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Sábado Som. Por João Carlos de Mendonça.

MAGICAL MYSTERY TOUR

A oportunidade que a imprensa esperava para malhar os BEATLES finalmente apareceu quando o filme MAGICAL MYSTERY TOUR chegou às telas das TVs britânicas no feriadão do Natal de 1967. Realmente, o filme é muito ruim. Sem pé nem cabeça e absolutamente amador. Houve uma certa prepotência da banda em abrir mão de um roteirista e de um diretor calejados e assumir sozinha aquela empreitada que, para piorar, foi exibida em preto-e-branco , apesar do original colorido. Talvez pelo insucesso do filme, o álbum maravilhoso com a trilha sonora tenha se tornado o patinho feio da carreira do grupo muito injustamente. Magical Mystery Tour é um discaço que, ouvido na íntegra, é tão bom quanto o Sgt. Pepper, embora siga a mesma linha musicalmente psicodélica da época, o que era raríssimo de acontecer com os BEATLES que, preferiam nunca se repetir, mesmo estilisticamente.Todavia, vale lembrar que as sessões de gravações dos “dois” álbuns se misturaram, acontecendo paralelamente. Por incrível que pareça, foram os americanos que deram ao MAGICAL sua roupagem definitiva e que terminou por ser adotada oficialmente pela matriz inglesa e mundo afora. O fato é que a EMI lançou essa trilha sonora de forma esquisita e até inusitada. Ou seja, embalou 2 compactos (cada um com 3 canções) num livreto com fotografias do filme e portanto, a mídia da época sequer passou à considera-lo como mais “um album” do conjunto mas apenas como compactos, apesar do sucesso das vendas. Até antes do lançamento do SGT. PEPPER, os americanos modificavam os discos à seu bel prazer, retirando e acrescentando músicas dos albuns originais e até usando capas e títulos diferentes , sob o argumento da melhor adequação ao mercado deles. Mas a verdadeira intenção era fazer muito mais dinheiro, posto que para cada 2 discos da banda, com a retirada de canções e o acréscimo de músicas lançadas em compacto, eles forjavam um “terceiro” disco e realmente enchiam os bolsos. Por isso mesmo foram ironicamente esnobados pelos Beatles que possaram para um disco americano trajados de açougueiros , exibindo pedaços de carnes , cabeças e braços de bonecas (essa capa foi retirada das lojas e trocada por outra mais convencional quando perceberam a piada. Hoje é uma raridade bastante cobiçada por colecionadores). No caso do MAGICAL MYSTERY TOUR, temos de aplaudir o que fizeram com o disco. Alegando como sempre, questões comerciais, eles acrescentaram 5 canções de compactos recém lançados que, juntamente com as 6 canções inéditas do filme formaram um belíssimo conjunto dando aos Beatles mais um disco fantástico. Gol de letra dos gringos. O disco abre com a canção título lindamente arranjada sob a forma de um “jingle” comercial. Segue com a clássica balada THE FOOL ON THE HILL e suas flautas divinas, que figura hoje como uma das melhores canções do grupo. FLYING é uma faixa curta e instrumental que serve como trilha de uma passagem aérea do filme. BLUE JAY WAY é uma música incomum de Harrison, com melodia meio lúgubre mas interessante, adornada por um órgão estilo catedral. YOUR MOTHER SHOULD KNOW é uma deliciosa canção evocativa que foi usada na cena final. O antigo LADO A encerra com a divina magia de I AM THE WALRUS, outro clássico “nonsense” da banda.O arranjo de cordas e metais, além do efeito “phaser” da voz de Lennon, ainda hoje em dia fazem-na soar moderna e vanguardista. O LADO B abre com o pop cativante de HELLO GOODBYE e sua letra “qualquer-coisa”. Tudo o que se diga das duas pérolas que seguem vira redundância, porque STRAWBERRY FIELDS FOREVER e PENNY LANE já nasceram hinos de uma geração. Além da melodia cantada em falsete e seu arranjo com arabescos, bastante criativo, BABY YOU’RE ARE RICH MAN  é tudo de bom. O disco encerra com chave de ouro com a icônica ALL YOU NEED IS LOVE,  o primeiro hino pacifista da era Woodstock. Marca registrada. Como se vê, o álbum MAGICAL MYSTERY TOUR reúne uma significativa quantidade de clássicos daquele período realmente mágico da música pop, formando um todo brilhante e fundamental na carreira dos 4 cavaleiros do após-calypso. Para o genial HEBERT VIANNA é o seu disco favorito. LENNON também achava o mesmo. E você ?

Sobre Domingos Sávio

Brasil, nordeste, casado, homem, 45 a 50 anos. Alvirrubro. Poeta. Sonhador. Bancário. Pai muito feliz. Marido feliz muito. Filho orfão. Pais no céu. Que estão na terra os amigos. Nos livre do mal dos cartolas. Dos políticos nos livra o demo. Os anjos vivem no mesmo condomínio dentro de mim com meus demônios.

19 respostas »

  1. E arroi. Olha o clipe aqui. Toitiço:

  2. João Carlos

    Eita! Domingão está se especializando em “trailler”. E arroi ? Aguardemos o André com os clips completos.
    PS: Será que o Arsênio aparece ? Se não vier a gente omite STRAWBERRY FIELDS… de propósito!

  3. TAQUIUPARIU!!!!Disco da POHA!!!Ouvi esse Lp um milhão de vezes quando era novo!!Depois de Rubber Soul,meu favorito dos oito discos oficiais,MMT é maravilha Beatle(pleonasmo da febe).Realmente,John,o filme é muito ruim,mas as canções são o supra sumo(ainda existe aqule drops?) do rock psicodélico.Sem mais delongas,vamos mergulhar nessa viagem:

  4. George era o cara:

  5. Tem canção mais psicodélica do que essa?:

  6. Fantásticamente simples e perfeita:

  7. Marselhesamente linda:

  8. João Carlos

    NA TITELA ANDRÉ! TRILHA MAIS QUE COMPLETA!

  9. Adaptando do neo-liberal recém convertido Caetano Velloso , com dois eles que elle agora é tucano collorido: Dos quatro cavaleiros do Apocalipse, do após-Calipso (kkkk eita Joelma cadê chimbinha?) faltam dois. Edgar e Arsênio. E cadê Magna? Se alguém tiver notícias dela manda me avisar por favor. Fui. O Sábado Som de hoje tá melhor do que ótimo como diria o Broda Johnny B. Good.

  10. EDGAR MATTOS

    Estranha essa fúria inonoclasta que acomete alguns frustrados com o sucesso. Incapazes de produzir alguma coisa significativa se comprazem em tentar destruir famas, desmitificar ídolos. Não teve um desses espíritos mesquinhos que ousou assacar contra Machado ? E outro, também, com Ruy Barbosa ? Em relação aos famosos de Hollywood a mania é descobrir o homossexualismo de certos machões das telas. Como se isso importasse. Como se a imagem dos personagens que alimentou nossa imaginação pudesse ser maculada pelo comportamente do do seu intérprete na vida real. Os Beatles poderão – como qualquer conjunto – ter seus momentos ruins, sem, no entanto, deixar jamais de ser OS BEATLES. Viva o nosso Maestro por mais essa aula.]

  11. Arsenio Meira Junior

    rapaziada, o disco é histórico. Como bem disse o maestro Johnny B. Good, as flautas de THE FOOL ON THE HILL são acachapantes. Mas… o próprio Johnny me conhece. STRAWBERRY FIELDS FOREVER e PENNY LANE SÃO MINHAS PREFERIDAS.

    O fino do fino, como postou nosso bravo André Gustavo.
    A eternidade em forma de canção.
    No totitiço geral.
    Valeu, Johnny.

  12. Arsenio Meira Junior

    GRANDE ANDRÉ.
    TÔ OUVINDO/VENDO STRAWBERRY FIELDS FOREVER, QUE AMIGO POSTOU.

    É DEMAIS, CAMARADA.
    TU ÉS TU, GRAÇAS A DEUS.
    OBRIGADO, IRMÃO.
    ABRAÇOS
    ARSENIO

  13. Eu estou aqui, mosqueteiros. Demorei, mas cheguei. Sábado de trabalho, domingo de descanso, sono, brincadeiras de criança e mais sono, pois não sou de ferro.
    Meu Sábado Som é no domingo, portanto. Já vi a aula de Houdine. Duas aulas por dia para não deixar a criatura aqui tão ignorante.
    Que mais dizer, João? Vivendo e aprendendo e curtindo os vídeos de André.
    Maravilha!
    Abraços!
    Magna

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