Amadoristicamente não posso recomendar. Ou posso?
Mas só posso dizer se gosto ou não de um filme se for vê-lo.
E gostei muito. Fui com a reca toda. E todos gostaram.
Não entendo de roteiros, tomada de câmeras, estilos de cineastas, não não sou um especialista.
Fica para o broda Houldine.
Mas, parafraseando o caçula Edgar, entendo um pouco do bicho homem e suas misérias.
Do resto não entendo nada.
E vi Abileen ou sei lá como se escreve Abe entrar no livro A Hora da Estrela de Clarice Lispector e virar Macabéa.
Vi todo aquele Mississipi ser o Nordeste e juro que vi Gilberto Freyre e os milhares de nordestinos que construíram São Paulo.
Porque o racismo é o mesmo em todos os lugares deste mundo belo e doente.
Mudam-se as placas, as línguas, as formas, mas o conteúdo e a dor fedem da mesma forma.
A cena de Constantine, velhinha, depois de doar a vida a uma família e ser despedida por receber a filha pela porta da frente, quando as madames de cor branca não permitiam… a sua mãe no vidro da porta… vidas secas. Graciliano Ramos redivivo.
Many ou mani ou sei lá. A mulher de fibra que faz uma bela torta e presenteia uma das KKK do filme com uma bela torta recheada de merda e a faz comer é impagável. E deixa o marido e salva-se e aos filhos. Nordestemor puro.
O racismo como explicado anos depois por Danilo Gentili , alguns posts atrás é isso aí mesmo. O politicamente correto que não faz outra coisa senão encobrir a ferida da humanidade.
E a solução que não há.
A não ser com palavras brandas que conseguem destroir até ossos.
Sim, eu vi poesia no filme.
E disse eu talvez entenda um pedacinho de nada.
E quando eu vejo poesia com toda a minha família reunida e alguns amigos eu ganhei meu domingo.
E continuo acreditando na humanidade.
Mesmo que tenha rir de uma torta recheada do antídoto contra a heresia branca.
Que pode ser de qualquer cor também.
Porque no final.
Não há santos.
Nem vencidos.
Nem heróis.
Se eu recomendo o filme?
Vá para poder opinar.
E mais não digo.
O Oscar?
Tem uma Dama de Ferro favoritíssima.
E a Academia? Sabe tudo…
Domingos, retribuindo sua indicação na qual, pela nossa identidade de gosto, confio plenamente, recomendo, para toda a família, uma comédia romântica tão antiga quanto excelente. Trata-se de Amor na Tarde, com Gary Cooper e Audrey Hepburn, também com a participação do Maurice Chevalier ( que, no filme, é um detetive e não um chansonier ). Tal qual a sua protagonista há no filme uma ingenuidade, uma pureza que faz o seu encanto. E a execução de Fascination por um conjunto cigano para servir de background musical das cenas de amor de um emérito conquistador internacional é sensacional. Vocês só encontrarão esse filme na Classic Vídeo, da Torre. Eu tenho uma cópia no computador mas não sei remetê-la para vocês. Nesta madrugada, revi – acho que pela décima vez – esse encantador filminho. E, um fato novo e signficativo me ocorreu: desta feita me identifiquei com o pai da moça e me emocionei. Sinal de velhice…
Esqueci de usar três qualificativos para esse filme : inteligente, agradável, divertido.
Amor na Tarde. Já está nos favoritos. Classic Vídeo na Torre. Uma referência em locadora.
Domingos,
Li, no ano passado, o livro que deu origem ao filme: “As Serviçais”, traduzido para o português de Portugal. Aqui no Brasil saiu com outro título, não lembro o nome.
O livro é fantástico!
Vou assistir ao filme!