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Um poema bissexto. Quem dera…

Poemaço quem dera…

Afinal de contas eu … poemitos.

E soluçando vou respirando.

Acabando de vir da roda de choro e samba de raíz lá do Neno.

Pode parecer impossível. Mas foi lá. No Neno.

Samba de raiz.

Choro da melhor qualidade.

Sax, voz, violão de sete e cantor de prima.

E aí?

É um poema bissexto que sai ou não sai nesta terça-feira modorrenta?

Sai, mais ou menos assim:

Amor, quem dera,

promessas te alimentassem,

você não faz de conta,

a dura realidade é o teu concluso resultado,

rimas, versos, síncopes

que nada…

Eu quero é saber com quantos algoritimos se faz

um nerd…

Eu?

Sou da raiz dos irmãos;

Então lá vai:

Vivia esperando,

como se não pertencessse

a lugar nenhum,

Vivia? Quase nada…

Pois viver é antever o que o braço

estende até alcançar a morte…

Vivia,

mas vegetava,

não sabia

que o sono é sagrado

que as manhãs são afônicas,

que as luas são embriaguez,

que o violão é orfão.

Sabe, talvez pressinta,

os passos da vida além da morte.

Não faz poemas,

faz presságios,

olha a sílaba da dor

e se adianta

impedido,

como um atacante fora do seu tempo…

É cedo, 

mais do que o tempo pode predizer,

não foi ontem,

não será por hoje,

encontro velhos vultos,

na emboscada do bar,

eles se agigantam,

pois entesouraram metais,

que enferrujam..

Mas eu insisto..

É um poema longo,

cheio de decassílabos,

os entendidos dirão:

não presta…

o poema tem ritmo, tem luz, tem griffe,

o poema tem dono,

sobrenome,

e acima de tudo

o poema tem um céu.

Qual o céu do meu poema?

Ele não tem nem varanda,

nem balaustrada,

nem alpendre,

o meu poema é velho,

como uma vila de comerciários,

como uma casa amarela,

com0 um alto josé do pinho.

Mas ele existe,

e insiste.

E quem quiser…

Me diga como o poema nasce

de um parto prematuro…

Sobre Domingos Sávio

Brasil, nordeste, casado, homem, 45 a 50 anos. Alvirrubro. Poeta. Sonhador. Bancário. Pai muito feliz. Marido feliz muito. Filho orfão. Pais no céu. Que estão na terra os amigos. Nos livre do mal dos cartolas. Dos políticos nos livra o demo. Os anjos vivem no mesmo condomínio dentro de mim com meus demônios.

6 respostas »

  1. Poema vive dentro da gente. Basta um segundo de lulz e ele voa. lindo!

  2. E o teu comentário Hai-kai, bravo, bravíssimo. Valeu Fátima. Mesmo. Viva Brasília e Recife e a ponte que liga esta poesia imensa desta Terra Brasilis. Grande abraço obrigado e Amém.

  3. João Carlos

    Ah como eu queria escrever assim!

  4. EDGAR MATTOS

    Se isso não é um poemaço o bom gosto é que é bissexto…

  5. Eu também, João, eu também.

  6. Arsenio Meira Junior

    Domingão, poemaço.
    Em favor da beleza e do lirismo.
    Poeta, com P gigante, ao cuidar do próprio poema, com reflexos voltados para a Vida.
    Abração

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