R O C K B R A S I L
Uma crítica contumaz que se fazia e se faz ao chamado Brock é que,diferente dos outros tantos estilos musicais, este carece de um sotaque brasileiro. Nos anos 80, quando definitivamente o rock sentou praça por aqui, houve até quem relacionasse os “nossos” com os originais estrangeiros. Algo do tipo B-52s (Blitz), THE SMITHS (Legião Urbana), DURAN DURAN (RPM), HARRISON (Lulu),STONES (Barão Vermelho),THE POLICE (Paralamas) etc, etc. Ora, toda e qualquer música popular não veio do nada. Se formos atrás, elas estão bem distante, lá nas cavernas dos nossos antepassados. Os cantos e batuques tribais dos escravos africanos deram no blues/jazz e as canções do folk anglo-saxão deram na country music americana e, todos juntos deram no ROCK. Este em particular, ao aportar na Jamaica virou “rock steady” e então, o reggae. Pelas mãos mexicanas/gitanas de CARLOS SANTANA deu-se o Latin Rock e no Reino Unido, virou o eternamente festejado British Rock, de onde se originou o psicodelismo,o progressivo, o heavy metal,o punk e o new wave e…
Foi com um olho nas Big Bands que Severino Araújo fundou a nossa eterna Orquestra Tabajara que além de Tommy Dorsey e Glenn Miller acrescentou a “gafieira” aos metais em brasa. Foram nossos heróis de formação erudita, que ralavam nas noites cariocas tocando jazz que trouxeram o samba prá pedaço e raiaram com a Bossa Nova e, hoje em dia, qualquer esquimó a identifica como música autenticamente brasileira.
A coisa toda é um “processo”. Às vezes lento, às vezes rápido. Acreditem mas, CAUBY PEIXOTO, AGOSTINHO DOS SANTOS e ELIS REGINA gravaram rocks sem muita aceitação mas, quando CELY CAMPELO lançou suas versões bem apropriadas, a coisa pegou e sobrou até para seu irmão TONY e o fugaz CARLOS GONZAGA. A JOVEM GUARDA, apesar de bem sucedida comercialmente, manteve as “versões” como padrão embora ROBERTO e ERASMO criassem alguns clássicos nos primórdios. Justamente o TROPICALISMO, já chegou com todos os ingredientes do rock brasileiro, juntando tudo,inclusive a Jovem Guarda,na panela. Claro que OS MUTANTES faziam rock com a cara (e a coragem) de MPB mas, é só dá uma olhada na época para se identificar em Gil,Caetano e Gal as mesmas tendências. Aquilo era rock sim e muito verde-amarelo-azul-anil. Mais tarde houve sim uma tentativa fracassada de se copiar o “rock progressivo” mas ERASMO CARLOS e principalmente RITA LEE e o RAUL SEIXAS já esbanjavam nossa malemolência musical em seus inseparáveis rock and rolls. Nada mais brasileiro.
Só no início dos agora históricos ANOS 80 o rock tirou seu visto de permanência no Brasil. De início, tocando fundo a alma brasileira com temas do agrado nacional: humor e amor. A BLITZ estourou com o casal suburbano das batatas fritas. OS PARALAMAS cantavam a moto que papai proibia de Vital que, por trás das lentes era um cara legal. Paulinha e o KID ABELHA não queriam saber de solos de guitarra e de bermudas, o caso era sério. O BARÃO descrevia a trajetória de Bete Balanço para os “insensíveis” TITÃS enquanto a atônita LEGIÃO URBANA questionava: será só imaginação ? É claro que, as gravadoras foram às nuvens e despejaram, sem critérios lixos do tipo METRÔ, MAGAZINE, SILVINHO BLAU-BLAU, CAMISA DE VÊNUS, ENGENHEIROS, NENHUM DE NÓS, YAHOO e… haja paciência ! Mas quem tinha bala na algibeira cresceu, depurou-se e criou canções que, marcaram uma geração e permanecem, já incorporadas à melhor música brasileira. Estilos foram depurados, experimentações musicais e líricas foram urdidas e só as tragédias da vida nos privou de artistas brilhantes que ainda prometiam mais e melhores “blues”. Confesso que não gostava da LEGIÃO. Achava que não estava a altura do talento do Renato Russo com sua voz e versos poderosos (mas é óbvio que não sou o Senhor Verdade Absoluta). CAZUZA cada vez mais cortava o cordão umbilical e o mimo dos papais e crescia como pessoa e artista. IRA,PARALAMAS e TITÃS mantiveram o nível de qualidade (Hebert Vianna é um gênio assim como o Arnaldo Antunes). LULU SANTOS continua perene como o último romântico (e guitarrista fantástico). PAULA TOLLER é sempre ótima e dulcíssima. Será que o Mangue Beat vingaria se os 80 não abrissem as portas ? E mesmo desse movimento musical pernambucano pudemos constatar que “quem é bom fica!” e gera frutos. O SKANK já está entre os grandes e mesmo o deboche,a ironia e as piadas certeiras dos MAMONAS (que tanto me fizeram gargalhar) não escondiam os bons músicos que eram e a inteligência malandra do DINHO. O lixo “broda”, o gato enterrou, como de costume. E temos sim o nosso rock. Ou melhor… roque !
POSFÁCIO ESPECIAL DE LUXO POR EDGAR MATTOS:
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Mais que todas as instrutivas sabatinas do nosso Maestro JC, esta de hoje eu qualifico de ‘essencial”. De forma sintética e clara ela explica a origem de tudo. O processo. Mais Lavoisier ( foi ele mesmo ? ) do que nunca: nada se cria, tudo se transforma. Muito pedagógico. Simples e abrangente.Etimologicamente magistral ! Hoje vou dormir menos ignorante. Ao som de um brasileiríssimo roque…
PS – João Carlos, me permite esse vídeo “intrometido” no seu belo artigo.
Vamos esperar o nosso Engenheiro de Som chegar de Porto.
Mas vamos mandando nossos rocks por aqui. Brazucas. Do bão.
Clip show de bola Domingão.Não poderia ser mais abrangente.Gente que omiti (para o bem e para o mal) mas que de fato marcaram a definitiva incorporação do rock na MPB.E tem o Cláudio Zoli,Marina Lima e…
Começando a peleja por aqui mesmo. Com tênis furado e bola de meia, antes que o Engenheiro de Som chegue de Porto:
Capítal Inicial. Primeira:
Quando Vital comprou a moto, eu também comprei uma em Garanhuns:
Kid Abelha. Paula Toller. Amém. Vai logo de trinca:
http://www.youtube.com/watch?v=9jZjA9cy6Ag
Barão Vermelho. No lugar de honra. Puta banda:
http://www.youtube.com/watch?v=B9rSgQG1g-M
http://www.youtube.com/watch?v=-IjQ3zaO57c&feature=related
TITÃS. SEM COMENTÁRIOS. Esse deveria ser o hino do Náutico. A turma toda de M.C TUNGÃO ESTÁ VOLTANDO. MANÉS SOMOS NÓS BRODA. Eleição escrota:
E essa. Pros políticos que teimam em phuder o timba:
Prá garotada que apanhou ontem da polícia de Dudu. João tú foi mal no comentário cara. Bad boy:
Mais que todas as instrutivas sabatinas do nosso Maestro JC, esta de hoje eu qualifico de ‘essencial”. De forma sintética e clara ela explica a origem de tudo. O processo. Mais Lavoisier ( foi ele mesmo ? ) do que nunca: nada se cria, tudo se transforma. Muito pedagógico. Simples e abrangente.Etimologicamente magistral ! Hoje vou dormir menos ignorante. Ao som de um brasileiríssimo roque…
Edgar, se me permitires vou subir o teu comentário. Vai para o andar de riba no toitiço. E amém.
(oxe! Depois de eu digitar horrores, sumiu. Domingos, se chegar aí, publica só o primeiro, viu. vou tentar neste repetir o que fiz)
Assino embaixo no que Edgar falou, João. Todos muito legais e importantes. Porém, eu adoro mesmo é o Legião Urbana. Sim, Renato Russo com sua voz de Elvis, seu carisma, sua inteligência e talento fora do comum. Nossa! Tinha muito, mas muito o que fazer ainda. Faz uma falta danda.
E, mais uma vez, não resisto:
Uma das mais bonitas. Letra primorosa. Esta eu canto com meu filho amado do coração no violão(ele sabe que a madrinha gosta):
Falando em filhos…não é isso mesmo?
Falando de amor com simplicidade. Quase um cordel(e este clipe, propaganda à parte, ficou muito legal):
E esta? Uma das mais lindas(como vêem, sou fácil de escolher):
Desculpem, mosqueteiros, mas sinto saudades desse som.
Abraços!
Magna