deu no antológico single Honky Tonk Women. “O que pode um garoto pobre fazer,senão cantar numa banda de rock ?”. Mas o fato é que depois desse longo e muito significativo período, Mick Taylor pediu as contas e largou o conjunto.Diz-se que a questão foi por ele não ver seu nome creditado como co-autor na música TIME WAITS FOR NO ONE. Rico e renomado,Taylor voltou aos estúdios como artista solo e eventualmente como coadjuvante.
As revistas especializadas não só fizeram bastante “auê” sobre quem seria o novo “guitar hero” dos Stones como quase abriram um concurso público. Com toda essa publicidade gratuita, o album BLACK AND BLUE já nasceu “estrelado” graças também ao novo guitarrista que além de roqueiro congênito acrescentou uma pitada de reggae (HEY NEGRITA) e funk (HOT STUFF) ao grupo, mas sem perder a identidade sonora stoneana. RON WOOD era tão Rolling Stone que até parecia gêmeo de Keith Richards. Seguro, criativo e com atitude, era (e é) a escolha perfeita. Mesmo antes de aderir à banda, RON já tinha nome na praça. Fundou o SMALL FACES, que depois passou à chamar-se THE FACES com Rod Stewart. E quando o grupo se desfez, passou à participar em discos e shows com gente do calibre de Eric Clapton ,George Harrison e Jeff Beck (entre outros) até entrar para os Rolling Stones, onde permanece até os dias atuais.Realmente ele tem a cara do grupo.Vê-lo, logo nos remete à banda.
Enfim, este ”post” modestamente tenta lembrar esses três músicos maravilhosos que fazem e fizeram parte da nossa história. A história das “pedras rolantes”. BRIAN JONES, MICK TAYLOR e RON WOOD , porque “pedras que rolam não criam limo”.

Sábado Som. Por João Carlos de Mendonça.



                                           

                               P A U L O    D I N I Z

Eu sei que pouca gente lembra dele, assim como sei que muitos conhecem, ao menos uma, de suas canções. Tenho certeza que quase ninguém sabe que ele é pernambucano e que, dos anos 60 prá cá, foi o primeiro artista de seu Estado a estourar nacionalmente.

Pois é ! Nascido em 1940 em Pesqueira-PE, logo viu-se órfão de pai, e mais adiante teve de largar o “grupo escolar” aos 12 anos para trabalhar naquela famosa fábrica de doces de sua cidade, onde permaneceu até completar 16. Mas o menino PAULO DINIZ, se deixou a escola, nunca abandonou os livros. Autoditada, tanto na poesia como no violão, foi pro Recife se virar como engraxate. Depois trabalhou como locutor de casas comerciais até conseguir um emprego na Rádio Jornal do Comércio. Pronunciar um nome errado, no ar, lhe custou o emprego de radialista na empresa. Não desistiu.Virou-se como “crooner” e baterista na noite recifense antes de seguir para Caruaru, onde continuou trabalhando em rádio. Dali foi para o Ceará e finalmente chegou ao Rio de Janeiro, contratado pela Rádio Globo (alguns afirmam que foi a Rádio Tupi). Durante todo esse processo, não parou de compor,até que finalmente conseguiu lançar um compacto simples em 1966 com as músicas QUEM DESDENHA QUER COMPRAR com O CHORÃO no Lado B. Para sua surpresa (e da gravadora) foi O CHORÃO que agradou em cheio aos programadores e aquela musiquinha despretenciosa,boba até,virou sucesso nacional. Bastava ir virando o “dial” do aparelho e já se ouvia a letra “outro dia vinha pela rua/quase morri de rir/pois um cara que passou por mim/chorava fazendo assim…“, a modesta canção virou mania. Era mote para gozação nas escolas, nas peladas, nos estádios, no trabalho… enfim, onde houvesse brasileiros.

Certamente há um equívoco entre os que afirmam que DINIZ frequentou o Programa Jovem Guarda. Pelo contrário, o artista foi imediatamente escanteado.Não acredito que ele tenha se mudado para Salvador naquele período, sem uma razão convincente.Pelo pouco que conheço do ramo, certamente a gravadora queria que ele mantivesse o clima,repetindo a fórmula,aproveitando a “onda iê-iê-iê” da época, mas o artista não topou. Ficou na geladeira por quatro anos.

Na Bahia, PAULO DINIZ conheceu seu parceiro, ODIBAR (nome quase estranho para um baiano) mas ao mesmo tempo continuou “musicando” os versos de seus poetas favoritos. Voltou para o Rio com uma significativa coleção de canções em 1970,e com a Jovem Guarda já esquecida , a recepção foi outra.Ao apresentar sua ode à Caetano Veloso (então exilado em Londres), QUERO VOLTAR PRÁ BAHIA (com Odibar), a gravadora imediatamente “captou a mensagem” e PAULO DINIZ voltou com tudo.Virou o “cara da hora”, na ocasião. Vale ressaltar que a letra continha um erro gramatical (?) de “inglês”: “I don’t want to stay here/I WANNA TO go back to Bahia”. No caso ou se usa “I WANT TO ou o coloquial, I WANNA.O certo seria “I WANT TO GO BACK TO BAHIA ou I WANNA GO BACK TO BAHIA (aqui,sem o TO). Mas quem ligou ? E ainda hoje,ninguém liga! Afinal,a canção estourou mundo afora e é lembrada sempre. Com erro ou não.

Quase em seguida, outro sucesso instantâneo; UM CHOPP PRÁ DISTRAIR, seria cantada pelo Brasil inteiro tanto o quanto E AGORA,JOSÉ ? (poesia de Drummund) e a clássica PINGOS DE AMOR. Mais tarde viriamO MEU AMOR CHOROU, com sua levada meio bossa, e a sacolejante PONHA UM ARCO-ÍRIS NA SUA MORINGA.PAULO DINIZ ainda musicou os poemas DEFINIÇÃO DO AMOR (Gregório de Matos), VERSOS ÍNTIMOS (Augusto dos Anjos),ESSA NEGA FULÔ (Jorge de Lima)  VOU-ME EMBORA PRÁ PASÁRGADA (Manuel Bandeira). Nenhuma tão bem sucedida quanto “E AGORA,JOSÉ ?

PAULO DINIZ fazia uma MPB competente, próxima do “pop”. Músicas agradáveis de melodias e letras bem amarradas. Se não era genial ou nada espetacular, era um trabalho de qualidade, longe da vulgaridade e com marca pessoal. Tanto que intérpretes como Clara Nunes,Emílio Santiago,Simone,Kid Abelha e muitos outros,gravaram e regravaram suas criações.

Acometido por uma “estranha” doença,que paralizou seus membros inferiores, obrigando-o à “cadeira-de- rodas”, PAULO DINIZ voltou à residir em Recife e continua na ativa. Ainda outro dia,no Centro Santos Dumont, após terminar seus exercícios na piscina,confessou que o fato de se apresentar em cadeira-de-rodas, dificultava sua mobilidade, razão pela qual era pouco requisitado para shows. Mas ele não desiste. Que eu lembre,em 2009 PAULO DINIZ esteve no Festival de Inverno de Garanhuns. Botou o público nas mãos e a concorrência no chinelo.

A velha “inveja” característica da concorrência local, explica a pouca citação ao artista pernambucano em sua terra. Na época,criticava-se sua referência à Bahia (vide o sucesso da canção) e mesmo tendo que explicar-se várias vezes (era um tributo ao Caetano, algo circunstancial), parece que não convenceu, por aqui. O engraçado é que ninguém criticou-o por PONHA UM ARCO-ÍRIS… (citava Hugo Bidê,Ipanema,Simonal etc).

Numa fase em que acumulava sucessivos êxitos nacionais, era até imitado em programas de calouros, respeitado entre seus pares,viu-se brutalmente obrigado à se afastar do cenário, voltando anos depois já sem o mesmo reconhecimento de antes. Mas nada disso tira o humor, o sorriso do rosto de PAULO DINIZ. Nem a má vontade de seus conterrâneos… ao menos é o que se nota em seu semblante. Será mesmo ?

Sábado Som. Por João Carlos de Mendonça.

 CANHOTO DA PARAÍBA

Na cidade de Princesa Isabel-PB, onde nasceu (19/3/1926), tal qual o pai e os irmãos, o garoto queria tocar violão. Mas, diferente dos demais membros da família,FRANCISCO SOARES DE ARAÚJO era canhoto e para piorar, só tinham um violão. O pai, em favor da maioria, não o autorizou a inverter as cordas do instrumento mas tentou ensinar-lhe a praticar como destro, no entanto,desistiu: “Ih meu filho, tem jeito não.Tem que botá de cabeça prá baixo ou ficá na frente do espelho” (SIC). Bom, o pai desistiu mas ele não. Teve de aprender sozinho.Aprendeu.E como! Assim,bastava virar o instrumento e o menino Chico Soares (como era conhecido) exibia uma destreza rara. Talvez por esta dificuldade,desenvolveu uma técnica peculiar e quase inimitável.

Mudou-se pro Recife no início de 1958 e apaixonado pelo chorinho ,começou à frequentar as rodas musicais e à compor seus “choros” peculiares, que chamavam a atenção não apenas pela beleza melódica e as harmonias intrigantes mas principalmente por “um certo sotaque nordestino”, o que impressionaria JACOB DO BANDOLIN um ano depois.Em 1959,já conhecido em Recife como CANHOTO, fez parte de uma comitiva de músicos (ou“chorões“) que se aventurou numa viagem de JEEP ao Rio de Janeiro,mais precisamente à Jaquarepaguá,onde morava Jacob.Reza a lenda que ao ouvi-lo tocar, o maestro RADMÉS GNATTALI ,de tão entusiasmado, gritou um palavrão e deu um salto que terminou com o conteúdo de seu copo atingindo o teto. Mancha de cerveja que Jacob do Bandolim deixou ali para jamais esquecer daquele episódio. Se é verdadeira ou não essa história, o fato é que entre os ouvintes estava um garoto,cujo pai particapava da seresta,que naquele instante resolveu estudar música.O molecote é hoje conhecido como PAULINHO DA VIOLA.

De volta ao Recife,CANHOTO continuou “se virando” como violonista e seu primeiro disco foi lançado apenas em 1968 pela ROZENBLIT. Para essa empreitada,Canhoto com sua sensibilidade, ousou (ao menos para a época) convocar o jovem violonista de formação clássica, HENRIQUE ANNES,então com 22 anos e, para cuidar da produção,o já veterano maestro NÉLSON FERREIRA. Para aqueles que fizeram “biquinho” com as duas convocações,um por ser muito jovem e o outro por ser “especialista” em frevos,CANHOTO apenas alegou que “mais que jovem ou carnavalesco,eles eram músicos geniais”.

 Os próximos albuns só viriam quase 9 anos depois. Mas esbanjando elegância.Ambos produzidos por PAULINHO DA VIOLA.O primeiro chamou-se COM MAIS DE MIL (Copacabana) e o seguinte, O VIOLÃO BRASILEIRO TOCADO PELO AVESSO.Os lançamentos foram seguidos por uma muito bem sucedida excursão por todo o Brasil,ao lado do Paulinho,no PROJETO PIXINGUINHA.

Em 1998, ainda sob a produção de Paulinho da Viola,saiu seu último disco solo,PISANDO EM BRASA, do qual participou outra fera do instrumento, RAFAEL RABELLO. Ainda nesse ano,gravou para o sempre antológico Programa da TV Cultura, ENSAIO. Talvez o único registro visual restante de seu talento. Pois logo em seguida sofreu um AVC que paralisou um lado do seu corpo,impedindo-o de tocar seu querido violão.

“Eu não queria participar daquelas rodas de choro. Mas quando vi o CANHOTO tocar fiquei tão entusiasmado que me toquei. Era tão sublime,tão tecnicamente perfeito.Acho que ele me influenciou mais do que o meu pai e o Jacob” (PAULINHO DA VIOLA).

JACOB DO BANDOLIM dizia que para reproduzir uma música de CANHOTO o sujeito teria de virar canhoto.Repetia que “o homem tem o diabo no corpo. Ele toca sorrindo,tranquilo.Dorme e acorda com o violão e acha que não está fazendo nada demais.Durante os 15 dias que ficou em minha casa,o mundo todo queria conhece-lo,tocar como ele. Virou vedete”.

Em 2008,dez anos após ficar impedido de tocar,CANHOTO faleceu em Paulista-PE, aos 82 anos.

Sábado Som. Por João Carlos de Mendonça.

MAGICAL MYSTERY TOUR

A oportunidade que a imprensa esperava para malhar os BEATLES finalmente apareceu quando o filme MAGICAL MYSTERY TOUR chegou às telas das TVs britânicas no feriadão do Natal de 1967. Realmente, o filme é muito ruim. Sem pé nem cabeça e absolutamente amador. Houve uma certa prepotência da banda em abrir mão de um roteirista e de um diretor calejados e assumir sozinha aquela empreitada que, para piorar, foi exibida em preto-e-branco , apesar do original colorido. Talvez pelo insucesso do filme, o álbum maravilhoso com a trilha sonora tenha se tornado o patinho feio da carreira do grupo muito injustamente. Magical Mystery Tour é um discaço que, ouvido na íntegra, é tão bom quanto o Sgt. Pepper, embora siga a mesma linha musicalmente psicodélica da época, o que era raríssimo de acontecer com os BEATLES que, preferiam nunca se repetir, mesmo estilisticamente.Todavia, vale lembrar que as sessões de gravações dos “dois” álbuns se misturaram, acontecendo paralelamente. Por incrível que pareça, foram os americanos que deram ao MAGICAL sua roupagem definitiva e que terminou por ser adotada oficialmente pela matriz inglesa e mundo afora. O fato é que a EMI lançou essa trilha sonora de forma esquisita e até inusitada. Ou seja, embalou 2 compactos (cada um com 3 canções) num livreto com fotografias do filme e portanto, a mídia da época sequer passou à considera-lo como mais “um album” do conjunto mas apenas como compactos, apesar do sucesso das vendas. Até antes do lançamento do SGT. PEPPER, os americanos modificavam os discos à seu bel prazer, retirando e acrescentando músicas dos albuns originais e até usando capas e títulos diferentes , sob o argumento da melhor adequação ao mercado deles. Mas a verdadeira intenção era fazer muito mais dinheiro, posto que para cada 2 discos da banda, com a retirada de canções e o acréscimo de músicas lançadas em compacto, eles forjavam um “terceiro” disco e realmente enchiam os bolsos. Por isso mesmo foram ironicamente esnobados pelos Beatles que possaram para um disco americano trajados de açougueiros , exibindo pedaços de carnes , cabeças e braços de bonecas (essa capa foi retirada das lojas e trocada por outra mais convencional quando perceberam a piada. Hoje é uma raridade bastante cobiçada por colecionadores). No caso do MAGICAL MYSTERY TOUR, temos de aplaudir o que fizeram com o disco. Alegando como sempre, questões comerciais, eles acrescentaram 5 canções de compactos recém lançados que, juntamente com as 6 canções inéditas do filme formaram um belíssimo conjunto dando aos Beatles mais um disco fantástico. Gol de letra dos gringos. O disco abre com a canção título lindamente arranjada sob a forma de um “jingle” comercial. Segue com a clássica balada THE FOOL ON THE HILL e suas flautas divinas, que figura hoje como uma das melhores canções do grupo. FLYING é uma faixa curta e instrumental que serve como trilha de uma passagem aérea do filme. BLUE JAY WAY é uma música incomum de Harrison, com melodia meio lúgubre mas interessante, adornada por um órgão estilo catedral. YOUR MOTHER SHOULD KNOW é uma deliciosa canção evocativa que foi usada na cena final. O antigo LADO A encerra com a divina magia de I AM THE WALRUS, outro clássico “nonsense” da banda.O arranjo de cordas e metais, além do efeito “phaser” da voz de Lennon, ainda hoje em dia fazem-na soar moderna e vanguardista. O LADO B abre com o pop cativante de HELLO GOODBYE e sua letra “qualquer-coisa”. Tudo o que se diga das duas pérolas que seguem vira redundância, porque STRAWBERRY FIELDS FOREVER e PENNY LANE já nasceram hinos de uma geração. Além da melodia cantada em falsete e seu arranjo com arabescos, bastante criativo, BABY YOU’RE ARE RICH MAN  é tudo de bom. O disco encerra com chave de ouro com a icônica ALL YOU NEED IS LOVE,  o primeiro hino pacifista da era Woodstock. Marca registrada. Como se vê, o álbum MAGICAL MYSTERY TOUR reúne uma significativa quantidade de clássicos daquele período realmente mágico da música pop, formando um todo brilhante e fundamental na carreira dos 4 cavaleiros do após-calypso. Para o genial HEBERT VIANNA é o seu disco favorito. LENNON também achava o mesmo. E você ?

Sábado Som. Por João Carlos de Mendonça.

 T R I B U T O    ?

Tenho um tremendo “pé atrás” com os chamados CDs do tipo “TRIBUTO A…”, porque raramente encontrei algum cujo homenageado não tenha sido vitimado pela boçalidade histriônica dos intérpretes.Sim, há versões empolgantes mas, geralmente não passam de 10% do conteúdo total.
Um bom coração resolve homenagear algum cantor/banda/compositor e para isso convoca artistas de estilos variados. Alguns da novíssima geração e outros já calejados, obviamente por motivos mercadológicos. Então o que acontece ou ao menos fica subentendido é que, boa parte dos convidados, ou não conhece ou não é muito chegado ao reverenciado e aproveita a ocasião mais para se exibir, em detrimento da obra. Não é raro canções serem desconstruidas, perderem sua essência e identidade em favor de modernísmos MTV. Isso quando o cara não pinta de voz e violão “barzinhos” para destilar sua versão “intimista” de APESAR DE VOCÊ ou LIKE A ROLLING STONE.

Bem diferente daquele artista que genuinamente admira o seu colega ou determinada canção e resolve grava-la, colocando-a em seu repertório.É claro que ele vai botar sua marca, seu estilo, mas a gente sente que ali há reverência e respeito,além da consciência de que nem toda música pode ser remexida demais.

Dia desses, foi lançado um filme sobre Bob Dylan e para a trilha sonora foram convocados todos e todas do pedaço.Mas o que prometia ser um discaço resultou numa obra decepcionante.Um desfile de estrelismos e “mudernidades” que devem ter desagradado o compositor. Há versões maravilhosas das canções de Dylan espalhadas em discos de seus colegas que,juntas, formariam um belíssimo conjunto.Para citar algumas, Simply Red (Positively 4º Street), George Harrison (If Not For You), Brian Ferry (Knocking on a heaven’s door) e Norah Jones (I’ll be your baby tonight) e tantas outras que dariam um album duplo.

Se você não aguenta mais ouvir a milionésima versão bossa-nova de Sonífera Ilha na voz da próxima sensação da MPB, pode comprar Bethânia revitalizando a obra de Roberto/Erasmo ou o maravilhoso album de SANTANA, onde ele se debruça com toda salerosidad  (?) sobre seus temas favoritos de outros colegas de geração.Realmente, parece que, quando o projeto reune vários intérpretes, a coisa não decola.Vira um insosso de plumas e paetês.

Não há mas muito o que dizer.Fuja dos DISCOS TRIBUTOS. O resto certamente o VJ André vai arrasar.Pode apostar.

Sábado Som. Por João Carlos de Mendonça.

D I R E    S T R A I T S

Já comentei que não sou chegado à eleições do tipo “Melhor Isso ou Aquilo”, até porque em música o que mais me agrada é a originalidade, a criatividade. Como apontar o melhor guitarrista ? Hendrix, Santana, Clapton, Harrison, Pepeu, Robertinho, Andy Summers… ? Há tantos e tão bons e “diferentes”.  Isso só no rock. E no jazz, blues, MPB ?  Os fãs de “heavy metal” adoram guitarristas velozes, mil notas por segundo. E daí ? Prá que tanta velocidade e tão pouco “feeling” ? Como são “iguais” os metaleiros ! Um grande guitarrista, além de sua técnica original, toca com o coração mais que com a paleta (ou os dedos). Faz uma canção brilhar intensamente, às vezes com comovente discrição. Abusa de sutilezas mas quando ataca o faz na hora e da maneira certa. O Sr.MARK KNOPFLER é um desses.

DIRE STRAITS, uma das melhores bandas dos anos 80, embora formada por músicos competentes e habilidosos, era na verdade, o grupo de apoio de KNOPFLER. Ele além de fundar e liderar o conjunto, escrevia, arranjava, cantava e tocava suas guitarras em todas as canções do DIRE STRAITS. Todas. E para confirmar isto, basta saber que fora o “baixista”, os demais membros variavam (entrava um saia o outro) quase a cada disco. Pouca gente é capaz de citar o nome de um deles.

Em 1977 Mark Knopfler fundou o grupo, e em meio ao movimento punk e ao ainda vigoroso “rock progressivo”, Sultans od Swing foi acaloradamente recebida como uma ousada novidade. A canção misturava as referências favoritas do músico: uma levada de country rock alicerdada em guitarras límpidas e tonitruantes . Canção que apesar de econômica instrumentalmente não disfarçava o virtuosismo de Knopfler como guitarrista, cantor e compositor. Uma estréia elegantíssima. Vale lembrar que nesse início o DIRE STRAITS era um quarteto com a formação básica do pop: bateria,baixo e duas guitarras (uma delas pilotada pelo irmão de Mark, David Knopfler), portanto,os arranjos eram desenvolvidos com vistas à essa instrumentação reduzida. Apesar de canhoto, o escocês Knopfler tocava como destro e sua técnica baseava-se em seu dedilhado nas cordas, já que não usava “palheta” (ou paleta), proporcionando uma sonoridade peculiar e única que logo chamou a atenção da crítica. O album seguinte, COMMUNIQUÉ mantinha o estilo “menos é mais“ da banda mas já em MAKING MOVIES os primeiros sinais da característica sofisticação do grupo começariam à aparecer, especialmente no belo hit Romeu And Juliet com seus violões espanholados e o piano do tecladista recém contratado.Esse disco marcaria a saída do irmão DAVID do conjunto.

LOVE OVER GOLD, disco de 1982, definiria o novo som do DIRE STRAITS. Teclados elegantes (piano,órgão,sintetizadores,xilofones etc) eram realçados pela guitarras e os sublimes violões do artista. A canção título e a balada Private Investigations esbanjavam beleza e magníficos detalhes sonoros. Nessa fase, o DIRE STRAITS já lotava estádios na Europa,América e Japão, shows registrados no album  ALCHEMY, que continha a balançada Twisting By The Pool, lançada antes como “single”.

Por uma série de detalhes significativos, o disco de 1985, BROTHERS IN ARMS já é um capítulo à parte na história da música pop.Foi o disco mais vendido no Reino Unido nos anos 80. Foi o primeiro album lançado no novíssimo formato CD, permanecendo por mais tempo como número 1 nos Estados Unidos. As canções Walk Of Life,Money For Nothing, So Far Away, Your Latest Trick, Why Worry e claro, Brothers In Arms chegaram, cada uma, sucessivamente, aos primeiros lugares nas paradas. E a banda acrescentou mais um tecladista e um saxofonista. Um deleite. Obra prima do conjunto, o album figura entre os melhores da música internacional. BROTHERS IN ARMS foi tão aclamado que ofuscou o disco seguinte, ON EVERY STREET, uma pérola pouco notada que continha a deliciosa Calling Elvis, uma das mais competentes e instigantes execuções que já ouvi. Os quase 6 anos que separaram este disco do anterior foram preenchidos pelas excursões mundiais na esteira do Brothers In Arms.

Sem muito estardalhaço o DIRE STRAITS chegou ao fim em 1994. MARK KNOPFLER que,paralelo ao trabalho com o grupo vinha produzindo trilhas sonoras para o cinema (entre estas as lindíssimas canções do filme LOCAL HERO), continuou e continua na ativa com seus trabalhos solos,a maioria de excelente qualidade. Mas entenda-se um mundo desses ? O que é uma marca,um nome ? Eu comecei este post afirmando que o Dire Straits era Mark Knopfler. E é verdade. Só que, para os fãs, Mark Knopfler não conseguiu ser o DIRE STRAITS. E como a letra daquele samba-erudito, dos fãs, “só ficaram eu!”. Será ?

Sábado Som. Por João Carlos de Mendonça.

V A M O S    B A I L A R

Dando uma olhada para trás, lembrando do tempo em que eu tocava em bandas, constatei um fato curioso. Naquela época, tenho prá mim que as festas eram exclusividades da juventude. Aquela turma que vai da adolescência até uns 30 anos. Lembro que o repertório de todos os grupos eram praticamente os mesmos e, basicamente rock, pop e MPB “do momento”. Se porventura a nova música do Chico Buarque não era muito dançante, a gente dava um jeito, modificando o rítmo ou o andamento e sempre agradava porque “tocava” nas rádios e TVs . Nossos equipamentos, embora modernos, eram de uma pobreza franciscana. Um órgão CARIBBEAN de 2 teclados era a apoteose da sofisticação e, a Giannini preponderava. Ter uma guitarra envenenada por Robertinho do Recife era para poucos (a gente tinha) e caixas de retorno nem pensar. O baterista ficava entre os amplificadores,à frente os microfones e a gente ali no meio mandando ver. Uma caixa de som de cada lado (logo depois dos microfones) de frente para o público e pronto.

Mesmo depois de anistiado terminei sentando praça em Candeias e fazia séculos que não botava o pé na calçada à noite. Durmo no máximo às 21Hs e às 4 Hs já estou de plantão. Mas dois eventos,quase no mesmo período me obrigaram à sair da toca.Um aniversário de um parente e a formatura de uma sobrinha. O aniversário coincidia com uma festa no Country Club, e a formatura foi num lugar metido à besta na Rua Benfica. No Country estava a Orquestra de Spok e na Benfica uma tal Orquestra Universal. Eita como me diverti.Virei uma espécie de MICHAEL TRAVOLTA ASTAIRE DA SILVA.

Equipamentos ultra modernos, todos os instrumentos microfonados (sem fio) e no mínimo uns 15 músicos por banda.Num certo momento,Spok acompanhado por outros instrumentistas de sopro, saiu em fila indiana, desfilando pelas mesas e o som lá. Limpo. Cristalino. Fiquei incrível.

Notei que eles começam com clássicos das “big bands” (In The Mood,Cheek to Cheek, etc) então os cantores se revezam dentro dessa mesma linha (Sinatra,Bennet,Ella…) e tome festa. Bossa Nova, Tropicália, rock, pop, salsa, sons de todos os matizes (Brasil,England,Caribe…) e prá fechar uns bons frevos (de bloco,canção e de rua) e quando dei por mim… perdi a caminhada do domingo.

Arranjos e execuções do mais alto nível. Exceto brega , lixos do tipo funk maloqueiro e axé, o bom gosto preponderava, contemplando os mais diversos estilos e épocas. No salão podia-se sentir o clima de satisfação e alegria que tomava conta dos casais de 8 a 80 anos.Dos netos aos avós,tenho certeza,todo mundo se divertiu. Eu mesmo,daqui a uns cinco anos,quando liberarem novamente meu “visto” não perco outra.

Até meados dos anos 80 era uma verdadeira resenha, uma maratona, encontrar um instrumentista de qualidade razoável e disponível em Recife, notadamente os “de sopro”. O Conservatório, sempre vetusto, formava poucos e com certa mentalidade elitista,”desaconselhava” suas virtuoses à trabalharem fora da música erudita, conservadora . Então,de repente surgiu o CENTRO DE CRIATIVIDADE MUSICAL,mais aberto, moderno, alegre e principalmente acessivel aos menos favorecidos. Ainda quando o CCM engatinhava, pude testemunhar a felicidade indisfarçável no rosto de uma molecada que num átimo (adoro essa palavra) começava a descobrir seu caminho com aquela oportunidade que se abria tão generosamente.Lembro de Spock,Nena,Tostão (hoje baterista de Elba Ramalho) e tantos outros.Lembro de minha amiga saudosa Dora (esposa do também querido Dr.Romário ), que trabalhava (e vibrava) no Centro de Criatividade.Tenho quase toda certeza que o CCM foi o principal responsável por esse ressurgimento musical do Recife. Só sei que hoje em dia, ao caminhar pela cidade corre-se o risco de tropeçar num trompetista ou trombonista ou… da melhor qualidade. E isso explica  o nascimento de bandas e orquestras de padrões 5 ESTRELAS na cidade. E são muitas.

PS: Sem puxasaquismo e com toda justiça, esse post é uma homenagem ao caçula EDGAR MATTOS que, tem responsabilidade por esse fenômeno musical que vem magnetizando o Recife.

Para o broda João Carlos de Mendonça.

Começando pela dupla Lula Cortes e Tito Lívio. Grande Lula, que lá do Hubble está vendo tudo por aqui. Na paz:

Eu morava em Salvador. Então haja acarajé, chopp, saudades e marias joanas:

Depois Zeca Baleiro em show ao vivo no teatro Fecap – SP em Março de 2010, com Lula ainda vivo.

Agora não tem como. Pensei no Ave Sangria. Mas tem essa música que outrora passou aqui no Fusca. E hoje é quinta. Já é o dia da semana que a gente se emociona. É a véspera da sexta quando a humanidade enloquece. E a gente… meninos quintanamente passarinhos:

Aí chega Macca. Quando começou a idéia do Sábado Som. Alguns dias depois do fim dos Beatles, que nunca terminaram:

E arroi:

Então… passeando pelo Blog do Poeta Tadeu Rocha eis que encontro a definição de João Carlos de Mendonça. E mais não digo.Digo mais nada:

Sábado Som. Por João Carlos de Mendonça.

                                B  R  E  G  A

Lembro que o figurinista Denner cunhou o termo cafona, para designar tudo que representasse  o “mau gosto”. No âmbito da música popular, o termo Brega começou à ser usado no finalzinho dos anos 70. Sua origem mais provável se refere as casas/castelos do baixo meretrício das cidades do Nordeste mas , há quem acredite ter origem na Bahia numa rua onde funcionavam várias “casas das luzes vermelhas” chamada Rua Manuel da Nóbrega em Salvador. Há também quem admita que o termo é mais antigo e oriundo do Rio de Janeiro, onde pessoas da classe média referiam-se às empregadas domésticas como “breguetes” , expressão que, por conseguinte, designava seus hábitos, trajes e gostos em geral.

Particularmente, do ponto de vista musical, eu reconheço duas classificações para os BREGAS: os AUTÊNTICOS e os OPORTUNISTAS. Se eu já tinha simpatia pelos AUTÊNTICOS, mais ainda fiquei quando uma vez no Rio de Janeiro, conversando na EMI com um executivo, perguntei sobre a produção luxuosa de um disco do Milton Nascimento (capa,músicos de primeira linha,orquestra,horas de estúdio etc) que certamente venderia pouco (no máximo 80 mil cópias) e este me explicou que o lucro com os “bregas” cobriam tudo.  Noutras palavras, a gente de certa forma, pode se deliciar com o Clube da Esquina 2 graças as grandes vendagens e baixos custos de produção da turma da “cafonice”.

Imagine o sujeito criado em guetos de pobreza social e ecônomica alarmantes, geralmente filho de trabalhadores de pouca baixíssima remuneração, tais como carroceiro, empregadas domésticas, ambulantes e  afins, com pouca ou nenhuma escolaridade, e que sabe-se lá como, aprende , mesmo de forma rudimentar, à “tocar” violão.Que tipo de música este rapaz vai criar senão aquela oriunda deste ambiente?  As paixões, separações, brigas, traições e vinganças certamente era o conteúdo preponderante das canções que ele ouvia no barraco, no boteco, no puteiro e principalmente na vizinhança. Músicas que falavam coisas ao alcance dali, da tribo. Ou alguém imagina que esse jovem seria capaz de perceber uma metáfora buarqueana por mais óbvia que fosse ? Este é o verdadeiro roteiro da biografia comum dos AUTÊNTICOS. E eu tenho carinho, respeito (embora morra de rir ouvindo-os) e até alguns CDs. Podem acreditar. MAURÍCIO REIS é o meu favorito. Inusitadamente tão ruim, mas tão ruim que é ótimo. A voz dura, esquisita, parece que está brigando com a melodia.VERÔNICA é seu maior sucesso, mas tem também MERCEDÃO VERMELHO , com seu comovente refrão “tu és meu hotel, tu és meu espelho”. Sem falar do seu mais vendido LP, Fim de Noivado. Até a morte de MAURÍCIO se deu de forma incomum: afogou-se no meio de uma estrada. Uma chuva torrencial transformou um trecho de uma BR em rio e ele inadvertidamente “mergulhou” com carro e tudo na “estrada”. JOSÉ RIBEIRO é outro ícone. Mas como não se deliciar com ALMIR ROGÉRIO (Fuscão Preto), CARLOS ALEXANDRE (Feiticeira), FERNANDO MENDES (Cadeira de Rodas), e o grande BARTÔ GALENO ? Como esquecer o verdadeiro “rei”, com mais de 22 milhões de discos vendidos, AMADO BATISTA ? Tem gente mais da antiga (Waldick Soriano, Lindomar Castilho, Odair José, Jane & Herondi) e outros tantos que teimam em não vir à memória. Oh céus!

Os OPORTUNISTAS são muitos.Daria uma enciclopédia. Gente que faz música ruim, canta pessimamente, apela prá escrotice coreografada e exibe-se em trajes mínimos de eloquente mau gosto.Esse povo tem absoluta consciência de sua mediocridade mas sabe que é o jeito mais fácil de fazer grana.Breganejos,Axé,Pagode Mauricinho,Pagode Maloqueiro,Funk Carioca… por exemplos.Há também aqueles que se levam à sério.Se acham… ouFábio Jr,Maurício Mattar,Gretchen e Zé Augusto não se julgam um “must” ?

Nosso REGINALDO ROSSI é o maior representante da classe dos OPORTUNISTAS. Sei que tem muita gente que o aprecia, até por reconhece-lo como um AUTÊNTICO. Mas a verdade é bem outra.Eu era garoto quando o conheci cantando rock na banda The Silver Jets de Recife e dizia-se que ele era ”professor de matemática” (?). No final da Jovem Guarda, até fez sucesso com um pastiche de FESTA DE ARROMBA (Erasmo Carlos)  chamado Festa Dos Pães. De verdade, ele nunca fez parte do Programa do Roberto. Não chegou nem na porta. Depois de zanzar sem sucesso pelo Sul,voltou ao Recife “emulando” a voz anasalada, o sotaque e as gírias já em desuso do Roberto Carlos ( Bicho!; Mora ? É uma brasa! etc) por volta dos anos 80 e de repente caiu na graça da breguice generalizada de nosso refinado “high society” (e dos incautos) , principalmente daquela fatia que não sai das colunas sociais. A maravilhosa GARÇON , muito provavelmente , vai virar o Hino Oficial de PE e ser executada em cerimoniais (até casamento). Outra pérola de seu repertório é a versão que ele “cometeu” do hino hippie SAN FRANCISCO, tranformando-o em QUANDO EU VOLTAR PARA O RECIFE. Noutra ode à Veneza Brasileira, algo tipo RECIFE TEM ENCANTOS MIL (“é um pedacinho do Brasil”… que rima, que achado sensacional! E eu que achava ser o Recife um pedacinho da Indonésia!) , no final da canção, num ato de covardia explícita, para não correr o risco de desagradar aos “não-pernambucanos”, faz uma discurseira elogiando outras cidades , quase se desculpando pela elegia ao seu cadinho natal. Prá concluir, lembro que ROSSI costuma se ”esquecer” discretamente das obras de outrem. Pouca gente sabe que DEIXA DE BANCA é uma versão escrita por Erasmo nos anos 60, para uma música italiana e que virou BOROGODÁ pela goela de Reginaldo. Também, “sua” salsa AMIGO foi escrita pelo guitarrista CARLOS SANTANA e se chama GITANO(curiosamente lançada no album AMIGOS, do guitarrista mexicano). Não se iluda. Ele sabe muito bem onde pisa, conhece o verdadeiro tamanho do próprio talento.

Como se vê, BREGA é coisa séria.Assim como muita gente tirou (ou tentou tirar) proveito da Bossa Nova, do Tropicalismo e até do Regionalismo autêntico , muito oportunista enveredou pelo popularesco descaracterizando o legítimo BREGA. Tudo bem que ROSSI ganhe seu pão em cima dos desavisados mas, dói quando o vejo ser aclamado como o Rei da Música Pernambucana. A gente merece ? Com franqueza ?

Sábado Som. Por João Carlos de Mendonça.

R  O  C  K     B  R  A  S  I  L

 

Uma crítica contumaz que se fazia e se faz ao chamado Brock é que,diferente dos outros tantos estilos musicais, este carece de um sotaque brasileiro. Nos anos 80, quando definitivamente o rock sentou praça por aqui, houve até quem relacionasse os “nossos”  com os originais estrangeiros.  Algo do tipo B-52s (Blitz), THE SMITHS (Legião Urbana), DURAN DURAN (RPM), HARRISON (Lulu),STONES (Barão Vermelho),THE POLICE (Paralamas) etc, etc. Ora, toda e qualquer música popular não veio do nada. Se formos atrás, elas estão bem distante, lá nas cavernas dos nossos antepassados. Os cantos e batuques tribais dos escravos africanos deram no blues/jazz e as canções do folk anglo-saxão deram na country music americana e, todos juntos deram no ROCK.  Este em particular, ao aportar na Jamaica virou “rock steady” e então, o reggae. Pelas mãos mexicanas/gitanas de CARLOS SANTANA deu-se o Latin Rock e no Reino Unido, virou o eternamente festejado British Rock, de onde se originou o psicodelismo,o progressivo, o heavy metal,o punk e o new wave e…

Foi com um olho nas Big Bands que Severino Araújo fundou a nossa eterna Orquestra Tabajara que além de Tommy Dorsey e Glenn Miller acrescentou a “gafieira” aos metais em brasa. Foram nossos heróis de formação erudita, que ralavam nas noites cariocas tocando jazz que trouxeram o samba prá pedaço e raiaram com a Bossa Nova e, hoje em dia, qualquer esquimó a identifica como música autenticamente brasileira.

A coisa toda é um “processo”. Às vezes lento, às vezes rápido. Acreditem mas, CAUBY PEIXOTO, AGOSTINHO DOS SANTOS e ELIS REGINA gravaram rocks sem muita aceitação mas, quando CELY CAMPELO lançou suas versões bem apropriadas, a coisa pegou e sobrou até para seu irmão TONY e o fugaz CARLOS GONZAGA. A JOVEM GUARDA, apesar de bem sucedida comercialmente, manteve as “versões” como padrão embora ROBERTO e ERASMO criassem alguns clássicos nos primórdios. Justamente o TROPICALISMO, já chegou com todos os ingredientes do rock brasileiro, juntando tudo,inclusive a Jovem Guarda,na panela. Claro que OS MUTANTES faziam rock com a cara (e a coragem) de MPB mas, é só dá uma olhada na época para se identificar em Gil,Caetano e Gal as mesmas tendências. Aquilo era rock sim e muito verde-amarelo-azul-anil. Mais tarde houve sim uma tentativa  fracassada de se copiar o “rock progressivo” mas ERASMO CARLOS e principalmente RITA LEE e o RAUL SEIXAS já esbanjavam nossa malemolência musical em seus inseparáveis rock and rolls. Nada mais brasileiro.

Só no início dos agora históricos ANOS 80 o rock tirou seu visto de permanência no Brasil. De início, tocando fundo a alma brasileira com temas do agrado nacional: humor e amor. A BLITZ estourou com o casal suburbano das batatas fritas. OS PARALAMAS cantavam a moto que papai proibia de Vital que, por trás das lentes era um cara legal. Paulinha e o KID ABELHA não queriam saber de solos de guitarra e de bermudas, o caso era sério. O BARÃO descrevia a trajetória de Bete Balanço para os “insensíveis” TITÃS enquanto a atônita LEGIÃO URBANA questionava: será só imaginação ?  É claro que, as gravadoras foram às nuvens e despejaram, sem critérios lixos do tipo METRÔ, MAGAZINE, SILVINHO BLAU-BLAU, CAMISA DE VÊNUS, ENGENHEIROS, NENHUM DE NÓS, YAHOO e… haja paciência ! Mas quem tinha bala na algibeira cresceu, depurou-se e criou canções que, marcaram uma geração e permanecem, já incorporadas à melhor música brasileira. Estilos foram depurados, experimentações musicais e líricas foram urdidas e só as tragédias da vida nos privou de artistas brilhantes que ainda prometiam mais e melhores “blues”. Confesso que não gostava da LEGIÃO. Achava que não estava a altura do talento do Renato Russo com sua voz e versos poderosos (mas é óbvio que não sou o Senhor Verdade Absoluta). CAZUZA cada vez mais cortava o cordão umbilical e o mimo dos papais e crescia como pessoa e artista. IRA,PARALAMAS e TITÃS mantiveram o nível de qualidade (Hebert Vianna é um gênio assim como o Arnaldo Antunes). LULU SANTOS continua perene como o último romântico (e guitarrista fantástico). PAULA TOLLER é sempre ótima e dulcíssima. Será que o Mangue Beat vingaria se os 80 não abrissem as portas ? E mesmo desse movimento musical pernambucano pudemos constatar que “quem é bom fica!” e gera frutos.  O SKANK já está entre os grandes e mesmo o deboche,a ironia e as piadas certeiras dos MAMONAS (que tanto me fizeram gargalhar) não escondiam os bons músicos que eram e a inteligência malandra do DINHO. O lixo “broda”, o gato enterrou, como de costume. E temos sim o nosso rock. Ou melhor… roque !

 

POSFÁCIO ESPECIAL DE LUXO POR EDGAR MATTOS:
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Mais que todas as instrutivas sabatinas do nosso Maestro JC, esta de hoje eu qualifico de ‘essencial”. De forma sintética e clara ela explica a origem de tudo. O processo. Mais Lavoisier ( foi ele mesmo ? ) do que nunca: nada se cria, tudo se transforma. Muito pedagógico. Simples e abrangente.Etimologicamente magistral ! Hoje vou dormir menos ignorante. Ao som de um brasileiríssimo roque…

 

PS – João Carlos, me permite esse vídeo “intrometido” no seu belo artigo.

Vamos esperar o nosso Engenheiro de Som chegar de Porto.

Mas vamos mandando nossos rocks por aqui. Brazucas. Do bão.

 

Sábado Som. Eterno. Por João Carlos de Mendonça.

C A R L Y    S I M O N

Não bastasse ser uma bela morena com uma boca a la Sophia Loren, CARLY SIMON é dona de uma voz elegante e de um talento natural para compor. Ao contrário da maioria,nasceu em berço dourado. Seu pai era um bem sucedido proprietário de  editora.Contudo, a garota teve de ralar para ganhar notoriedade, cantando música folk ao lado da irmã como as Simon Sisters durante os anos 60. Sequer chegou à gravar algum disco.

Carly ainda hoje é uma artista coerente.Raramente teve estrondosos sucessos mas ganhou prestígio por se manter longe de modismos circunstanciais, desenvolvendo uma carreira perene,conquistando seu espaço aos poucos,sem arrebatamentos.Seus albuns sempre venderam bem e seus shows ainda lotam estádios pelo mundo, mas sempre sem exageros. Já no início dos anos 70,quando iniciou realmente sua carreira solo,podia-se notar que ali estava uma artista com conteúdo.Não foi à-toa que passou à conviver com grandes celebridades da música de então.Gente como Mick Jagger,Lennon,Paul Simon (não são parentes)  e casando-se com James Taylor, com quem teve um filho.

Curiosamente, CARLY à cada década conseguiu um “super hit number 1″ . Em 71 sua canção That’s the way I’ve always heard it should be chegou às paradas com sua letra versando sobre as dificuldades de um casamento.Como se vê, a conversa já começou longe do “cursinho pré-vestibular”, a voz da estreante era a de uma mulher. Ela foi em frente e já no segundo disco, NO SECRETS, de 72, The Right Thing To Do , abriu as portas do mercado internacional, mas a tocante balada You’re So Vain (com um modesto Mick Jagger no “backing vocal”) foi mais além, estabelecendo a cantante no mesmo patamar dos colegas incensados.Longe do deslumbramento,CARLY dividiu com o maridão James Taylor os vocais na regravação empolgante de Mockinbirde na deliciosa canção escrita por Taylor, Mexico. Ora mergulhando,ora voltando à tona ,CARLY SIMON marcou a década interpretando uma balada escrita para a trilha sonora de 007 – O Espião Que Me Amava, levando para casa  o OSCAR com NOBODY DOES IT BETTER. Nessa mesma época,sua cançãoYou Belong To Me chegou ao topo, interpretada pela banda The Doobie Brothers, embora poucos saibam que é de sua lavra.

Nos anos 80,em meio ao fogaréo das bandas “new wave” , CARLY SIMON não mudou de itinerário e meio “sem querer como quem quer”,pelas beiradas estourou com o album COMING AROUND AGAIN ,música tema do filme A Difícil Arte de AmarDesse mesmo disco,mais dois sucessos nasceram quase instantaneamente: Itsy Bitsy Spider , canção de temática infantil ,e a magistral interpretação do clássico As Time Goes By.Simplesmente,arrebatadora.Aquela gaita entremeando com o canto de Carly é um achado soberbo.

A mulher cada vez mais linda,continuou administrando a carreira na maciota e certamente estimulada pela boa recepção à AS TIME GOES BY,em meados dos anos 90, depois de uma rigorosa pesquisa, lançou um album imperdível chamado FILM NOIR. Uma coleção de canções temas de filmes antigos, arranjadas com muita elegância, formam um “todo” prá lá de chic. Lily Marlene e Every Time We Said Goodbye são as minhas favoritas. Já mais recentemente, depois de se redescobrir como intérprete e dentro da mesma linhagem,CARLY lançou o disco MOONLIGHT SERENADE sobre o qual nem é preciso comentar. Pelo arranjo da canção-título vê-se logo que estamos diante de pérolas.Puro bom gosto.

Que não se espere grandes surpresas dessa novaiorquina,cantora,compositora,pianista e violonista. CARLY SIMON,já chegando aos 70 anos,continua bela , cantando como nunca. E levando a vida na valsa… ou seria na bossa ?

Sábado Som Especial. Por João Carlos de Mendonça.

31 /12/11

Eu lembro muito bem que mandei  um e-mail pro Domingão com um comentário sobre a visita de PAUL  McCARTNEY ao Brasil em novembro de 2010 que terminou em post. No dia 8/12/10, nos sempre tristes aniversários da “passagem” de LENNON, sugeri   que o Arsênio escrevesse algo sobre. Ainda acho que seria um texto maravilhoso, certamente, mas ele insistiu para que eu o fizesse e assim foi feito, porque eu não queria que aqueles 30 anos de saudades fossem ignorados.

Fiquei muito feliz com a receptividade de todos.Com a boa vontade e o carinho (tão raros noutros lugares)) da turma ,que mesmo não tendo eu,o dom da escrita, longe das maestrias dos gurus Edgar e Arsênio , das poesias do Domingão,Magna,Maia  e do Tadeu (vai ser jubilado por falta), Tadeu que não conhecia os TRAVELING WILBURYS e virou fã e,isso por si só,já fez o SS valer a pena. Então ,não tive pudores e enxerido como nunca (eu sou do tipo que se oferece), propus ao ex-dono do blog (agora o blog é nosso e ele é apenas mais um sócio KKKK) fazermos o SÁBADO SOM. E generosamente o Domingos me cedeu este espaço nobilíssimo . Sinceramente, quando me dei conta do meu “impulso”, tremi nas bases. Percebi que tinha muita história prá contar,relativas à música mas, dei-me conta  de que não eram tantas assim. O que fazer Jesus ? De repente, estava no Google, nos livros e revistas velhos, pesquisando, dirimindo dúvidas e na mais engraçada mendicância de “assuntos”. E então ?

Meu objetivo nunca foi ser professoral, dono da verdade e do bom gosto. A minha idéia, sempre, foi “levantar” a bola, propor um tema prá gente papear na “barbearia nos dias de sábado” (agora a barbearia foi promovida à salão-de-beleza com a feliz chegada da Magna). Confesso que não faço questão de preciosismos. Certamente fui impreciso em mil momentos mas,a idéia é essa. Alguém vai corrigir meus vacilos e pronto. Ótimo. Falamos de grandes feras do mundo  mágico da música. Visitamos estes craques internacionais e brasileiros. De cabeça,lembro que o primeiro “post” que escrevi em 2011, exatamente no dia 1/1/11,foi sobre o Creedence Clearwater Revival.  Então vieram  Deodato, Evinha , Raul Seixas, Glenn Miller, Pink Floyd, Yes, Elis Regina, Simonal, Wilburys, Chico Buarque, Roberto Carlos, Jovem Guarda, Phil Spector, Elvis, Isolda, Big Boy, The Who, Gal, Dominguinhos, Refazenda, Berry Gordy Jr, Geraldo Maia, Pepperland, Zé Rodrix, Liminha, Sticky Fingers (Stones), Novos Baianos , Lulu Santos, Os Mutantes, Elton John, Djavan, Beto Guedes, Helena Dos Santos, Taiguara, Karen Carpenter, Billy Presto Queen. Santana, Paul Simon, Allen Klein, Bangla Desh, White Album , Stevie Wonder, Tamarineira Village e o Manual do Festival. Haja assunto! Esqueci alguém ?

Ora, o melhor pedaço a gente guarda pro fim, certo ?  A parceria sempre certeira,oportuna e carinhosa do broda  ANDRÉ GUSTAVO. Cuja participação é/foi/será  no mínimo FUNDAMENTAL. Sempre. FELIZ 2012 meus queridos. Todos vocês!!! E não se animem! Vem muito mais “Sábado Som” à caminho.

ENTÃO É NATAL. POR JOÃO CARLOS DE MENDONÇA.

E N T Ã O    É    N A T A L…

 

O período natalino é sempre comovente. Mesmo sabendo  que por debaixo dos panos o estímulo ao consumo desenfreado e irresponsável prepondera sobre a fé, impondo uma cultura  de gastos inconsequentes com presentes, festas e mais festas, reformas de residências, roupas e que tais, o Natal sempre toca nossos corações e nos deixa mais sensíveis (pena que só em dezembro isso aconteça).

 

Uma das coisas que me remetem à infância eram os Natais, especialmente porque em minha casa aquelas canções não saiam da vitrola; Jingle Bells, Noite Feliz, Brincadeira de Papel (?) … tinha também aqueles discos dos Pequenos Cantores da Guanabara e a onipresente Harpa Maravilhosa  que a gente ouvia em cada esquina, em cada residência, em cada loja do centro e nos sentíamos sob a neve.  E como cães pavlovianos  babávamos férias, presentes e confraternizações (no caso dos adultos tinha também o 13º ). Mas que aquelas canções nos tocavam, ninguém pode duvidar. Lembro de um episódio , quando ainda adolescente em Casa Amarela , quando estávamos na Missa do Galo  na Igreja da Harmonia e o repertório continuava o mesmo dos cultos dominicais, então, ao final, inesperadamente, quando nos preparávamos para voltar para casa e participarmos da festiva ceia e da troca de presentes, o coral  começou (e todos aderiram)  aqueles versos:  “noite feliz/silêncio e paz/oh Senhor/Deus de amor/pobrezinho/nasceu em Belém…”  (e eu só imaginava aquele bebê sendo cruelmente imolado numa cruz), o Zé Mané aqui não se segurou. Por mais que eu tentasse,as lágrimas  jorravam e minhas mãos não conseguiam disfarçar… foi inesquecível (como vocês podem notar) , lindo. Um momento de pura magia e emoção. Se os presentes morressem ali, naquele momento, iríamos todos direto ao Nirvana.

Curiosamente, num país tão rico e diversificado musicalmente,o Brasil não tem tradição na criação de canções propícias à esta fase do ano. No máximo,com relação àquelas velhas canções de Natal, nossos autores escreviam versões para os originais americanos que nos são tão familiares. Diferente dos mercados europeu e americano que absorvem bem esse tipo de música. Vários artistas que admiramos,não raro,gravam discos anuais com temática natalina, criam e recriam músicas inesquecíveis que,pasmem,fazem grande sucesso também por aqui,embora poucos percebam tratar-se de temas natalinos. Tanto que em janeiro de 1988, Once Upon A Long Ago de McCartney,estourou em nossas rádios (e era quase Carnaval). Outras tantas tornaram-se emblemáticas, como a definitiva interpretação de Stevie Wonder para a AVE MARIA e a icônica Happy Xmas de John Lennon. Mas acreditem, Sting,David Bowie,Madonna,Rihana,Lynyrd Skynyrd,Sinatra,Bing Crosby,Sarah Vaugham,Dionne Warwick,Elton e tantos outros (até bandas de “heavy metal”)  registraram e registram músicas no estilo. Outro dia, vi um filme em que o HUGH  GRANT  interpretava um sujeito “bom vivant”,namorador e imaturo afetivamente,que sobrevivia às custas dos Direitos Autorais de uma canção natalina escrita pelo pai,que ano após ano voltava às paradas  no período adequado.E ele destestava a música.

Como se vê, por aqui, de fato não há mercado para esse tipo de canção.É uma pena, mas prova  disso foi o louvável esforço do nosso Ivan Lins que,poucos anos atrás,além de iniciar uma campanha entre os colegas, lançou um CD com canções com temática natalina,explorando nossos melhores rítmos (baladas,inclusive) mas que não  foi nem um pouco exitoso. O jeito é nos contentarmos com a  “maravilhosa” versão que “cometeram” para a voz de SIMONE:  Então é Natal…

PS:  FELIZ NATAL aos broda. À todos os irmãos/amigos que leem (e os que não,também) a  poesia do nosso querido FUSCA e o nosso Sábado Som. Happy Xmas! Hare Krishna! Axé!

 

 

 

Sábado Som. Por João Carlos de Mendonça.

J O V E M    G U A R D A

No início dos anos 60 a indústria do entretenimento fervilhava no mundo com a chamada “Invasão Britânica” e, mesmo no Brasil , esse acontecimento teve eco com o surgimento de grupos e cantores voltados para a juventude. As gravadoras lançavam, ainda que timidamente,alguns poucos artistas e mesmo a televisão, pouco contemplava o público jovem.

Saiu da cabeça de alguém da TV RECORD (que aliás, na época ,era a TV  onde fervilhavam as melhores idéias) a concepção de um programa de auditório rigorosamente para o público jovem. Convocado para a produção,Carlos Imperial nem vacilou ao indicar Roberto Carlos (que então já começara a frequentar discretamente as paradas de sucessos) como apresentador.Mas,em consonância com o conceito de “grupo” que vingava naquele tempo, Erasmo e Vanderléa seriam os pajens necessários para um programa AO VIVO, sujeito à contratempos aqui e acolá.Não raro, Erasmo ou Vandeca abriam o show enquanto Roberto estava atrasado ou “vai se saber o que”.

Curioso que o Jovem Guarda (nome escolhido) acontecia impreterivelmente aos domingos às 17 Hs em São Paulo mas, ao menos no NE, era apresentado aos sábados no mesmo horário e em vídeotape. Logo que o programa entrou no ar,a recepção positiva foi imediata e a CB, esperta, lançou logo um novo album do RC com o mesmo título,claro.Aliás,um discaço cujo único senão era uma inoportuna versão do fado Coimbra.

A verdade é nunca houve nada parecido com aquilo no Brasil até então.Foi um furacão.Se havia uma certa predominância do RC, todos os artistas que desfilavam semanalmente naquele palco passaram de repente a ter agendas cheias,vendas de discos estouradas, espaço quase total na mídia,e até filmes, protagonizavam.Calhambeque,Tremendão e Ternurinha eram respectivamente,as marcas pertencentes à Roberto,Erasmo e Vanderléa  e estampavam roupas,material escolar,utensílios domésticos,brincos,anéis,cintos e o que fosse possível imaginar. De repente,a juventude  adotou tudo que derivasse do Jovem Guarda,desde as roupas,cabelos e até,principalmente, as gírias e expressões.

É UMA BRASA, MORA ?”

Renato e Seus Blue Caps,Golden Boys,Incríveis,Trio Esperança,The Pops,Wanderley Cardoso,Jerry Adriane,Leno e Lilian,Martinha,Os Vips,Waldirene,Bobby de Carlo,Ronnie Von e outros tantos, eram verdadeiros ícones da época.Cortejados,requisitados e onipresentes no cenário musical brasileiro. Mas a música que produziam variava entre o bonzinho e gracioso até o péssimo. Calcula-se com boa vontade que 90% eram versões de originais americanos,ingleses e até italianos.Mesmo Roberto e Erasmo que já escreviam seu próprio material se serviam também das versões, embora com mais dignidade.Um lançamento do exterior chegava por aqui com uma defasagem em torno de 2 anos mas as gravadoras/distribuidoras tinham acesso imediato e repassavam para seus artistas locais lançarem as versões (a maioria,no mínimo,infelizes) em português.Era um vale-tudo onde não se respeitava nem de longe o tema da letra original.Alguém aqui se arrisca a identificar os títulos verdadeiros de pérolas como FECHE OS OLHOS,PENSANDO NELA,LOBO MAU,MEU BEM,ELA ME DEIXOU CHORANDO,POBRE MENINA,MENINA LINDA ou NÃO VOLTO MAIS ? Nem tente.É melhor. Claro que tinha boas canções.Românticas,ingênuas sem ser idiota e melodias graciosas e bem urdidas, mas a maioria…

Os artistas internacionais que serviam de inspiração à Jovem Guarda cresceram e mudaram.Evoluiram.E faltava competência musical e poética naquela moçada prá acompanhar essa evolução.Os históricos festivais de MPB começaram a revelar uma nova geração de artistas com bem mais conteúdo.Uma minoria percebeu isso e desviou da estrada mas os demais insistiam em permanecer ali,perdidos naquelas jovens tardes de domingo (sábado,por aqui). E prá piorar,apareceram 2 baianos…

Sábado Som. Por João Carlos de Mendonça.

GAL COSTA  -  CANTAR

1974 foi uma ano de grandes discos. Alguns, principalmente os internacionais, se não foram lançados exatamente naquele ano, desembarcaram por aqui no mesmo período. O rock progressivo preponderava. Caetano e Gil de volta do exílio com tudo e… cismados. Os Novos Baianos e os Secos & Molhados davam as cartas. Raul Seixas também. Chico Buarque urdia o craque Julinho da Adelaide, enquanto os pernambucanos do Ave Sangria eram boicotados pela gravadora e censurados por um escrevinhador de colunas sociais. Tabelinhas de Bowie,Lennon e Elton. A ”banda em fuga” , de McCartney, arrebentava, e lá estava o Led na capa da revista Rock. O carrossel da Holanda surpreendia ( na bola e no vice) e Sebastião Orlando decretava: “Hexa é luxo!”. Marcos Freire senador.

Aquele verão prometia.De meados de dezembro até o final de janeiro era só praia  ,bola, serenatas , paqueras e festinhas. “Recuperação” ? Nem pensar! Quem ousaria atrasar o verão ? Alguém sempre avisava: “esta semana a pelada é de manhã” (coisas da maré) e então, as tardes seriam de banhos de mar, pegar jacaré (ainda era jóia,apesar dos surfistas) e dos biquines cada vez mais “inhos”. E qual seria a trilha sonora daquela estação ? Certamente várias. A cidade tinha suas tribos e bairros.  Casa Amarela ditava a moda (e Casa Forte,Espinheiro,Aflitos e Graças pareciam seguir Yellow House). Olinda poderia seguir outra tendência .Mas naquela Boa Viagem, ainda indecisa entre ser praia de veraneio ou um bairro, onde se namorava no mar à noite, o disco bronzeado e incensado terminou sendo o singelo e despretencioso album CANTAR de GAL COSTA.

Gal, que vinha de um sucessão com o disco anterior, Índia, chamou Caetano Veloso para fazer a direção musical e este,convidou Péricles Cavalcanti para ajuda-lo. As sessões transcorreram de forma tranquila, cuidadosa e os músicos escolhidos foram aqueles cujo estilo mais se adaptavam ao clima quase acústico do projeto. O próprio Péricles,Gil e João Donato participaram. E o resultado foi um disco bem produzido,sem afetações (os tons das músicas evitavam os exageros vocais de Gal.Sua voz soava morna,agradavelmente no ponto) e o repertório apresentava novidades inspiradas e algumas regravações certeiras dos nossos melhores autores.A duração do LP (agora CD) era até curta para os padrões atuais.

O disco abre com dois balanços irresistíveis: BARATO TOTAL (Gil) e A RÃ (João Donato/Caetano) então a velocidade muda radicalmente com a ternura de LUA,LUA,LUA,LUA, toada para violões e bandolim, escrita por Caetano e pela delicadeza harmônica de CANÇÃO QUE MORRE NO AR, golaço da dupla Carlinhos Lyra/Ronaldo Bôscoli. O clima volta a esquentar com os metais na deciciosa FLÔR DE MARACUJÁ (João Donato/Lysias Ênio), feita prá se sair dançando, encerrando o LADO A. FLÔR DO CERRADO é típica do melhor Caetano, que pega emprestado as harmonias de Garota de Ipanema e põe outra melodia (que muda no refrão) e para dirimir dúvidas, no meio da canção,enquanto Gal canta a melodia,Caetano faz o contracanto com os primeiros versos de Garota de Ipanema. Brilhante! Segue então a ecológica e tribal JÓIA, também de Caetano, e mais uma vez a dupla Donato/Lysias com a pérola ATÉ QUEM SABE. A malemolência volta com O CÉU E O SOM (Péricles Cavalcanti) e disco quase fecha com LÁGRIMAS NEGRAS (Mautner/Jacobina) , porque Gal termina com CHULULU (Mariah Costa), uma vinheta.

Disco curto, texto curto… prá combinar com aquelas férias mínimas de 45 dias. Afinal, éramos estudantes e, diferente dos políticos,não merecíamos mais.

Sábado Som. Por João Carlos de Mendonça.

THE WHO

Definitivamente,um dos momentos épicos da história da música dos anos 60 foi o lançamento da chamada primeira ópera-rock, TOMMY, da banda inglesa THE WHO. O album narrava a história de um garoto que à partir de um episódio psicologicamente traumático tornava-se cego,surdo e mudo. A ópera narra esse evento com começo,meio e fim . Só este trabalho do THE WHO,já valeria um post exclusivo.Apenas para se ter idéia,TOMMY teve várias regravações e apresentações.Depois do seu lançamento com o grupo,foi também gravada pela ORQUESTRA SINFÔNICA DE LONDRES com a colaboração de vários intérpretes.Em meados dos anos 70,a história foi filmada para cinema e a trilha sonora incluia além do THE WHO, vários artistas do rock como convidados. Já, no início dos anos 90,ganhou uma montagem teatral e mais uma regravação da trilha sonora com os próprios atores, produzida por George Martin. Vale ressaltar que todas estas produções citadas foram muito bem sucedidas. Saudadas efusivamente por público e crítica.

A formação clássica do THE WHO se deu em 1964 quando KEITH MOON assumiu as baquetas e junto à PETE TOWNSHEND ( guitarras,vocal,violões,ukelele etc),JOHN ENTWISTLE (baixo,teclados e flautas) e ROGER DALTREY (vocal) iniciaram as gravações dos primeiros singles. Townshend,já era “o compositor” da banda,embora Entwistle vez em quando escrevesse algo e Daltrey menos ainda, quando lançaram as músicas I CAN’T EXPLAIN e ANYWAY,ANYHOW,ANYWHERE em 1965 que estouraram, principalmente entre os MODS, que eram uma espécie de “roqueiros cabeças” na época. A coisa pegou fogo mesmo com o lançamento do disco MY GENERATION,cuja música título incendiou o mundo com sua pegada de guitarra e a letra que,numa parte dizia “espero morrer antes de envelhecer”. Nesse hino dos “sixties”, Daltrey canta como um gago ou como estivesse “engasgado” em certos trechos.E é verdade. De fato ele se “atropelou” num “take”, e após ouvirem, resolveram registrar daquele jeito.Nesse mesmo período, PETE TOWNSHEND teve a guitarra danificada quando num salto,o braço do instrumento bateu no teto,a platéia gargalhou e ele,aborrecido,quebrou a guitarra inteira no palco.Foi uma vibração. No show seguinte o público esperava outra cena igual , PETE se negou à repetir mas KEITH MOON não vacilou e destrambelhou literalmente sua bateria.E a “quebradeira” virou marca registrada do conjunto.

Em 1966 lançaram A QUICK ONE, uma coleção de canções que,juntas,formavam uma história completa. No ano seguinte, THE WHO SELL OUT foi aclamado como “disco conceitual” por entremear canções com jingles e propagandas,como um programa radiofônico. Aqui,cabe esclarecer que o THE WHO, desde MY GENERATION já estava devidamente entronizado entre os “grandes” da época. Seu som poderoso, embora melódico e suas letras instigantes, originais, eram inconfundíveis, quando PETE TOWNSHEND declarou à RollingStone Magazine que estava cansado de escrever canções curtas e que pretendia alçar vôos mais arrojados.E já tinha deixado uma pista com a canção A Quick One,While He’s Away (do disco de 66) que durava 11 minutos (salvo engano).

Assim, TOMMY já nasceu “lenda”. Com o frescor,a ousadia e a beleza peculiares às grandes obras musicais.Mais ainda quando foi executado (alguns trechos) no Festival de Woodstock,em um dos mais celebrados seguimentos do filme. Aclamado como um dos melhores discos AO VIVO do rock, LIVE AT LEEDS veio em 70 enquanto o conjunto burilava seu próximo trabalho que,ao contrário do que se imaginava, não era mais uma ópera, apenas um disco comum porém com canções poderosas, bastante elogiado (e merece) chamado WHO’S NEXT. Há quem o ache o melhor da banda.Mas após quase 2 anos em estúdio, o THE WHO voltaria com QUADROPHENIA, a ópera-rock mais ainda celebrada que Tommy, embora com menos estardalhaço. O album foi um sucesso tremendo mas o filme foi menos bem sucedido. Certamente porque, desta vez, foi produzido com atores profissionais e sem nenhuma estrela do rock no elenco.Para muita gente é o ápice do grupo em termos musicais. Pode ser,mas quando em 1975 eu ouvi o THE WHO BY NUMBERS fiquei sem fôlego.Disco belíssimo,apesar de curto para os padrões da banda.A crítica elogiou,claro,mas achou-o bastante melancólico e sombrio. Houve quem o definisse como “um bilhete para o suicídio”. Mas é um discaço.

THE WHO continuou na linha de frente do “show bizz”,exibindo-se pelo mundo, porém paralelo ao lançamento do album WHO ARE YOU em 78,chegou a notícia do falecimento do baterista KEITH MOON. Uma overdose acidental de remédios contra o alcoolismo e depressão (Moon havia se envolvido em um acidente automobilístico que vitimou um amigo) levou um dos maiores instrumentistas do rock. A banda seguiu em frente com sucesso mas sem o carisma do baterista. Recentemente,JOHN ENTWISTLE também partiu. E sem os dois,as apresentações e discos esporádicos que costumavam acontecer até então fecharam o ciclo de vida do THE WHO.

As músicas da banda continuam abrilhantando trilhas sonoras de filmes para cinema e TV. São constantementes regravadas por outros artistas e todos os seus trabalhos foram relançados remasterizados em CD,DVD e BLUE-RAY. É só querer.

Sábado Som. Por João Carlos de Mendonça (*)

Y   E   S

Em 1967 surgiram os primeiros grupos do chamado rock psicodélico. Destes, o principal representante era o PINK FLOYD de Syd Barret,mas um ano depois,essa proposta foi levada muito mais adiante com o surgimento do YES. Mais que um som “viajandão”, eles criaram um estilo que incluia no rock elementos do jazz e principalmente da música erudita que deram margem ao aparecimento de vários outros grandes grupos,inclusive o próprio Pink Floyd (sem Barret e com Gilmour). Na falta de outro rótulo,cunhou-se o termo “rock progressivo” pela onipresença dos sintetizadores de última geração. Se o estilo exigia certo “virtuosismo” dos músicos,o YES seria a apoteose desse virtuosismo. Só para se ter idéia,vejamos seus dois membros fundadores: JON ANDERSON tocava apenas mais de 30 instrumentos musicais,aliás, foi o que fez em seu primeiro disco solo (ainda nos tempos do grupo), mas no YES limitava-se às funções de compositor e cantor (com sua voz aguda e rouca,beirando o feminino). Já o super-baixista CHRIS SQUIRE, foi flagrado em um vídeo dando um tremendo “pito” nos músicos da orquestra que os acompanhava. A política ali parecia não admitir “músicos bons”. Tinham de ser no mínimo “melhor que ótimos”. Nem é preciso citar que a rotatividade era enorme, entrando e saindo gente aqui e acolá,certamente por desentendimentos de todos os tipos. Antes de relacionar a formação mais bem sucedida da banda,vale nominar alguns “monstros” que chegaram e se foram e voltaram (alguns destes): Tony Kaye (tecladista),Patrick Moraz (tecladista),Alan White (baterista),Peter Banks (guitarrista) e até mesmo o multi-tecladista gregoVangelis, que andou colaborando nos discos mas Jon Anderson preferiu formar com ele a dupla JON & VANGELIS num projeto paralelo de muito,muito sucesso.

Curiosamente, dos 2 primeiros discos (Yes Time And A Word) , as músicas que ganharam público e crítica foram as versões de AMERICA (Simon & Garfunkel) EVERY LITTLE THING (Beatles) com arranjos diferentes,arrojados e ousados. THE YES ALBUM (1971) agradou em cheio, começando a delinear o som do grupo e as primeiras defecções. Nesse ponto da história, com a entrada de dois novos músicos o YES chegou à sua mais brilhante formação:
JON ANDERSON: vocal.
CHRIS SQUIRE: baixo.
RICK WAKEMAN: teclados.
STEVE HOWE: guitarras.
BILL BRUFORD: bateria.

Com esse time,o YES lançou seus 2 albuns mais brilhantes, alcançando reconhecimento mundial, ombreando com o PINK FLOYD no reinado “progressivo”.FRAGILE trazia os hits Roundabout e Long Distance e duas faixas curtas e belas que exibiam a magia de RICK WAKEMAN (Cans and Brahms) e de STEVE HOWIE (Mood For A Day). O disco seguinte,CLOSE TO THE EDGE,seguiu os mesmos passos com a faixa título ocupando todo o Lado A num superlativo espetáculo de beleza e competência.  De quebra ainda tinha a comovente And You And I. Canção de elegância erudita sem ser pretenciosa.
Já na excursão que promovia estas duas pérolas o baterista BRUFFORD pediria as contas,sendo substituido por ALAN WHITE. Por sua vez,RICK WAKEMAN tinha acabado de lançar seu trabalho solo,paralelo ao grupo, chamado THE SIX WIVES OF HENRY VIII. O sucesso inesperado do album (que tinha a participação dos outros membros do YES) obrigou-o à apresentações exclusivas do disco,afastando-o posteriormente,quase (prá variar ele ia e voltava de tempos em tempos) definitivamente da banda.

O grupo continuou gravando e excursionando (e trocando de músicos) com trabalhos irregulares e outros brilhantes. A música SOON até virou trilha de novela e os albuns GOING FOR NO ONE e TORMATO resgataram a credibilidade do conjunto mesmo no auge do movimento punk rock. Mais adiante,o grupo foi a estrela máxima da última noite do primeiro ROCK IN RIO (1985),fechando o evento, calçado por seus clássicos e pelo então recente sucesso da balançada canção OWNER OF A LONELY HEART.

Acreditem,mas o YES nunca acabou,nunca chegou ao fim digamos,oficialmente. Seus membros continuam a produzir trabalhos solos,shows e trilhas sonoras para filmes mas, inventaram um tal PROJETO UNION. Ou seja,a cada intervalo de 5 anos (parece) se reunem ,ensaiam e saem em excursão pelo mundo. Há sim, sempre com JON ANDERSON e CHRIS SQUIRE. Os outros,são os mesmos que entravam e saiam da banda,claro.

(*) No dia 05 passado, o Sábado Som completou um ano de vida. Parabéns a João Carlos. Temos um livro. Com certeza. Agradeço ao Broda a confiança , o esforço, o carinho, o empenho, em religiosamente , todo sábado , nos ter presenteado com textos excelentes e muita música.

Sábado Som. Por João Carlos de Mendonça.

L U L U    S A N T O S

Antes de mais nada é preciso reconhecer que estamos falando de um músico superlativo. Um guitarrista certeiro e afiado que sabe, como poucos, utilizar seu instrumento musical para adornar uma canção com absoluta sensibilidade, seja numa balada, num rock incendiário ou no estilo chamado “mid-tempo” ou “levada” (seu favorito). Suas influências percorrem caminhos não tão ortodoxos. Dificilmente um garoto fã de Jimi Hendrix e Jimmy Page termina caído de amores e se auto-proclamando primeiro discípulo de George Harrison. Mas de certa forma faz sentido, uma vez que ao começar à esboçar suas primeiras canções, LULU redescobriria a função da guitarra não apenas como solo, mas podendo ir além, como instrumento que pode fazer uma música crescer e brilhar mais intensamente. Para  ele os trechos de guitarra passaram a fazer parte da canção (como uma outra composição paralela) e não apenas um “improviso” no meio da canção.

Quando começou a estudar música aos 12 anos, LUIZ MAURICIO PRAGANA DOS SANTOS, como cantaria mais tarde, não era bom de bola nem o bamba das ciências exatas, e muito menos contava com a aprovação do pai militar, que queria ve-lo seguindo os seus passos nas Forças Armadas. A saída foi fugir de casa antes de completar o colegial e zanzar pelo Brasil com um bando de hippies.Voltou ao Rio de Janeiro aos 19 anos decidido à viver de música e já com o nome artístico, Lulu Santos, deixando para trás seu nome de dono de Cartório. Não tardou à montar a banda VELUDO ELÉTRICO que, entre apresentações e shows durou um ano. Novamente noutra banda chamada VÍMANA que flertava com o rock progressivo, teve como companheiros dois músicos que como ele, no futuro desenvolveriam carreiras solos com sucesso: LOBÃO e RITCHIE. As pretensões estilísticas do grupo não se “afinavam” com o som que ele pretendia desenvolver, assim, partiu para uma carreira solo.

Antes de chegar ao disco com o boom do rock brasileiro dos anos 80, Lulu ralaria um bom tempo atuando como “free lancer” em shows e albuns de vários artistas enquanto burilava suas próprias canções e seus “rockzinhos antigos”, e até escrevia artigos para a revista Som Três. Apresentou à gravadoraWEA sua parceria com Nelson Motta, TESOUROS DA JUVENTUDE que obteve um discreto sucesso. Seguiram-se dois estouros nas paradas; TEMPOS MODERNOS e a singela balada havaiana COMO UMA ONDA que colocaria definitivamente o artista entre os grandes da época.

Melodista hábil, captou muito bem as tendências da “new wave” acrescentando à formula, seu conhecimento do pop dos anos 60. Sozinho ou com diversos parceiros (Nélson Motta, Antônio Cícero, Ronaldo Bastos, Hebert Vianna, Gil, Sérgio Souza e Fausto Nilo) escreveu canções que colariam no consciente coletivo. Melodias agradáveis, aparentemente simples mas com harmonias bem urdidas e letras sem pretensões filosóficas porém nada pueris.De Repente, Califórnia por exemplo, parece narrar as “futilidades da mente de um surfista” e é isso mesmo. A canção foi encomendada para um filme. Produzida com a mesma naturalidade da bela, adulta e reflexiva  CERTAS COISAS . Citar todas as grandes canções de Lulu, tomaria todo o texto mas algumas delas vêm logo à memória como A SEREIA; CASA; TUDO BEM;  TODA FORMA DE AMOR; NORMAL.SINCERO, TUDO AZUL.ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE ,ÚLTIMO ROMÂNTICO, A CURA e TEMPOS MODERNOS.

Um dos poucos sobreviventes daquela fase histórica, assistiu o sumiço de artistas e bandas descartáveis e o fim de muita gente boa que o destino cuidou de levar, e volta e meia se recicla e ousa empreitadas “diferentes” como suas releituras de canções próprias e de outros colegas no CD eletrônico feito em parceria com o DJ MARCELO MANSUR, “EU E MEMÊ,MEMÊ E EU” de 1995. Outro projeto muito bem sucedido foi o DVD/CD Duplo ACÚSTICO MTV, retrabalhando seus clássicos com rara competência.

Na verdade, LULU encontrou seu caminho e segue com serenidade seu estilo, longe de competir ou repetir seus colegas contemporâneos e outros craques da MPB. Prefere, não raro, colaborar com a turma. Casado (até hoje) com a bela e exótica jornalista SCARLET MOON, o garoto cinquentão LULU SANTOS“não quer abafar ninguém, só quer mostrar que faz rock também.”

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