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A vida em 24 fps. Por Houldine Nascimento(*)

 

 

Gainsbourg – o homem que amava as mulheres (França, 2010) Cotação: ***1/2

Drama biográfico, 130 min.

 

Serge Gainsbourg foi um mito da música pop francesa surgido nos anos 60 e que trafegou por diversos gêneros, compondo canções ousadas para a época, muitas delas com conotação erótica como é o caso de “Je t’aime… moi non plus”, a mais célebre de todas. Mas também teve incursões em outras artes, entre elas plásticas, onde iniciou, e até mesmo cinema. Era bem feio, fumava e bebia bastante, mas ainda assim tinha charme e fazia sucesso com as mulheres.

E não é que resolveram fazer um filme sobre a sua mais que intensa vida? Gainsbourg – o homem que amava as mulheres (Gainsbourg – vie héroïque) realiza uma passagem por duas fases dela: a infantil, que é bem interessante, pois era judeu e cresceu numa França ocupada pelos Nazistas; e a adulta, em que se passa a maior parte da história. Vemos os relacionamentos que teve com figuras conhecidas daquela época, como Juliette Grecó (Anna Mouglalis), Brigitte Bardot (Laetitia Casta) e a britânica Jane Birkin, que surgiu para o mundo aparecendo diversas vezes nua em Blow Up, de Michelangelo Antonioni, e veio a se tornar mulher de Serge. Nesses dois momentos, ele é acompanhado por uma criatura estranha, fruto de sua mente caótica.

Algumas encrencas em que esteve metido não são deixadas de lado, como quando fez uma versão em reggae da Marselhesa, despertando a ira de muitos. De maneira bem consistente, Eric Elmosnino é quem dá vida a Gainsbourg. É intrigante a semelhança entre ambos. Por esse papel, venceu o César de ator. O diretor tinha chegado a preparar a filha de Serge, a boa atriz Charlotte Gainsbourg durante seis meses, mas ela desistiu do projeto.

Quem é encarregada de fazer Birkin é a também inglesa Lucy Gordon. O caso dessa moça é trágico. Ela cometeu suicídio num apartamento que havia alugado em Paris por fazer carreira na França. Esse foi o último filme dela (antes, chegou a aparecer em “Homem-aranha 3”). O renomado diretor Claude Chabrol, um dos pais da Nouvelle Vague e que veio a falecer em 2010, faz uma divertida ponta como o produtor musical de Gainsbourg.

O filme é escrito e dirigido pelo estreante Joann Sfar, que é artista de graphic novel (o que justifica a inventividade desse longa) e parte de uma HQ criada por ele. A trilha é muito boa, até porque é feita em cima das músicas de Serge. Destaque para um instrumental de “Initials BB”, feito pela Orquestra Sinfônica da Bulgária.

Embora seja uma biografia não-convencional, faltou mais ousadia. Houve uma blindagem, uma tentativa de protegê-lo. A fase infantil pareceu mais instigante por ser apresentada uma criança precoce, sem pudores, o que em alguns momentos acontece com o Gainsbourg adulto.

De qualquer forma, é um filme que não deixa de ser criativo (ainda mais quando comparado a outras biografias) e bem realizado. Fica a recomendação para que se conheça melhor esse grande artista por vezes excêntrico.

 

(*) Houldine Nascimento é jornalista e autor do excelente Blog do Dine (http:blogdodine.wordpress.com).

 

Sobre Domingos Sávio

Brasil, nordeste, casado, homem, 45 a 50 anos. Alvirrubro. Poeta. Sonhador. Bancário. Pai muito feliz. Marido feliz muito. Filho orfão. Pais no céu. Que estão na terra os amigos. Nos livre do mal dos cartolas. Dos políticos nos livra o demo. Os anjos vivem no mesmo condomínio dentro de mim com meus demônios.

2 respostas »

  1. João Carlos

    O cara era uma figuraça.Outro dia vi uma entrevista antiga onde ele no ar dizia (frente a ela) que queria “pegar a Whitney Houston..

  2. Hahaha, essa eu também vi e o apresentador ainda tentou contornar. O homem não tinha papas na língua…

    Abraço.

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