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Torpedaço de Magna Santos.

PROBLEMA OU SOLUÇÃO

 

Era 1933. Eu havia sido demitido de meu emprego de meio expediente e não podia mais contribuir para a despesa familiar. Nossa única renda era o que mamãe conseguiu ganhar fazendo roupas para os outros.

Então mamãe ficou doente durante algumas semanas e incapaz de trabalhar. A companhia elétrica veio e cortou a força quando não conseguimos pagar a conta. Depois foi a companhia de água. Mas o Departamento de Saúde os fez religar a água por motivos sanitários. A despensa ficou quase vazia. Felizmente, tínhamos uma pequena horta e podíamos cozinhar os legumes numa fogueira no quintal.

Um dia minha irmã mais nova veio saltitante da escola para casa dizendo:

- Amanhã temos que levar para a escola alguma coisa para dar aos pobres.

Mamãe começou a esbravejar dizendo:

- Não conheço ninguém mais pobre do que nós!

Mas a mãe dela, que estava morando conosco na época, a fez calar, franzindo as sobrancelhas e tocando-lhe o braço:

- Eva – disse -, se você passar para uma criança a idéia de que ela é “pobre” com essa idade, ela será “pobre” para o resto da vida. Sobrou um pote daquela geléia caseira. Ela pode levar aquilo.

Vovô achou um pedaço de papel de seda e um pedacinho de fita cor-de-rosa com os quais embrulhou nosso último pote de geléia e minha irmã foi saltitando para a escola no dia seguinte levando orgulhosamente seu “presente para os pobres”.

E, para sempre depois disso, se havia um problema na comunidade, minha irmã naturalmente presumia que ela deveria ser parte da solução.

 

Edgar Bledsoe

Sobre Domingos Sávio

Brasil, nordeste, casado, homem, 45 a 50 anos. Alvirrubro. Poeta. Sonhador. Bancário. Pai muito feliz. Marido feliz muito. Filho orfão. Pais no céu. Que estão na terra os amigos. Nos livre do mal dos cartolas. Dos políticos nos livra o demo. Os anjos vivem no mesmo condomínio dentro de mim com meus demônios.

2 respostas »

  1. João Carlos

    Pois é… quem procura acha!

  2. EDGAR MATTOS

    A Caridade sempre é possível. Ainda quando não se tenha para “dar do seu” pode-se “dar de si” o que torna mais autêntico e meritório o gesto caridoso.

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