Histórias Cruzadas (The Help) Cotação: **1/2
Drama, 147 min.
Lançado em fevereiro de 2009, “The Help” (“A Resposta”, no Brasil) foi um grande sucesso de vendas. O livro de Kathryn Stockett aborda as relações entre mulheres brancas e negras em sua cidade natal, Jackson, capital do Mississipi, no começo dos anos 60, durante a luta pelos Direitos Civis. Como uma forma de homenagear uma empregada negra responsável por sua criação, ela decidiu escrevê-lo.
Não demorou muito tempo para que fosse adaptado ao cinema. E o responsável por tudo isso é seu amigo de infância, Tate Taylor, até então desconhecido do grande público (desempenhou pequenos papéis em alguns filmes, o mais recente deles foi “Inverno da Alma”). Tate dirigiu e elaborou o roteiro (conta-se que foi uma exigência de Kathryn para vender os direitos da obra).
Produzido pela Dreamworks, Histórias Cruzadas é quase um conto de fadas às avessas. O filme traz a (sempre) complicada questão racial nos Estados Unidos exatamente através de uma atmosfera idílica. Na trama, Skeeter (Emma Stone) é uma jovem jornalista que difere das demais de sua terra não só por ser solteira e nunca ter namorado, mas especialmente por decidir em segredo escrever um livro que trouxesse o ponto de vista das empregadas domésticas negras acerca das patroas brancas. Algo de extrema ousadia para o local e época.
É a partir disso que conheceremos o drama de algumas das personagens, boa parte delas são tipos. Aibileen Clark (Viola Davis), que trabalha há anos para uma família tradicional; Minny (Octavia Spencer), também doméstica, figura excêntrica e bem-humorada; Hilly Holbrook (Bryce Dallas Howard), a líder da alta sociedade, cheia de falsidade e preconceito; Celia Foote (Jessica Chastain), mulher tola e bem intencionada. Fazendo jus ao título recebido por aqui, essas histórias vão se entrelaçar, de um jeito ou de outro.
O filme tem vários momentos constrangedores, sobretudo no que confere às atuações, um festival de caricaturas, ficando difícil dizer qual delas é a mais exagerada. A começar por Chastain, boa atriz, mas aqui se resume a “miados”. Outro absurdo é Octavia Spencer, que nem precisa fazer tanto esforço para tornar sua composição caricata (é tão over que pode se tornar divertido). A mais contida delas é justamente Viola Davis.
De forma contraditória, as três atrizes citadas estão nomeadas ao Oscar, duas delas (Viola e Octavia) favoritas a vencer. Mas pelo visto, só Miss Davis fez por merecer a indicação. Ela vai além e garante a sua personagem uma humanidade que parece faltar nas demais. Em “Histórias Cruzadas”, ainda estão presentes nomes como o de Sissy Spacek, Mary Steenburgen, Allison Janney e a veteraníssima Cicely Tyson, que não comprometem.
Embora acabe funcionando, o maior maior erro é tratar de forma tão rasa o tema de discriminação. Um fato a se considerar é o acolhimento do povo americano ao filme, que estreou por lá em agosto do ano passado e até agora se encontra em cartaz, mesmo tendo sido lançado em DVD (provavelmente pela importância e força da temática na história daquele país).
Para fazer com que o espectador se envolva, Tate Taylor usa e abusa dos clichês num trabalho claramente direcionado às mulheres, para sensibilizar e com alguns momentos de bom cinema. É uma pena que uma obra com um elenco feminino tão forte seja desperdiçada dessa maneira.
Ai vai o trailer. Tem apenas dois horários hoje no cine plaza Casa Forte: 14:30 e 17:30. vou chegar por lá. Acho que vale a pena:
Um dos melhores livros que li foi INCIDENTE EM ANTARES de Érico Veríssimo. Pois bem, a GROBO fez uma min=série com um elenco de primeira. O resultado ? Uma porcaria! E agora não convenço ninguém sobre o livro. Será o mesmo caso Houldini ?
Um dos melhores livros que li foi INCIDENTE EM ANTARES de Érico Veríssimo. A Globo fez uma série com um elenco de primeira. Resultado ? Pífio. Agora ninguém se convence sobre o livro. Será o mesmo caso Hoyldini ?
João, não cheguei a ler o livro de Kathryn, mas, pelo visto, é uma situação parecida. Mas é aquela coisa, cinema é bem pessoal. Faça como Domingos, vá e tire suas próprias conclusões.