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A Vida em 24 FPS. Por Houldine Nascimento.

 

Tão forte e tão perto (EUA, 2012) Cotação: 5/10

 

Por Houldine Nascimento

 

Os atentados de 11 de Setembro de 2001 ainda repercutem na vida dos americanos. Tanto que, por motivos questionáveis, uma guerra foi movida usando essa desculpa. Uma década depois, o cineasta inglês Stephen Daldry decide rodar um longa que tem como pano de fundo aquele acontecimento que mudou o curso da história da humanidade. Baseado no livro de Jonathan Safran Foer (que aqui se chamou “Extremamente Alto e Incrivelmente Perto”) publicado em 2005, Tão Forte e Tão Perto (Extremely Loud and Incredibly Close, EUA, 2012) conta a história de um garoto que não consegue superar a perda do pai, morto numa das Torres do World Trade Center.

 

Oskar Schell (o estreante Thomas Horn, em missão ingrata) é daquelas crianças prodígios que só os Estados Unidos é capaz de ter. Com nove anos, o menino possui um nível intelectual difícil de encontrar até mesmo em certos adultos. Inventor amador como se descreve, ele tem uma grande admiração pelo pai, o joalheiro Thomas Schell (Tom Hanks). Quando “o pior dia de todos” chega, Oskar se comporta de uma maneira natural à situação, sem aceitar o ocorrido. Contraditoriamente, busca uma explicação racional para isso.

 

Se apegando a uma chave localizada dentro de um envelope, no antigo armário do pai, com o nome “Black”, o garoto parte com todos seus medos numa jornada pelos distritos nova-iorquinos para achar a pessoa em questão e a fechadura correta para esse mistério. A certa altura, Oskar diz: “não acredito em milagres”, no que é rapidamente respondido por uma das centenas de pessoas que possuem esse sobrenome: “se você encontrar o dono dessa chave, isso será um verdadeiro milagre”.

 

Até então fora das grandes premiações, Tão Forte e Tão Perto foi nomeado para dois Oscars (ator coadjuvante – para Max von Sydow – e filme). Sydow vive um homem mudo que é inquilino da avó de Oskar e se propõe a ajudá-lo. Os melhores momentos são proporcionados exatamente quando o veterano ator sueco (célebre pelos trabalhos com Ingmar Bergman) está em cena, de tal forma que torcemos para ele permanecer, um contraponto à chatice do menino. Além de Max von Sydow, o filme tem de melhor a fotografia, assinada por Chris Menges, e a trilha de Alexandre Desplat.

 

Embora haja o pretexto de que o comportamento dele se dá pela ausência de um ente querido, é difícil de aturar uma história em que o personagem central faz tudo para ser desagradável durante quase toda a projeção. Entre uma das tantas atitudes insuportáveis do garoto, está a que ele confronta a mãe (interpretada por Sandra Bullock), ainda frágil, dizendo desejar que fosse ela no lugar do marido. No elenco, ainda há Viola Davis e Jeffrey Wright como dois dos Black e  John Goodman fazendo o porteiro do prédio onde os Schell moram.

 

Stephen Daldry mostrou ser um diretor interessante quando fez a sua estreia com outro filme que trazia uma criança como protagonista, “Billy Elliot” (2000). Dois anos mais tarde veio sua obra maior, “As Horas”, no qual Nicole Kidman se entregou por completo na figura da escritora Virginia Woolf. Em 2008, ele realizou “O Leitor”. Pelos três trabalhos, foi nomeado ao Oscar de direção. A Academia de Hollywood gosta bastante dele, prova disso é ter indicado este último trabalho (sem dúvida o mais fraco) à principal categoria. Em vários momentos dos mais de 120 minutos, custa entender qual a finalidade de Tão Forte e Tão Perto. A trama parece “andar em círculos”. É difícil de acreditar que Daldry se dispôs a fazer um filme que, no final das contas, não chega a lugar algum.

Sobre Domingos Sávio

Brasil, nordeste, casado, homem, 45 a 50 anos. Alvirrubro. Poeta. Sonhador. Bancário. Pai muito feliz. Marido feliz muito. Filho orfão. Pais no céu. Que estão na terra os amigos. Nos livre do mal dos cartolas. Dos políticos nos livra o demo. Os anjos vivem no mesmo condomínio dentro de mim com meus demônios.

5 respostas »

  1. O trailer legendado:

  2. João Carlos

    Só deu tempo de ver o trailler. Logo logo leio o post do Houldini. Mas parece que o negócio é forte!

  3. João Carlos

    O escroque do Bin Laden derrubou as torres. Houldini apenas derrubou o filme!KKKKK Confesso que gostei muito dos filmes anteriores deste cineasta!

  4. Haha. João, o filme se vende de uma forma bem bonita (o trailer é ótimo, dá vontade de ver Tão Forte e Tão Perto. No filme não tem a música do U2). Mas quando sentamos e assistimos, constata-se que não é nada disso.

    O que se vê é uma criança bem irritante e que dissipa as chances de se envolver com a dor dela. O menino Thomas Horn até tem talento, mas deu azar ao estrear com um personagem tão ingrato. O garoto foi descoberto num daqueles programas de perguntas e respostas dos EUA, o tal “Jeopardy”, que ele ganhou na semana das crianças.

    Como falei, a fotografia é bonita, a trilha também é boa (podia ser até nomeada ao Oscar.). E Max von Sydow está esplêndido (quero que ele ganhe, mas deve perder para Christopher Plummer). Em algumas situações, percebemos a mão de Daldry (também o considero um bom diretor), mas é um trabalho bem aquém de Billy Elliot e As Horas, pelo menos.

    Assisti ao filme na sexta (17), numa cabine de imprensa no Tacaruna (colaboro com um site de cinema, o “Cineflash”). Mas é o que tenho dito: vá ver e faça suas considerações. Estreia na próxima sexta, dia 24/02.

  5. João Carlos

    Confio no teu taco Houldini. De qualquer forma vale conferir.Mas é muito chato ver uma boa história se perder!

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